Quatro dicas para entrevistar pessoas que perderam um ente querido

por Lindsay Kalter
Nov 15, 2012 em Diversos

Repórteres com a tarefa de entrevistar pessoas de luto depois de uma tragédia devem usar um conjunto de habilidades que se estende além do básico da apuração de fatos.

Abordar uma fonte que perdeu um ente querido exige sensibilidade, tato e compaixão. Em um post recente no blog da Faculdade de Jornalismo da BBC, a professora Sarah Niblock oferece dicas para jornalistas sobre como conduzir as entrevistas. Ela usa exemplos de um clipe do programa BBC Radio 5 Live Breakfast em que a repórter Rachel Burden entrevista um pai sobre o desaparecimento de seu filho de 12 anos.

Aqui estão os pontos principais, segundo a IJNet:

Não forje uma identificação

Na entrevista, a repórter agradece ao pai, Stephen Barnes, por falar com ela em um momento traumático, mas não tem a pretensão de entender a sua dor. "Em nenhum momento ela cai na armadilha simplista de dizer que sabe como a família se sente: você não pode e seria grosseiro e hipócrita se envolver pessoalmente", Niblock escreveu. "Limites profissionais são apropriados, em vez de identificações falsas."

Seja paciente

Enquanto os repórteres podem querer preencher silêncios com perguntas, é importante deixar o entrevistado falar no seu ritmo desejado. "Burden deu tempo para Barnes falar, sem interrupções. Nunca apresse suas entrevistas quando alguém foi tão generoso de permitir que você fizesse parte de seu momento mais privado", disse Niblock. "Dê tempo para que as pessoas articulem seus sentimentos e agradeça-lhes por esse privilégio."

Não verifique detalhes de fatos

Por duas vezes, Nibock disse, "Burden pede ao pai para atuar como jornalista, em vez de entrevistado: 'Qual é a última notícia que tem para nós na busca de seu filho?' e 'Conte o que aconteceu no dia que ele desapareceu'". Em vez disso, segundo ela, Burden poderia ter pedido para descrever o filho em vez de perguntar fatos que podem estar disponíveis em outros lugares.

Evite a exploração

Antes de realizar uma entrevista, o jornalista deve pensar se esta acrescenta algo ou se tira proveito da pessoa enlutada. A entrevista de Burden, segundo Niblock, talvez não tenha sido justificada. "Se tivesse sido um jornal local, a entrevista poderia ter sido uma homenagem ao menino e servido como um meio público para a família dizer de uma vez por todas o que aconteceu e como se sentiu", disse Niblock. "Mas, no contexto da rádio nacional, serviu para 'interessar o público' em vez de servir o 'interesse público'."

Foto usada com licença CC de Emilio Labrador no Flickr