Há anos os veículos de mídia buscam atrair o público para os seus sites via redes sociais. As redações criam threads no X/Twitter, postagens no Facebook e reels no Instagram para dar uma amostra de seu conteúdo, que é publicado integralmente nos sites oficiais.
Hoje em dia também há mais redações e jornalistas que interagem com suas audiências exclusivamente nas redes sociais.
"Se não formos até as pessoas, elas não vão buscar nosso site. É por que isso que priorizamos ir onde elas estão, apresentando as notícias em um formato que se ajusta aos seus hábitos e interesses", diz Damilola Banjo, produtora na Kara House.
Para saber mais sobre como produzir jornalismo para as redes sociais, eu conversei com chefes editoriais e executivos na Kara House e em outra jovem redação africana, a gst.
A seguir está o que foi compartilhado:
Formato e narrativa
Produzir notícias para as redes sociais difere enormemente do conteúdo criado para um jornal ou site. "Redações que priorizam as redes sociais otimizam o conteúdo para as plataformas digitais. Isso significa que vídeos curtos, infográficos e narrativa mais coloquial têm prioridade em relação a textos longos", diz Banjo. "A questão é tornar uma notícia quente instagramável."
É importante que as redações adotem essa abordagem também para tirar proveito da análise do comportamento dos usuários, diz Chiamaka Dike, editora de redes sociais na gst. "Por quanto tempo as pessoas assistem um vídeo e quantas delas permaneceram após os primeiros segundos e assistiram até o fim? Quais manchetes são mais sagazes? Quais cores geram mais engajamento?"
As redes sociais recompensam o jornalismo que é imediato, interativo e adaptável, sendo necessário um conteúdo que capture a atenção da audiência e mantenha o engajamento em um ambiente digital altamente competitivo. Isso exige repensar técnicas de narrativa, com foco na brevidade, no apelo visual e na capacidade de gerar identificação com facilidade.
As redações que empregam essa abordagem fazem uso de métricas como tempo de visualização e taxa de engajamento para entender aquilo que repercute entre a audiência, diz Dike. Se um vídeo perde visualizações após os primeiros dez segundos, pode ser um sinal de que ele precisa de um elemento mais atrativo ou de uma narrativa mais acelerada.
Outra característica definidora é o tom coloquial. As plataformas de redes sociais são afeitas ao diálogo informal, e o conteúdo deve se alinhar a isso. "Nós constantemente exploramos formas criativas para apresentar assuntos difíceis em um formato que seja ao mesmo tempo informativo e atraente", diz Banjo. Isso pode incluir o uso de humor, fazer perguntas ou incorporar comentários dos seguidores. O sucesso nesse ambiente exige criatividade, letramento em dados e um entendimento do comportamento da audiência, de acordo com Banjo e Dike.
As redações precisam sempre equilibrar os aspectos acima com um jornalismo meticuloso. "Nós temos um processo de edição rigoroso", diz Banjo. "Todo vídeo de um minuto ou um story com cinco imagens passa por múltiplas rodadas de edição", diz Dike.
Recuperando a confiança
A publicação de notícias nas redes sociais também oferece uma oportunidade de suprir os déficits de confiança da audiência, de acordo com Adewunmi Emoruwa, fundador e CEO do Gatefield, organização matriz da gst.
"As pessoas querem que as notícias cheguem até elas e se pareçam com elas. É por isso que a gst fez das redes sociais sua principal plataforma", diz Emoruwa.
É comum que as partes interessadas do jornalismo vejam a perda de confiança do público como um problema que afeta o jornalismo, mas não o bastante como um problema causado ou exacerbado pela abordagem adotada pelo setor. Boa parte do trabalho do gst envolve colaborar com vozes locais, incluindo influenciadores, figuras comunitárias e jornalistas que pertencem às comunidades que eles estão servindo. Por exemplo, uma campanha produzida pela redação, FWD with Facts, é composta por vídeos e infográficos que compartilham as opiniões de jornalistas, personalidades e influenciadores que defendem a conscientização sobre a mídia.
"A gst veio para preencher uma necessidade demográfica clara e urgente", diz Emoruwa. "A geração Z estava desiludida e apática em relação à política. A mídia tradicional não estava exatamente se conectando com a próxima geração de nigerianos, cujo padrão de consumo de mídia mudou dramaticamente."
O jornalismo para as redes sociais é algo óbvio para muitos veículos de mídia hoje. "Não é mais uma questão de adotar ou não as plataformas digitais — isso é essencial", diz Banjo. "Se o jornalismo quer permanecer relevante e gerar impacto, ele precisa ir onde as pessoas estão e se adaptar à forma como as notícias são consumidas atualmente."
Foto por Brian Ramirez via Pexels.