Como viver do jornalismo freelance

porAndy Hirschfeld
Apr 28, 2021 em Freelance
Jornalista na mesa de trabalho

As demissões nas redações se tornaram uma história perene no jornalismo hoje. Mais de 16.000 empregos em redações nos Estados Unidos foram eliminados em 2020, tanto em redações locais quanto em gigantes da mídia.

Seja por escolha ou cada vez mais por necessidade, é claro que cada vez mais jornalistas estão recorrendo ao jornalismo freelance.

Eu me senti intimidado quando comecei a trabalhar como freelancer: não tinha ideia onde procurar oportunidades, nem mesmo como começar. Tampouco sabia como navegar pelo estigma — felizmente deteriorado — em torno do trabalho freelance e desenvolver uma compreensão de como fazer disso uma vida sustentável.

Com as ferramentas, mentalidade e abordagem certas, você não apenas pode sobreviver como jornalista freelance: pode prosperar. Em alguns casos, você pode realmente se sair melhor financeiramente do que com um emprego tradicional.

Compilei dicas de freelancers prolíficos e da minha própria experiência como repórter freelance.

Mude sua mentalidade e linguagem

O jornalismo freelance não é para todos. Fazer freelas requer pressa constante. Dito isso, você pode ter mais controle sobre suas escolhas editoriais e desenvolver uma imagem e um padrão únicos e independentes.

A melhor mudança de mentalidade que fiz foi parar de ver o trabalho freelance como temporário. Se você o vê como tal, ou como um degrau ou uma lacuna em seu currículo, é assim que vai ser e é assim que você vai tratá-lo.

Isso não quer dizer que não deva se inscrever para oportunidades em tempo integral. Ainda assim, candidate-se a vagas que se encaixem em sua progressão natural de carreira: você será, em última análise, um candidato mais forte se abordar o trabalho dessa direção.

Eu também parei de usar a frase "agências para as quais faço freela". Refiro-me a esses veículos como meus clientes. Isso colocou mais controle em minhas mãos, ao mesmo tempo que construiu autoconfiança.

[Leia mais: Melhores práticas de proteção e segurança para jornalista freelance]

Pagamento e consistência

As taxas de remuneração são importantes, mas a consistência é ainda mais. Ter clientes regulares me dá alguma estabilidade, ao mesmo tempo que me permite propor e escrever artigos mais ambiciosos.

Cultive um relacionamento com um meio que possa lhe demandar uma quantidade de trabalho mais regular. Eu chamo isso de "trabalho-âncora". Isso não tem que pagar muito, mas permite uma base que você pode construir. Meu “trabalho-âncora” é literalmente trabalhar como um âncora para um programa chamado Business Brief em nome de uma startup.

"Acho que sempre me sinto mais confortável e financeiramente mais estável quando tenho pelo menos um ou dois lugares para onde escrevo que vão me dar um trabalho regular. Às vezes, isso significa aceitar um trabalho que não paga muito bem, mas você vai conseguir muito trabalho com ele", disse Thor Benson, em Nova Orleans. "Ter essa base é importante, daí você tenta conseguir o máximo de trabalho possível além disso. Em alguns meses, você consegue um monte de trabalho e em outros meses não.”

Para alguns freelancers, o cliente principal pode mudar mês a mês ou trimestre a trimestre. “No momento, tenho um grupo de clientes a quem posso depender para trabalhar, que pagam minhas taxas, que me dão projetos interessantes. Quem é meu principal cliente muda mês a mês e trimestre a trimestre”, disse a jornalista Wudan Yan, de Seattle.

Reunindo clientes

A partir daqui, organizo meus clientes usando um sistema de camadas. As publicações de “nível dois” são aqueles em que posso depender para um trabalho razoavelmente regular: talvez uma ou duas matérias mensais, cada. Tenho cerca de meia dúzia de veículos que se enquadram nessa descrição.

No “nível três” estão as publicações que às vezes podem aceitar minhas propostas de pauta, mas não de forma consistente. E o "nível quatro" são os meios de comunicação — publicações para as quais eu adoraria escrever, mesmo que apenas uma vez.

À medida que você fizer mais freelance, considere desenvolver sua experiência em certas editorias. Isso pode torná-lo um jornalista de referência, a quem os veículos recorrem de forma proativa quando precisam de uma matéria sobre um determinado tópico. Há muitos repórteres políticos bons por aí, mas não tantos que cobrem habitação, por exemplo. Existem muitos repórteres de negócios cobrindo corrupção corporativa, mas não tantos cobrindo os problemáticos programas para adolescentes.

Finalmente, ao reunir clientes, considere assinar boletins informativos como Opportunities of The Week e One More Question, que enviam listas de editores que estão em busca de pautas. 

[Leia mais: Dicas para conciliar trabalho cooperativo com jornalismo]

Fluxos de receita independentes

O estabelecimento de fluxos de receita independentes fornece a você ainda mais controle sobre sua situação.

Os fluxos de receita independente de Yan têm sido uma parte bem-sucedida e sustentável de sua carreira profissional. Ela co-apresenta o podcast, The Writers’ Co-op, com Jenni Gritters, destinado a freelancers, ao mesmo tempo que dirige uma empresa de coaching de carreira. “Eu realmente me tornei meu próprio cliente-âncora porque Jenni e eu obtemos receita por meio do The Writers’ Co-op, e eu consigo obter renda por meio de meu negócio de coaching privado”, disse Yan.

Muitos jornalistas hoje usam Substack para boletins informativos, enquanto outros optaram por usar plataformas como Revue, Ghost e Patreon. Para alguns dos meus trabalhos de transmissão, uso uma plataforma chamada Happs, por meio da qual os telespectadores podem pagar assinaturas de streamers diretamente.

"Eu adoro a segurança de ter um projeto que está 100% sob meu controle. Ninguém pode me demitir do meu boletim informativo, ninguém pode me dispensar do boletim informativo que estará lá, não importa o que aconteça, e eu construí isso a partir de mim mesma", disse a jornalista Britany Robinson da One More Question Newsletter.

Você provavelmente experimentará períodos fracos em que as comissões são limitadas. Embora não sejam universais, os orçamentos para freelancers são mais limitados no final dos trimestres, especialmente durante as férias e no início do ano novo. Este é um bom momento para montar projetos, como um boletim informativo, que trarão algum lucro a longo prazo. Durante meu período fraco mais recente, reuni conteúdo perene para dois boletins informativos que publico.

Fazer freelance não é para todos, mas pode ser uma alternativa gratificante para o trabalho de redação. Se você é experiente e sabe como agir, pode florescer.

Como me disse um dos meus mentores, Laurie Segal, ex-correspondente da CNN Tech e fundadora da Dot Dot Dot Media: “[Jornalismo] não é para os fracos de coração. Não é algo que você faz sem se dedicar. Se você está obcecado com esse tipo de trabalho, está fazendo a coisa certa.”

Para freelancers, esse sentimento é amplificado. 


Andy Hirschfeld é um repórter baseado na cidade de Nova York com foco em questões de custo de vida. Ele escreve para publicações como Al Jazeera English, Observer, OZY, Salon, CNBC e muitas outras. Ele também é o âncora do programa de notícias de negócios Business Brief.

Foto por Karolina Grabowska no Pexels