Fazendo freelance no exterior: Manila através dos olhos de Aurora Almendral

por Clothilde Goujard
Sep 16, 2018 em Freelance
Manila

"Fazendo freelance" é uma série da IJNet sobre as vidas de jornalistas freelance que se mudaram para o exterior. Confira o resto da série aqui

Quando Aurora Almendral se mudou para Manila em 2013, ela pensou que só ficaria por alguns meses. Cinco anos e muitas reportagens depois, a californiana fez da cidade sua casa.

Almendral havia trabalhado nas Nações Unidas e em uma startup de Nova York antes de ser recomendada para uma bolsa de jornalismo, que a introduziu para a profissão. No final da bolsa, ela se mudou para as Filipinas.

“Gostei da ideia de ser uma correspondente estrangeira e minha família é das Filipinas. Eu pensei em ir para as Filipinas por alguns meses para escrever algumas histórias”, disse ela.

Em novembro de 2013, Almendral estava se preparando para fazer as malas e voltar para a casa quando o tufão Haiyan --um dos mais fortes ciclones tropicais já registrado-- atingiu o país do sudeste asiático.

"Eu fui uma das poucas jornalistas que estava fazendo reportagens em campo para agências estrangeiras", disse ela. "Eu cobri o desastre nas cidades mais devastadas para a NPR."

Desde então, Almendral tornou-se colaboradora regular do New York Times e National Geographic Magazine e produtora da NBC News. Ela recebeu prêmios por seu trabalho, incluindo o prêmio regional Edward R. Murrow por um documentário de notícias de áudio em 2017 e o Prêmio Overseas Press Club of America para reportagens internacionais em 2018.

Um dos pontos fortes de Almendral é em ser fluente em tagalo, uma das línguas oficiais das Filipinas, que aprendeu quando criança, mas que não praticava há muitos anos.

“Quando aterrissei nas Filipinas, eu falava que nem um bebê”, disse ela. “Mas [a língua] estava em minha memória] em algum lugar, então me forcei a começar a falar e a ouvir muitas rádios locais.”

O outro idioma oficial do país é o inglês e, embora suas reportagem possam ser feitas em inglês, o tagalog permite que ela produza histórias mais ricas, afirmou Almendral.

"Algumas comunidades falam inglês melhor e outras não", disse ela. “[Em outros lugares] a maneira como eles usam a linguagem [muda]. Eles podem falar sobre conceitos como economia e política em inglês, mas quando se trata de insights sinceros e questões emocionais, se expressam melhor em tagalog.”

Enquanto a comunidade de jornalistas estrangeiros é pequena, Almendral sente que a conexão com outros jornalistas que trabalham no país é importante. A maioria das conexões acontece por meio do boca a boca, e Almendral recomendou que os recém-chegados tentem formar relacionamentos.

"Se você está pensando em se mudar para um país, comece a ler quem está fazendo o trabalho que você gosta e envie um e-mail para convidar para um café ou uma cerveja", disse ela.

Os jornalistas locais são especialmente úteis por ter uma noção da situação política no país.

“Há alguns problemas importantes com relação à violência contra jornalistas. No entanto, é [um problema] contido, por isso [os jornalistas] querem saber onde ocorrem”, disse ela. “Na maior parte, [a violência está] em lugares muito provincianos [contra] jornalistas locais que cobrem corrupção e abuso ambiental. É melhor não entrar [nessas comunidades] como jornalista internacional.”

No geral, Almendral descobriu que as Filipinas, especialmente Manila, são um lugar amistoso e excitante para quem quer cobrir as mudanças na dinâmica do sudeste asiático. A cidade é acessível para Almendral, já que ela trabalha para mídias americanas que a pagam em dólares.

“[Muitas pessoas] ficariam surpresas com o número de histórias nas Filipinas e como é fácil e gratificante cobrir o país, apesar de algumas coisas feias que estão acontecendo e da má reputação das Filipinas e de Manila,” ela disse.

Almendral também acrescentou que voar para outros países a partir de Manila é relativamente acessível e leva algumas horas apenas, facilitando a apuração de reportagens sobre outros países da região.


Imagem sob licença CC no Pixabay via TheDigitalWay