Nove dicas para criar uma animação de jornalismo de dados

por Simon Rogers
Mar 12, 2014 em Jornalismo de dados

Este vídeo é o mais recente projeto que fiz com a portuguesa Mariana Santos, jornalista visual e bolsista do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ. Foi publicado no final da semana passada para o Dia Internacional da Mulher - cujo tema este ano foi desigualdade. Decidimos nos concentrar em algumas das razões pelas quais, mesmo em 2014, as mulheres ainda estão perdendo.

Mariana e eu fizemos algumas animações deste tipo e ainda estamos trabalhando juntos sobre a forma de torná-las perfeitas. Eu amo o estilo visual de Mariana e suas animações são muitas vezes espirituosas de uma forma que nem imaginava na preparação dos roteiros.

Temos um bom método agora: em primeiro lugar, nós trabalhamos juntos em uma ideia que nós dois gostamos. Então eu reúno os dados e crio o roteiro (em formato de planilha, naturalmente), enquanto Mariana concebe e executa algumas coisas realmente complicadas (muitas vezes com prazos super apertados). É uma parceria: Mariana, depois de ver o roteiro pela primeira vez, sempre volta para mim com perguntas muito astutas sobre os dados ou sobre coisas que eu posso ter perdido. Ela também tem um senso inato sobre o que pode tomar muito tempo e como deve ser.

Então, aqui está o que eu aprendi sobre escrever roteiros para animações de dados até o momento:

  • Os dados são a parte fácil que demora menos tempo --certifique-se de dar espaço suficiente para que o animador possa fazer seu trabalho sem ter que se apressar. Eu queria dizer que sempre fizemos isso, mas não é verdade.
  • Você tem que ser seletivo --não precisa de muitos dados para encher dois minutos. Nossa primeira animação, 99 percent v. the 1 percent, ainda é a minha favorita, mas se tivéssemos que fazer isso de novo, eu teria cortado um pouco dos dados para torná-la mais curta.
  • Por um lado, escrever um script é um pouco como fazer uma grande apresentação: não use palavras demais. Você não tem que explicar tudinho sobre os dados se é isso o que a imagem está fazendo. Caso contrário, você acaba como um desses slides de PowerPoint em que alguém escreveu tudo o que está dizendo bem na sua frente.
  • Forneça dados suficientes para animar de forma que ajude a contar a história, mas não tanto que fique demais da conta. Eu tendo a fornecer uma tabela de, digamos, uma lista de países, mas escolho os que devem ser incluídos (isso também se aplica à forma como eu geralmente trabalho com artistas gráficos --certifique-se de que todos têm as informações, mas ajude a escolher os pontos-chave).
  • Você não está escrevendo um artigo --leia o roteiro em voz alta para ver como soa antes de enviar.
  • Tente obter o que for possível com antecedência --não é bom ter uma ideia genial quando o vídeo final está sendo processado (que pode levar horas, por sinal) .
  • Organize a música tão cedo quanto possível --sempre é uma das tarefas mais difíceis. Leva uma eternidade chegar a um acordo sobre o que consegue o tom certo e temos bibliotecas de música para escolher.
  • E nesse assunto, pense em quem vai fazer a sua narração --usamos minha colega Shavone Charles .
  • Confie no animador e designer --provavelmente eles sabem muito mais do que você.

O que é muito legal sobre o jornalismo de dados é que você nunca deixa de aprender. Eu ainda estou aprendendo como fazer isso .

O roteiro do vídeo acima pode ser visto neste link, onde você obter os dados por trás dele e fontes completas.

  1. Há 865 milhões mulheres em todo o mundo que têm o potencial de contribuir mais para as suas economias nacionais. Um total de 812 milhões delas vive em países emergentes e em desenvolvimento. A diferença entre homens e mulheres capazes de trabalhar é a diferença entre os sexos. Na próxima década, esse número de 865 milhões mulheres vai crescer para um bilhão.
  2. É diferente em todo o mundo. Alguns países são mais iguais do que outros.
  3. Se você olhar para a diferença entre homens e mulheres trabalhadores que trabalham, há um fosso mesmo em algumas das economias mais desenvolvidas do planeta.
  4. Neste momento, as mulheres gastam o dobro do tempo no trabalho doméstico que os homens e quatro vezes mais tempo cuidando de crianças.
  5. E, agora, mesmo entre as economias mais desenvolvidas do mundo, há uma diferença média de 15 por cento entre o que homens e mulheres ganham.
  6. Um terço desse fosso salarial é devido ao que o FMI chama de "segregação ocupacional e redução do horário de trabalho" que as mulheres sofrem: isso conhecido como 'discriminação' entre você e eu.
  7. Quando as mulheres são mais jovens, a diferença salarial é pequena. Mas ela cresce vertiginosamente quando têm filhos. Esta é a "penalidade maternidade" --esse número estima-se em 14 por cento em todos os países da OCDE.
  8. A proporção de mulheres CEOs em 500 empresas da Standard & Poor é de 4 por cento.
  9. Em 27 países da UE, apenas 25 por cento dos proprietários de negócios com empregados são do sexo feminino.
  10. Mulheres foram atingidas mais duramente pela recessão mais recente do que homens. Em 2011, o desemprego feminino nos Estados Unidos continuou a aumentar, assim como o desemprego masculino diminuiu.
  11. Nós estamos prejudicando a nós mesmos. Só o fato de ter tanto mulheres como homens no mercado de trabalho já pode melhorar economia, aumentando o PIB.
  12. Apenas 20 por cento dos assentos parlamentares nacionais em todo o mundo são ocupados por mulheres. Metade da população do mundo são mulheres. Mas apenas uma em cada cinco tem representação .

Simon Rogers, editor de dados no Twitter, é um jornalista de dados, escritor e palestrante. Ele é autor do livro e "Facts are Sacred: the Power of Data" e criador Guardian​ Datablog.

Este post originalmente apareceu no blog de Rogers e é reproduzido na IJNet com a permissão do autor.

Imagem: Captura de tela do vídeo