Jornalista demitida por causa de tuite diz que jornalistas precisam de proteção da fogueira na mídia social

porNatasha Tynes
Feb 17, 2012 em Diversos

As mídias sociais são fáceis de usar, mas tuites e atualizações rápidas podem ser perigosos para jornalistas que querem manter seus empregos.

Em uma era em que jornalistas são demitidos por causa de mídias sociais, a ex-correspondente da CNN, Octavia Nasr disse à IJNet em uma entrevista que funcionários devem se sujeitar aos padrões e práticas da empresa, mas a empresa não deve culpá-los pela publicidade negativa que suas atividades na mídia social podem gerar.

Em 2010, um tuite opinativo de Nasr, escrito de sua conta na CNN sobre a morte do líder do Hezbollah, Sayyed Mohammed Hussein Fadlallah, acabou com sua carreira de 20 anos na CNN.

Embora a mídia social tenha levado a sua demissão, Nasr continuar a tuitar. Pouco depois de ter saído da CNN, ela fundou a consultoria Bridges Media Consulting, especializada no gerenciamento de redação, treinamento de jornalismo e integração de mídia social.

Nasr, que disse que o marco mais importante para sua empresa é "realmente estar funcionando", falou sobre a controvérsia, bem como as armadilhas e possibilidades das mídias sociais para os jornalistas.

IJNet: O que você faria diferente hoje se fosse escrever que um tuite sobre Fadlallah?

Octavia Nasr: Eu não teria enviado o tuite. Não era um tuite importante para começar, no grande esquema das coisas. Estava de férias; não deveria estar pensando no trabalho ou enviar um tuite sobre Fadlallah ou sua relevância.

Se eu tivesse que tuitar, teria escrito que ele faleceu sem nenhuma informação extra. Deixaria as pessoas descobrirem por conta própria quem ele era e qual era o seu valor. Tentei colocar muita informação em 140 caracteres, enquanto a história precisava de muito contexto. Ao fazer isso, eu abri a porta para um grupo influente, pequeno mas poderoso e eficaz, que queria atacar a CNN através de mim.

IJNet: Como surgiu a controvérsia com a CNN mudou sua opinião sobre as mídias sociais e como aconselha seus clientes?

ON: Não mudou em nada. Muito pelo contrário, confirmou todas as coisas que eu já sabia e estava ensinando (e ainda ensino) a outras pessoas sobre mídias sociais. Tornei-me um exemplo vivo dos sucessos e perigos da mídia social.

O que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer pessoa em qualquer época. Não foi o que eu tuitei ou como tuitei; foi a reação ao meu tuite e resposta da CNN à reação que levou a minha saída da CNN. Esta é apenas uma desculpa que alguém pode usar a qualquer momento, e as pessoas precisam estar prontas para ela se usam as mídias sociais em nome do empregador ou qualquer outra entidade.

IJNet: As normas de mídia social para grandes organizações de mídia variam de muito restritivas a muito abertas. Qual é o equilíbrio certo?

ON: O equilíbrio é atuar em mídias sociais exatamente da mesma maneira que você faz na vida real, sabendo muito bem que seu tuite é um registro permanente. Use com moderação e não compartilhe informações desnecessárias que possam prejudicá-lo. Claro que extremos devem ser evitados a qualquer custo, mas a ampla área do meio é que me preocupa, e é onde a maioria dos usuários estão vulneráveis.

O problema não é o que você diz ou o que quer dizer, mas sim como as pessoas percebem, analisam e lidam com isso. Um comentário inocente que é atacado por uma grande organização ou grupo de repente vai soar "estúpido", mas, se ninguém reclama, vai passar sem incidentes. Por outro lado, uma ofensa grave pode passar despercebida e sem punição, porque ninguém se queixou sobre o assunto ou porque aqueles reclamando não tem força.

O ponto que eu gostaria de salientar para os empregadores é que eles devem fazer com que seus empregados sejam responsáveis ​​às normas e práticas da empresa, mas não ao nível de apoio ou condenação que seus tuites recebem. Nem todas as reclamações são justas e nem todos os elogios são garantidos. A empresa deve agir com base na sua política e de acordo com seu código de conduta e ética e não com base na reação ou protesto do público. Por outro lado, aos funcionários, gostaria de ressaltar que eles devem obter o compromisso do seu empregador, por escrito, que, no caso de controvérsia ou reclamação, o seu direito à investigação justa será preservado.

Sem um compromisso pré-estabelecido por parte do empregador de acompanhar e proteger os trabalhadores de astroturfing e publicidade negativa, o meu conselho para os funcionários é não usar a mídia social em nome do sua empregador, e ponto final.

Essa é a primeira parte da entrevista com Nasr. Você pode segui-la no Twitter e ler mais sobre a jornalista no site pessoal.