Jornalista do mês: Nehal El-Sherif

porTaylor Mulcahey
Jan 25, 2018 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma biografia curta e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

A jornalista egípcia Nehal El-Sherif já teve quase todas posições no jornalismo, tendo trabalhado nas diferentes facetas da produção de notícias, da tradução e layout para a reportagem de rua durante as manifestações da "Primavera Árabe".

"Comecei na imprensa escrita, depois [fui para] uma agência de notícias e às vezes tirava fotos se estivesse trabalhando em uma matéria", disse ela. "Durante o meu mestrado, também aprendi áudio e podcasting, então eu posso dizer que fiz de tudo."

Depois de se formar pela Universidade do Cairo, Nehal estagiou como tradutora no Egyptian Gazette. Ela percebeu que queria estar mais envolvida na produção das notícias, não na tradução.

Nehal finalmente se juntou à Agência de Imprensa Alemã (DPA, em alemão) no Cairo como correspondente do Oriente Médio. Quando os protestos árabes começaram em 2011, ela se juntou a seus colegas e começou a cobrir as manifestações e a entrevistar pessoas nas ruas.

Hoje, ela continua a se concentrar em relações internacionais e política do Oriente Médio, incluindo a guerra civil na Líbia. Ela disse que gosta de cobrir histórias relacionadas a questões da mulher quando ela tem a chance de se afastar da cobertura política e econômica.

Uma seguidora de longa data da IJNet, Nehal usou o site para encontrar um curso sobre justiça internacional em 2012 em Haia. Em 2017, ela recebeu o Prêmio de Mídia Lorenzo Natali por "Um negócio construído com migalhas", um episódio de podcast que cobre as práticas de poupança usadas por algumas mulheres egípcias-- outra oportunidade que descobriu na IJNet.

Nehal possui um mestrado do programa Erasmus Mundus em jornalismo, mídia e globalização. Ela continua trabalhando para a DPA e vai se mudar para Amã, na Jordânia, nos próximos meses. Ela conversou com a IJNet sobre seu trabalho, desafios de reportagem e conselhos para jovens jornalistas. 

IJNet: Conte sobre o podcast "Um negócio contruído com migalhas":

Nehal El-Sherif: Eu realmente gosto de trabalhar com temas que têm a ver com a mulher em geral, sua capacitação econômica ou capacitação social. Há muita frustração no Egito em que muitas pessoas queriam ver algo diferente, mas ou não está acontecendo nada para elas ou está acontecendo lentamente. Este projeto é sobre esses grupos de mulheres: é um tipo de poupança muito tradicional mas, que, com a ajuda de ONGs, também oferece empréstimos a mulheres para iniciar seus negócios. Para mim, isso foi realmente interessante porque não era apenas um press release comum. Conheci as mulheres e elas eram super felizes e animadas. Você pode sentir que esse programa é realmente genuíno para elas. Não é mais um press release que estamos fazendo. Elas estão mudando suas vidas em uma escala muito pequena.

Qual foi um dos maiores desafios em sua carreira?

Como eu disse, estou realmente interessada em coisas que têm a ver com mulheres e iniciativas femininas. No Egito, o assédio sexual é realmente um grande problema. Cobri a história de diferentes perspectivas ao longo dos anos, e até mesmo fiz uma matéria na Jordânia também relacionada à violência sexual ou violência de gênero. Um dos desafios para mim é tentar ser objetiva ou tentar me distanciar da história porque sinto que essa [história] realmente precisa ser dita. Às vezes eu escrevo a matéria, então deixo-a de lado por algumas horas ou dias, então volto e tento me certificar de que não faço parte disso de alguma forma.

Quando você estava cobrindo a violência durante as revoltas ou as eleições da Líbia e se encontrou em situações inseguras, o que aprendeu com essas experiências?

Eu aprendi que primeiro preciso ter certeza de que conheço o ambiente muito bem. Talvez eu tenha sorte, porque no início, no Egito, quando fui a protestos ou à praça de Tahrir ou a hospitais, foi por acaso, mas havia uma repórter mais experiente da empresa [comigo]. Vi como ela reagia... como ela observava os arredores e como ela de repente tomava uma decisão: "Ok, precisamos sair agora, conhecemos pessoas, conseguimos declarações suficientes", daí você sai. Se você acha que tem uma boa história, é melhor sair em vez de se colocar em risco.

Também estar ciente de seus arredores e das pessoas também. Nesta região, as coisas têm sido turbulentas nos últimos anos, e as pessoas perderam a confiança na mídia várias vezes. Às vezes [pensam] somos todos apenas espiões e não devemos estar lá. É bom ter consciência de como as pessoas estão olhando para você, como estão respondendo e se alguém se comporta de maneira estranha ou alguém está bloqueando a porta [por exemplo]. Eu acho que acabei de aprender [essas coisas] estando junto com colegas e tentando não me arriscar.

Que conselho daria a um jovem jornalista?

Concorra a qualquer oportunidade que você encontrar e acreditar que combina com você. Às vezes, é frustrante quando você percebe que seu e-mail está cheio de rejeições, mas ser aceito em um workshop pode fazer uma diferença grande. Duas vezes eu recebi o e-mail "Lamentamos informá-la", mas, algumas semanas depois, fui aceita para participar dos cursos porque fiquei na lista de espera e outros jornalistas disseram que não poderiam participar. A competição Lorenzo Natali em 2017 foi o terceiro ano que eu me inscrevi.

Imagem cortesia de Nehal El-Sherif