Fact-checking ao redor do mundo: ZimFact do Zimbábue

porLungelo Ndhlovu
Jun 20 em Fact-checking e verificação

Esta é a sexta parte da nossa série, "Fact-Checking ao redor do mundo", que destaca organizações que lutam contra a desinformação em todo o mundo. Leia sobre o restante da série aqui.

Seguindo o modelo de organizações maiores como PolitiFact e Africa Check, a primeira organização nacional online de verificação de fatos do Zimbábue, ZimFact, foi criado para reduzir a circulação de informações falsas em plataformas de mídia como resultado do uso generalizado de redes sociais como WhatsApp, Facebook e Twitter.

O ZimFact foi lançado oficialmente em 16 de março de 2018, em meio à polarização da mídia e turbulências políticas, e antes das eleições gerais de 2018 marcadas para 30 de julho. O site desempenha um papel fiscalizador das notícias e informações para que o público em geral receba informações verificadas em meio a um aumento de propaganda e desinformação.

“A formação da organização foi motivada pela percepção de que consumidores em todo o mundo lutam para separar fatos de ficção a partir de plataformas de mídia que às vezes são displicentes em relação aos fatos e à verdade. A missão da organização é ajudar a mídia a fornecer notícias precisas, justas e equilibradas”, disse Cris Chinaka, editor-chefe da organização.

“Somos parte de uma rede internacional de verificadores de fatos, a International Fact Checkers Network (IFCN). Nós seguimos os princípios de não-partidarismo, justiça, transparência de fontes, abertura e correções honestas”, disse Cris.

O ZimFact tem uma pequena equipe editorial de dois jornalistas profissionais e um pesquisador. A equipe se esforça para verificar as declarações políticas em um país onde as falsidades são comuns.

“Os políticos se infiltraram na mídia para tentar influenciar como a mídia retrata eventos. Isso afetou a mídia, especialmente os jovens jornalistas”, disse o veterano jornalista Tapfuma Machakaire, que tem 36 anos de experiência em jornalismo impresso e de radiodifusão.

"Aqueles que não tiveram a chance de operar sob o antigo sistema de mídia são facilmente infiltrados pelos políticos e forçados a acreditar que a mídia pertence a um certo indivíduo, da esquerda ou da direita", disse Tapfuma. “Esta é uma crença que agora está dominando a atual prática midiática no Zimbábue. Temos novos jovens jornalistas que pensam que, se você começa no ofício, deve ser solidário com o sistema no governo ou na oposição. Ao fazer isso, você compromete seu profissionalismo, ética, objetividade, equilíbrio, justiça e precisão.”

De acordo com um relatório de 2005 do pesquisador de mídia Wallace Chuma, o ambiente da mídia na pós-independência do Zimbábue tem sido um reflexo verdadeiro da sociedade em que opera. Wallace alega que a mídia pós-independência foi moldada e moldou as contestações em mudança nos centros de poder durante a segunda e terceira décadas de independência.

O Painel de Inquérito de Informação e Mídia descobriu que a mídia do Zimbábue, desde o final dos anos 90, espelhava o ambiente polarizado no Zimbábue. O painel indicou que a mídia estatal apoia o governo, enquanto a mídia privada faz o oposto.

Segundo Njabulo Ncube, coordenador nacional do Fórum Nacional de Editores do Zimbábue (Zinef) e o ZimFact, “a mídia privada ou estatal tende a selecionar informações que apoiam e aderem a suas crenças ou opiniões, espalhando informações erradas.”

As democracias liberais estão sendo testadas em todo o mundo pela rápida difusão de informações enganosas ou falsas destinadas a influenciar os eleitores. Isso aconteceu na França, Estados, Reino Unido e Catalunha.

“O ZimFact verifica declarações de fatos e checagens de funcionários públicos sobre vários assuntos que incluem política, gênero, finanças e meio ambiente, entre outros”, disse Cris. "A organização emprega a abordagem de colegas, onde contratamos colegas jornalistas para checar colegas e declarações feitas por funcionários públicos."

Os funcionários em tempo integral do ZimFact contam com o apoio de consultores, correspondentes e freelancers. A plataforma também procura apoio de outros geradores de informação e conhecimento, como universidades e instituições de pesquisa.

“A checagem de fatos é uma prática complicada, [mas] treinamos 16 jornalistas e produzimos 30 artigos até agora”, disse Cris.

Njabulo, que tem 22 anos de experiência em jornalismo, disse que o ZimFact foi formado como resultado da conscientização dos profissionais de mídia sobre suas fraquezas, que precisam ser mantidas em cheque.

“Como guardiões, estamos conscientes das [nossas] próprias deficiências, particularmente em relação ao pouco profissionalismo e à conduta antiética de alguns entre nós”, disse Njabulo.

A plataforma de checagem de fatos derrubou vários artigos enganosos, principalmente por políticos e meios de comunicação públicos e privados. Um caso em questão envolveu desmascarar o mito de que US$15 bilhões em diamantes desapareceram dos campos de diamantes de Marange, como afirma o ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe.

"Em essência, o ZimFact é um novo conceito no Zimbábue", disse Ncube. "[Surgiu] 10 anos depois, em comparação com outras democracias na África, como a África do Sul, a Nigéria e outros lugares da Europa, como o Reino Unido e os Estados Unidos."

Lungelo Ndhlovu é um jornalista vencedor de vários prêmios, com interesse em mudanças climáticas, operações de mídia e comunicação para o desenvolvimento, baseado em Bulawayo, Zimbábue.

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