Tudo que os freelancers gostariam que os editores soubessem

por Andy Hirschfeld
Jul 13, 2021 em Freelance
mesa com computador, caneca e vaso de planta

Na posição de freelancer, é bem mais produtivo quando o editor ou veículo de comunicação têm um guia para sugestão de pautas. Facilita muito ter ajuda de como adaptar nossas pautas, estilo do texto e cronologia para a publicação.

Infelizmente, não há um manual para ajudar editores a trabalhar com a crescente quantidade de talentosos jornalistas freelancers no mercado. 

Pois aqui está um guia para editores sobre como evitar gafes e também o que os freelancers valorizam no trabalho com editores.

Seja claro sobre o seu estilo de edição

Isso pode parecer óbvio, mas freelancers de carreira trabalham com uma ampla variedade de editores. Enquanto uns podem gostar de um rascunho impecável que só precisa de uma rápida olhada antes da publicação, outros podem não trabalhar desse jeito. Alguns gostam de opinar ativamente e passar por diversas rodadas de edição.

A maioria dos freelancers de carreira trabalham com uma combinação dos dois. Não suponha que um dos tipos é o mais comum. Como em qualquer ambiente profissional, o fluxo de trabalho é um elemento da cultura organizacional, o que pode ser drasticamente diferente dependendo da publicação. "Seja transparente sobre o escopo do projeto e quantas rodadas de edição você acha que vão ser necessárias", diz Sonia Weiser, autora da newsletter Opportunities of The Week.

Eu frequentemente pergunto de antemão ao editor com quem vou trabalhar como ele prefere trabalhar. O que ele espera de um rascunho? Ele quer ver algo o mais próximo possível de algo pronto ou prefere uma estrutura na qual podemos trabalhar juntos?

Não repasse sugestões de pauta de freelancers

Não pegue a sugestão de pauta de um freelancer e repasse-a para um repórter da redação ou para outro freelancer. Isso também é igualmente óbvio, mas acontece, felizmente menos do que antes porque, é claro, as pessoas comentam. Aconteceu comigo três vezes, todas em publicações pertencentes à mesma empresa. Fazer uma pré-apuração e organizar tudo em uma pauta leva tempo — tempo pelo qual a gente pode ou não ser compensado. 

Por favor, não publique no Twitter sugestões de pauta ou mensagens de cunho profissional. Você pode achar que a nossa sugestão ou abordagem é bizarra, mas nem todo mundo vai pensar o mesmo. Ao tuitar uma ideia, você pode estar, sem querer, dando nossa ideia para outra pessoa.  

 

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Aprove o título com o freelancer

É importante que a reportagem represente adequadamente o fato, especialmente no que diz respeito à escolha do título.

"Deixe o freelancer ver o título antes da publicação", diz Weiser. "Porque às vezes o título não capta a verdadeira essência da matéria, é enganoso e o freelancer fica insatisfeito com a maneira como sua matéria é promovida."

Seja claro sobre os prazos

Ser freelancer frequentemente é um trabalho de tempo integral. Nem sempre é um trabalho paralelo — na verdade, na maioria das vezes não é. Não é uma novidade. Por favor, respeite nosso tempo e energia da mesma maneira que você espera que a gente respeite o seu.

É preciso tempo para preparar uma sugestão de pauta. Freelancers preferem que você dê um retorno rápido sobre elas, principalmente se elas são datadas. Mandar um "não" seco pode ser decepcionante, mas permite que a gente possa enviar a sugestão para outra publicação enquanto ainda é tempo.

Uma vez que a pauta aprovada começou a ser produzida, seja transparente e claro sobre os prazos. Se uma matéria é mais fria e precisa esperar uns dias mais por causa das notícias de última hora, faz parte do trabalho. Mantenha o freelancer informado. 

"Se as coisas estão mudando, mande um email com uma atualização. Tem uns editores ótimos com quem eu amo trabalhar e que estão me devendo uma resposta, mas no meio tempo mandam um email dizendo 'oi, não posso cuidar disso agora, mas vou dar uma olhada na próxima semana'", conta a jornalista freelancer Shivani Persad. "Tudo bem se as coisas mudarem. Tudo bem se o deadline muda. Temos que ser flexíveis, mas não somos adivinhos. Nós não estamos na empresa, onde usam um canal no Slack."

Tenha em mente que uma matéria não diz respeito somente ao jornalista ou ao trabalho feito por ele. Diz respeito também às fontes entrevistadas, que gentilmente tiraram um tempo para falar, e em alguns casos se abriram sobre algo traumático. Persad recentemente escreveu uma matéria como gancho de um evento que teve grande repercussão na mídia e que exigiu que as fontes falassem sobre uma experiência de vulnerabilidade. O texto ainda não foi publicado e não há uma indicação clara de quando vai ser.

 

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Pague os freelancers de maneira justa, mesmo se você não publicar a matéria

O fato de as edições não estarem de acordo com o que você gostaria não significa que você não deva seguir adiante com a matéria. Eu recentemente escrevi um texto que foi rejeitado, e não recebi nenhum pagamento depois de um mês de trabalho porque o editor sugeriu que a matéria precisava de mais edições do que ele era capaz de fazer. Recusar-se a pagar pelo trabalho e tempo gasto não seria aceito em outras áreas. O jornalismo não deve ser a exceção. 

Assim como um salário, negociar um preço é uma arte. É uma troca entre o freelancer e o editor. A ideia de uma taxa fixa é bem auto-explicativa. Pessoalmente, eu prefiro assim. É muito mais fácil estimar a minha renda desse jeito. Porém, outras pessoas não pensam desse jeito e são mais abertas ao pagamento por quantidade de palavras. 

Cortar palavras às vezes pode simplesmente significar cortar custos ao invés de eliminar banalidades. Editores deveriam se certificar de explicar porque pagam o que pagam.

"Recentemente uma publicação digital pediu que eu escrevesse um texto de 600 palavras — mas queriam que eu incluísse duas fontes e o assunto era complicado demais para um tamanho desses", conta Brittany Robinson, autora da newsletter One More Question. "Agora eu suspeito que a quantidade de palavras era baseada somente na possibilidade de eles alegarem que pagam US$ 0,50 por palavra, o que não é uma tarifa boa, considerando que você passou horas tentando elaborar um texto que deveria na verdade ser de 1.500 [palavras]. Eu entendo que muitas vezes há razões importantes para determinar a quantidade de palavras, mas ajuda muito se um editor for transparente sobre isso."

Consistência no processo de pagamento também é importante. Pague pontualmente e preste atenção no cronograma de pagamento. E o mais importante, seja claro sobre quanto você paga. Fazendo coro com o que a autora da newsletter Opportunities of the Week sempre tuíta, por favor compartilhe os valores que você paga.  


Andy Hirschfeld é repórter em Nova York com foco em questões sobre custo de vida. Ele escreve para publicações como Al Jazeera English, Observer, OZY, Salon, CNBC e muitas outras. Ele é também o âncora do Business Brief, programa sobre negócios transmitido nacionalmente.

Foto por Georgie Cobbs no Unsplash