Coletivo de mulheres jornalistas na África se concentra em histórias pouco contadas

por Florence Freeman
Apr 17, 2021 em Diversidade
Grupo de mulheres da equipe AWJP posam para foto em um jardim de um prédio

Quando o Projeto de Jornalismo de Mulheres da África (AWJP, em inglês) foi lançado em julho passado, buscava dar a jornalistas mulheres na África Oriental e Ocidental o conhecimento, as habilidades e o apoio para garantir que histórias pouco reportadas não fossem ignoradas.

A diretora do projeto, Catherine Gicheru, jornalista veterana e bolsista Knight do ICFJ, viu o impacto que a pandemia estava tendo na região. As jornalistas foram as primeiras a serem afetadas pelos cortes na redação e, como resultado, acabaram trabalhando meio período ou foram dispensadas.

A consequência dessas demissões foi que histórias importantes foram deixadas de lado — histórias que as mulheres geralmente estão em melhor posição para explorar. Isso inclui tópicos como saúde sexual, fístula obstétrica (uma condição médica relacionada ao parto) e mutilação genital feminina (MGF). “É improvável que uma mulher fale sobre [essas questões] com um homem”, disse Gicheru em um podcast do Journalism.co.uk. "Existe esse acesso. Podemos falar sobre essas questões porque podemos ser mais empáticas e, portanto, mais acessíveis para conversar."

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O AWJP trabalha com mulheres jornalistas em cinco países diferentes: Quênia, Gana, Nigéria, Uganda e Tanzânia. Como um esquema piloto, essas áreas foram selecionadas por serem países de língua inglesa com problemas comuns. Por exemplo, durante a pandemia, os mercados ao ar livre tiveram que fechar, deixando os agricultores sem uma fonte de renda.

O projeto é financiado por subsídios através do ICFJ e pretende ser um coletivo de mídia muito mais amplo de mulheres jornalistas africanas. O AWJP tem uma equipe de jornalistas experientes para atuar como mentores [para jornalistas que recebem bolsas de reportagem, orientação prática e novas habilidades] para levar de volta às suas redações. Todas as matérias são publicadas no site principal da AWJP.

“Esperamos capacitá-las e ajudá-las a crescer na profissão em suas redações, e também ajudar a trazer inovações na redação”, disse Gicheru. “O foco principal é buscar novas maneiras de cobrir questões que não estão sendo reportadas e questões subnotificadas que envolvem mulheres e outras comunidades marginalizadas.”

Até agora, a mentoria tem se mostrado crucial ao tentar cobrir as nuances de tópicos complicados como a MGF, onde atitudes e discussões variam entre os países. Também ajudou quando foi necessário aventurar-se no campo. Jornalistas experientes podem aconselhar sobre como entrevistar de maneira profissional e segura durante a pandemia.

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"Quando você aborda uma fonte para uma entrevista, como explica por que está usando máscaras sem constrangir a pessoa ou fazer com que ela sinta que você tem medo de falar com ela?" indagou Gicheru. "Apenas diga que você está sendo muito cuidadosa e que encontrou muitas pessoas hoje. Diga que você está protegendo ela de você porque você pode ser portadora."

A pandemia de coronavírus não tem sido fácil para o jornalismo da região. Mas Gicheru encontrou alguma luz de esperança por causa da forma como as jornalistas responderam.

"Muitas mulheres descobriram novas maneiras de usar novas mídias ou usar o espaço digital [para] continuar escrevendo e fazendo podcasts. Elas podem ter perdido seus empregos, mas não pararam de tentar ver como podem amplificar suas vozes nesses espaços", disse ela.

"A outra coisa que fez foi forçar as redações a pensar realmente seriamente sobre como se tornar sustentáveis ​​e pensar em novas formas de monetizar seu conteúdo. Foi uma conversa que estava acontecendo, mas não com a urgência que estou vendo agora."


Este artigo foi publicado originalmente pelo Journalism.co.uk e é reproduzido na IJNet com permissão.

Catherine Gicheru é uma bolsista Knight do ICFJ que se concentra em narrativas inovadoras, jornalismo investigativo, checagem de fatos e reportagens internacionais sobre questões pouco reportadas. Ela mora em Nairóbi, Quênia.

Imagem principal: A diretora Catherine Gicheru e as jornalistas quenianas da AWJP se encontram no Dia Internacional da Mulher para discutir sobre como lidar com o assédio sexual na mídia. Cortesia de Naima Mungai, gerente do programa AWJP.