Quatro armadilhas a evitar em reportagens sobre ciência

porLindsay Kalter
Apr 18, 2013 em Temas especializados

Apesar de muitos jornalistas temerem cobrir assuntos como física e química, a importância da cobertura sobre medicina, meio ambiente e outras áreas científicas não pode ser negada.

Alguns jornalistas apenas tocam nos temas de maneira superficial ou mesmo evitam os assuntos de ciência, escreveu Peter Iglinski, assessor de imprensa de ciência da Universidade de Rochester, em uma recente post no Poynter Online. Aqui estão alguns erros comuns que ele identificou:

Sacrificar a precisão pela simplicidade

Um dos crimes mais comuns na cobertura de ciência é a tendência que os repórteres têm de simplificar material inerentemente complexo. É importante ir além dos conceitos superficiais, Iglinski disse. Não basta apresentar os resultados --gaste tempo para explicar a metodologia e as especificidades dos achados.

Se o seu editor está fazendo pressão por causa do fechamento e a matéria não está pronta, é melhor pedir uma extensão, ele recomendou, do que fazer uma matéria mal feita. "A ciência é algo complicado, se envolve partículas subatômicas, ou ligações químicas, ou reparo de DNA", Iglinski escreveu. "É sempre melhor ter tempo para escrever a matéria bem, do que se apressar por causa do fechamento do dia."

Alegar ignorância

É perfeitamente aceitável pedir a fontes explicações mais detalhadas, mas não comece a entrevistar um especialista sem fazer um pouco de dever de casa. "Agir como um burro não lhe ajuda em nada para terem confiança em você como um repórter de ciência", Iglinski escreveu. "Os jornalistas não utilizam essa abordagem em suas reportagens política e econômica, então por que fazer isso com a ciência?" Na mesma linha, não relate cada notícia sobre progressos científicos, como se fossem um grande avanço. Faça sua pesquisa e saiba a seriedade de cada achado.

Tropeçar nos padrões de escrita

Matérias de ciência podem ser técnicas e densas, mas os jornalistas devem se esforçar para manter um estilo de escrita envolvente. Escrever com precisão não significa necessariamente escrever friamente, de acordo com Iglinski. "O mundo da ciência está repleto de pesquisadores trabalhando em partículas que são uma fração do tamanho de um átomo e estudam distâncias cósmicas que são incompreensíveis para uma pessoa comum", escreveu ele. "Encontre a paixão e emoção da história e compartilhe."

E embora os repórteres devam certificar-se de incluir informação de contexto, é importante saber até onde ir. Se você ficar muito técnico, pode perder o seu público inteiramente.

Incluir pontos de vista falsos

Como jornalistas, somos ensinados a incluir todos os lados da história. Mas, às vezes, simplesmente não há um "outro lado". "Há pessoas que acreditam que o mundo é plano, que astronautas nunca pousaram na Lua e que Elvis ainda está vivo --mas poucos jornalistas considerariam incluir esses ângulos em suas histórias", Iglinski escreveu. Saiba que fatos são considerados legítimos pela comunidade científica e seja um defensor da ciência sólida.

Além disso, os jornalistas devem fazer sua lição de casa sobre fontes. Certifique-se de que os entrevistados sejam credíveis e que suas experiências correspondem ao assunto. "Um meteorologista não é o mesmo que um cientista do clima e até mesmo um físico de partículas renomado não é necessariamente um especialista em óptica quântica", observou Iglinksi.

Para ler o post original no Poynter (em inglês), clique aqui.

Foto usada com licença CC, cortesia de snre no Flickr

Poynter Online é parceiro da IJNet e site do Instituto Poynter, uma escola que trabalha para o jornalismo e a democracia há mais de 35 anos. O Poynter oferece notícias e treinamento que se adaptam a qualquer horário, com aulas individuais, seminários presenciais, cursos online, webinários e muito mais.