Como incluir o público nas decisões-chave jornalísticas podem aumentar o engajamento

porZainab Imam
Sep 7, 2016 em Diversos

Você é um repórter que queria poder saber antes de reportar uma história se vai ter relevância real para o seu público? A ex-jornalista Jennifer Brandel, agora CEO e fundadora do Hearken, sente sua dor e tem uma solução para você.

"Como repórter em Chicago, eu estava sempre correndo de uma história para outra e me perguntando se o que eu estava fazendo era realmente uma informação que a comunidade precisava", Jennifer disse.

E assim surgiu Hearken. Nas palavras de Jennifer, Hearken é uma nova abordagem para o jornalismo que coloca o público em primeiro lugar.

"Tradicionalmente, nas redações, o público entra em jogo depois de todas as decisões jornalísticas importantes terem sido feitas", disse ela. "Hearken leva o público para dentro do processo editorial no início e tem tecnologia de suporte para tornar mais fácil para os repórteres e editores obterem contribuição em pontos de decisão."

Hearken fornece a redações uma plataforma personalizada chamada de "Sistema de Gestão de Engajamento (EMS, em inglês)". O sistema ajuda redações a criarem um formulário onde os membros da comunidade podem fazer perguntas para repórteres cobrirem. Este é o "módulo de curiosidade". Membros da audiência também podem votar em perguntas feitas por outros (e com curadoria da redação) com o "módulo de votação". Através do "módulo de exibição de pergunta", redações podem apresentar questões que receberam, estão investigando ou responderam. Aqui está um exemplo de todos os três módulos em ação.

O público pode deixar informações de contato para receber alertas se a sua questão de interesse é escolhida. Em seguida, a comunidade sente-se investida na matéria desde o início e é, portanto, mais propensa a ler e compartilhar a reportagem quando for publicada, Jennifer explicou.

Mas como o EMS é diferente do Google Forms ou um produto similar?

"Nosso EMS é construído especificamente com os jornalistas em mente, com recursos para pesquisar e organizar perguntas e transformá-las em matérias", disse Jennifer. A redação pode personalizar o formulário para sua marca e o formulário alerta o público se uma questão é respondida ou recebe uma votação.

Além disso, os formulários podem ser diretamente ligados a ferramentas analíticas, como o Google Analytics e usados para manter o controle de potenciais assinantes de boletins informativos e outras comunicações. E, finalmente, o EMS atua como um local centralizado para as equipes editoriais e empreendedoras acompanharem o progresso.

O EMS em si é gerido pela redação, que pode escolher qual módulo usar. Mas a taxa de assinatura mensal também inclui acesso à equipe técnica de engajamento do Hearken. Redações clientes estão conectadas a jornalistas em todo o mundo usando o modelo do Hearken como parte de uma comunidade de melhores práticas sobre o engajamento do público e recebem relatórios trimestrais sobre como estão indo e como aprofundar o engajamento.

Até agora, Hearken trabalha com mais de 50 redações em oito países e o conjunto de ferramentas foi traduzido ao holandês, francês, finlandês, húngaro, português, russo, espanhol e sueco. Hearken traduz a plataforma para qualquer língua que um parceiro precise.

Seu próximo projeto é o “Interactive Reporter’s Notebook” ("Caderno do Repórter Interativo", em tradução livre) um cruzamento entre um blog e conta no Twitter.

"Às vezes, em uma matéria, você só consegue colocar 10 por cento da informação que encontrou ao longo do caminho por causa do limite de palavras, foco da história, etc. Esta é uma maneira de ativar o material que fica cortado", explicou Jennifer.

Todas estas coisas se somam a uma plataforma que não só escuta o público, mas integra-os no processo jornalístico de uma forma nunca antes vista, disse Jennifer.

"O objetivo do Hearken é melhorar a qualidade do engajamento antes de uma matéria ser publicada", disse Jennifer. "Nós vemos um mundo em que o jornalista é um canal para a comunidade fazer perguntas para as pessoas no poder. Nós reimaginamos um repórter de especialista isolado a um conector."

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Angelina Earley. Imagem secundária sob licença CC via MIKI Yoshihito.