5 elementos que organizações de jornalismo sustentáveis têm em comum

porJames Breiner
Nov 19, 2020 em Empreendedorismo de mídia
Um telefone celular exibe as principais manchetes

Esta pesquisa começou quando nosso colega disse que estava preocupado com o futuro da mídia de qualidade. Ele viu as organizações de mídia tradicional fracassando como negócios porque não estavam respondendo de forma eficaz ao desafio da mídia digital.

Essa discussão ocorreu em uma de nossas sessões de café semanais, há dois anos, na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra. Dois de nós — Mercedes Medina Laveron e eu — decidimos aceitar o desafio de nosso colega preocupado, Alfonso Sanchez Tabernero, reitor da universidade. Queríamos ver se poderíamos identificar algumas soluções para a indústria e alguns caminhos promissores à frente.

Como acontece nas universidades, o resultado foi um artigo.

Finalmente, nós três identificamos 20 exemplos de jornalismo de qualidade sustentável de quatro regiões: Europa Ocidental, Europa Oriental, Estados Unidos e América Latina. Em seguida, examinamos os elementos de seus modelos de negócios para ver se havia caminhos promissores.

Você pode ver um resumo de algumas de nossas pesquisas aqui, com um gráfico detalhado das 20 organizações de mídia de notícias. Concluímos que houve cinco elementos que todas essas organizações exibiram.

[Leia mais: Sustentabilidade da mídia durante uma pandemia]

(1) Independência e credibilidade

Todas as 20 organizações de notícias se descreveram como independentes dos poderes político e comercial constituídos, e vincularam isso a uma reivindicação de credibilidade e confiabilidade. A sua proposta de valor baseou-se nesta independência, no seu conteúdo altamente diferenciado e num compromisso declarado com o serviço público.

Eles respaldaram sua reivindicação de credibilidade com um nível incomum de transparência: identificaram seus proprietários, investidores, acionistas, doadores ou patrocinadores. A maioria revelou dados financeiros detalhados, incluindo receitas e despesas. Todos deram os perfis de seus executivos e funcionários em funções editoriais, comerciais e de tecnologia.

Quatorze dos 20 identificaram o jornalismo de responsabilidade, ou jornalismo investigativo, como uma parte fundamental de sua oferta. E muitas vezes eles descreveram como procederam para reunir as informações para suas reportagens de investigação e como tomaram as decisões sobre como apresentá-las.

(2) Eles focam nos usuários

Todos fizeram das necessidades e problemas de seus usuários o foco principal de seu trabalho. Os anunciantes e patrocinadores vêm em segundo lugar ou nem chegam a isso. Metade do grupo não aceita publicidade.

Eles se concentram em criar valor para os usuários, o suficiente para que estejam dispostos a pagar por uma assinatura digital, e metade das organizações tem algum tipo de acesso pago. Mas o valor é importante, uma vez que você não pode pedir às pessoas que paguem por informações que são irrelevantes para elas.

[Leia mais: Audiência alta mantém saldo positivo enquanto publicidade desaparece em tempos de COVID-19

(3) Dão prioridade ao digital

Eles abraçaram o poder da comunicação digital e suas diferenças da mídia tradicional. Eles usam hiperlinks para conectar os usuários aos documentos originais para fornecer evidências e contexto. Eles contam histórias em formatos multimídia. Eles tornam seu trabalho social e compartilhável por meio dos canais em que os usuários preferem consumir notícias e informações.

(4) Seus fundadores são jornalistas veteranos

Quase todos foram fundados por jornalistas veteranos, muitas vezes da mídia tradicional, que usaram sua experiência, reputação e credibilidade — ou seja, seu capital social — para atrair investidores, colaboradores e funcionários. Uma exceção foi o Perspective-Daily da Alemanha, que foi fundado por dois cientistas e se concentra no jornalismo de soluções.

(5) Eles envolvem o público e incentivam a participação

A melhor evidência de envolvimento é que os usuários estão dispostos a pagar por uma assinatura digital ou membresia. Eles incentivam seu público a participar da coleta de informações via crowdsourcing. Eles usam uma comunicação bidirecional ou interatividade com o público para obter sugestões de matérias e dicas de notícias e para fazer investigações coletivas.

Todas essas organizações garantem que todas as partes da equipe entendam seu papel no sucesso financeiro da empresa. Sete dos 20 são organizações sem fins lucrativos, mas 13 têm um modelo de negócios com fins lucrativos.

Essas cinco chaves para a sustentabilidade são apenas algumas que menciono. Elas se encaixam em dez novos paradigmas de jornalismo de qualidade sobre os quais escrevi em outro lugar.


Este artigo foi publicado originalmente por James Breiner em seu blog, "James Breiner: Entrepreneurial Journalism". Foi republicado na IJNet com permissão.

James Breiner é o ex-bolsista ICFJ Knight que lançou e dirigiu o Center for Digital Journalism na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Markus Spiske