Fact-checking ao redor do mundo: Dubawa da Nigéria

porPatrick Egwu
Jul 05 em Fact-checking e verificação
jornal

O Dubawa, uma organização de fact-checking na Nigéria, está mudando a prática de checagem de fatos no país, colaborando com organizações e treinando jornalistas em diferentes redações.

Como uma plataforma transnacional independente de verificação e checagem de fatos, iniciada pelo Premium Times Centre for Investigative Journalism (PTCIJ), a organização é guiada pelos cinco princípios da International Fact-Checking Network (IFCN) com o objetivo de ampliar a cultura de verdade no discurso público, políticas públicas e jornalismo na África Ocidental.

O Dubawa dedica-se à criação de parcerias estratégicas entre a mídia, o governo, as organizações da sociedade civil, os gigantes da tecnologia e o público.

“A suposição básica, que é parte integrante de nossa teoria de mudança, é que a informação baseada em fatos permite que as pessoas façam escolhas mais informadas em uma sociedade democrática e em outras questões de interesse público. Portanto, fornecer informações verificadas provavelmente promoverá boa governança e prestação de contas na África Ocidental e Subsaariana”, disse Ebele Oputa, diretora de projetos e editora adjunta do Dubawa.

A organização baseia sua criação na crença de que a verdade e a confiança foram corroídas no jornalismo devido em grande parte a “investimentos mais escassos e forças competitivas das mídias sociais”. No entanto, fornecer informações factuais e construir a capacidade das redações para checar fatos é um método para reconstruir e restaurar a confiança perdida, disse Oputa.

Usando plataformas de multimídia, rádio, Twitter, Facebook, Instagram, WhatsApp e seu website, o Dubawa compartilha informações com um amplo público no país.

“Nós aparecemos em vários programas de rádio para falar sobre checagem de fatos em geral e nosso próprio trabalho no Dubawa, e estamos trabalhando para fazer mais disso”, disse Oputa. “Também treinamos cerca de 200 jornalistas de toda a Nigéria, de diferentes redações, e estamos vendo a melhor forma de usar esses jornalistas para promover ainda mais a verificação de fatos.”

Durante as eleições gerais da Nigéria em fevereiro, o Dubawa desmentiu alegações feitas pelos candidatos. Em três dias, eles checaram 26 reivindicações e produziram cerca de 60 verificações de fatos relacionados às eleições nos dias que antecederam a eleição nacional.

"Tentamos checar tudo, mas nosso princípio é priorizar as declarações que têm implicações para a segurança nacional e o discurso público", disse Oputa. “Nós checamos as afirmações feitas por pessoas influentes - políticos, influenciadores de mídia social, [e] especialistas nos setores econômico, político e de saúde. Nós também desfazemos mitos antiquíssimos ou afirmações aparentemente ridículas se descobrirmos que elas podem ser realmente prejudiciais ao bom funcionamento da sociedade.”

Em maio, o Dubawa, em parceria com a União Europeia e o British Council, organizou um treinamento para jornalistas em todo o país. Com financiamento da Fundação Heinrich BöllFundação MacArthur e Facebook, o  Dubawa está construindo a capacidade e as habilidades dos jornalistas no país para promover a cultura de checagem de fatos em sua profissão.

“As habilidades que aprendi durante o treinamento definitivamente refletirão em minhas matérias”, disse Chisom Udeoba, um dos jornalistas que participou do treinamento. "Sou grato pelo conhecimento, que foi muito impactante."

Este ano, para promover a disseminação de práticas de checagem de fatos para outros jornalistas, o Dubawa iniciou um programa de bolsas. Eles selecionaram cinco jornalistas de redações existentes que passaram seis meses produzindo matérias de checagem de fatos sobre várias questões em todo o país. Durante o período da bolsa, os jornalistas selecionados recebem um subsídio mensal de NGN100.000 (US$278) e orientação da equipe do Dubawa. No final da bolsa, espera-se que os bolsistas treinem seus colegas e montem editorias de checagem de fatos em suas redações.

De acordo com Oputa, o Dubawa adota um processo de cinco etapas para verificação de fatos, que é mostrado abaixo:

  • Identifique uma declaração: Os editores examinam sugestões para verificação de fatos com base nas sugestões do leitor/cidadão ou nas escolhas feitas pelos membros da equipe.
  • Atribue a verificação: uma vez que a alegação tenha sido determinada, ela é atribuída a uma pessoa com a experiência certa para pesquisá-la.
  • Verifique os fatos: O pesquisador designado usa ferramentas e processos para verificar a autenticidade da declaração, guiada pelo mecanismo de avaliação de cinco camadas do Dubawa. O mecanismo estabelece quais tipos de fontes são confiáveis.
  • Escreva: Armado com informações suficientes, o membro da equipe escreve sobre a checagem de fatos, incluindo contexto, clareza e transparência no processo de escrita.
  • Edite com ceticismo: Este é um processo bidirecional, em que o editor assistente "checa as verificações de fatos". Depois, a matéria será enviada ao editor para revisão final e postada no site.

Este processo, no entanto, nem sempre funciona. O acesso a informações e documentos públicos do governo, apesar da Lei de Liberdade de Informação (FOI, em inglês), aprovada em 2011, dificulta o trabalho da organização.

“Há tantas alegações que queremos verificar que simplesmente não conseguimos, porque não há informações disponíveis publicamente e a entidade governamental responsável se recusa a responder aos pedidos de FOI”, disse Oputa. “Nesses casos, tentamos produzir o que chamamos de 'artigos de checagem de fatos' que não têm veredito ou conclusão, mas explicam por que uma determinada reivindicação pode ou não ser verdadeira.”


Esta é a continuação da série, "Fact-checking ao redor do mundo", que destaca organizações que lutam contra a desinformação em todo o mundo. Você também pode ler sobre os fact-checkers na Bósnia-Herzegovina, Wafana na Alemanha, Faktograf na Croácia, ZimFact no Zimbábue, Chequeado na Argentina, Africa Check e Colombiacheck

Imagem sob licença CC Unsplash via Tim Mossholder