Redações empregam novas táticas para conectar com público

porKunal Ranjan
May 11 em Miscellaneous

Os resultados da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos fizeram a mídia americana encarar uma dura realidade. Apesar de canais de notícias e jornais terem reportado sobre as eleições durante meses, o resultado foi um choque para eles. Assim, muitos seminários e conferências que participei após a eleição examinaram duas questões: O que deu errado na cobertura de pesquisas? Poderíamos ter feito algo de maneira diferente?

Embora uma resposta abrangente seja difícil, uma coisa é verdade: as redações precisam encontrar maneiras melhores de se conectarem com seus públicos-alvo. Aqui estão alguns dos melhores exemplos de projetos jornalísticos que solicitaram com sucesso o feedback do público e integraram esse feedback em suas matérias.

Electionland

Este projeto financiado pelo Google News Lab foi uma experiência social de coleta de notícias que aconteceu no dia da eleição presidencial dos EUA. Segundo o estudo de caso da ProPublica, o Electionland foi o "maior projeto de jornalismo colaborativo de um dia na história". O projeto reuniu 650 estudantes de jornalismo em 14 universidades para monitorar e verificar casos de supressão de eleitores. Usando as informações da linha direta do Electionland, mensagens de texto e mídias sociais, os estudantes forneceram idéias de matérias acionáveis que puderam ser usadas por mais de 400 jornalistas profissionais. Os alunos usaram Krzana e Dataminr para analisar postagens de mídia social e pesquisa de imagem inversa no Google para verificar fotos. A equipe do Electionland gerou 5.000 reportagens e 400 matérias no momento em que as pesquisas fecharam no dia 8 de novembro.

ProPublica e Virginian-Pilot

Em 2015, essas organizações se uniram para produzir uma série sobre os efeitos do Agente Laranja para a saúde. Ao contrário do método tradicional em que um repórter procura uma história e depois encontra fontes para apoiá-la, a ProPublica não começou com uma história em mente. Sua pesquisa de 35 perguntas visava veteranos, seus filhos e netos. Este enorme sucesso resultou em 6.000 respostas e produziu 32 histórias. Hoje, a ProPublica continua a fazer esse tipo de jornalismo. Através de sua seção Get Involved, a ProPublica pede ao público para participar de discussões, compartilhar dicas, enviar cartas e compartilhar histórias. Ao recapitular as lições aprendidas com o projeto sobre o Agente Laranja, Terry Parris, editor de engajamento da ProPublica, observou que "não é o tamanho da comunidade que importa. Trata-se de encontrar o caminho certo."

Grupo de Facebook "Your Money and Your Life" da NPR 

Numa altura em que a indústria de notícias mede o engajamento digital em cliques, curtidas e compartilhamentos, este grupo do Facebook mostra que existem muitas outras métricas para o sucesso quando se trata de engajamento do público. Com uma sociedade de mais de 29.000, a plataforma permite que as pessoas discutam suas questões financeiras e busquem conselhos de outros membros. "Com a iminente incerteza econômica, muitas pessoas querem planejar seu futuro e aposentadoria", disse Lori Todd, editora social da NPR. "Mas a maioria não sabe como começar a fazer melhores investimentos". Além de aprovar novos membros, os administradores têm um papel pequeno na gestão das atividades cotidianas da comunidade. A NPR ocasionalmente convida especialistas financeiros para discussões com os leitores e dá seguimento a história encontradas nessas discussões. 

David Fahrenthold do Washington Post

A mídia social é uma grande ferramenta de prestação de contas e colaboração para os jornalistas, como Fahrenthold demonstrou quando tuitou regularmente em suas investigações sobre as doações de Donald Trump para caridade durante sua campanha presidencial. Ele entrou em contato com mais de 450 organizações de caridade, perguntando se eles tinham recebido doações de Trump e compartilhou abertamente seu progresso na mídia social, ajudando a construir uma sensação de transparência com o seu público. Seus seguidores no Twitter também assumiram um papel ativo em sua investigação, ajudando-o a obter informações sobre as relações de caridade de Trump. Eles o ajudaram a localizar um retrato de US$10.000 de Trump em um de seus resorts. Em abril, Fahrenthold ganhou um Prêmio Pulitzer por sua reportagem sobre a filantropia de Trump. 

Curious City da WBEZ

Quem diz que a vida cotidiana não é digna de uma matéria? Este projeto convida o público a fazer perguntas de 140 caracteres sobre sua comunidade. As perguntas muitas vezes refletem a curiosidade das pessoas, por exemplo "Como é viver em uma casa que está bem ao lado dos trilhos do trem?" Os ouvintes votam em cada questão para julgar se a rádio deve investigar mais. As questões de sucesso são abordadas no ar. Jennifer Brandel, fundadora do projeto, acredita que as "perguntas" do público devem se tornar a "espinha dorsal do jornalismo". 

Clock Your Sleep da WNYC 

Os experimentos desta rádio com dados da comunidade são outro exemplo interessante. Através de seu aplicativo para celular, mais de 5.000 ouvintes se ofereceram para participar de uma pesquisa de 20 perguntas sobre seus hábitos de sono. Os dados da pesquisa ajudaram a rádio a produzir 28 matérias geradas pelos usuários da comunidade. No final deste projeto, a WNYC também realizou um pequeno concurso para aqueles que melhoraram seu sono durante o programa.

Estes são apenas alguns dos muitos modelos reproduzíveis que podem ser empregados pelas organizações de mídia para tornar as redações mais receptivas ao público. Fazer isso criaria uma ponte de confiança entre o público e os jornalistas. Mas talvez mais importante, abrir oportunidades para a participação do público criará muito mais ideias de pauta e gerará colaboradores e voluntários, ambos igualmente críticos para as redações sobreviverem na era de diminuição de receitas e incerteza política.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Hamza Butt