Previsões de jornalismo colaborativo para 2020

porDavid Maas
Dec 28, 2019 em Jornalismo colaborativo
Colaboração

O surgimento de grandes esforços de reportagem colaborativa entre redações foi um desenvolvimento significativo do jornalismo nos últimos cinco anos.

Em 2016, foi lançado o Panama Papers e, em 2017, o Paradise Papers — colaborações transfronteiriças internacionais, expondo os refúgios financeiros e as conexões de alguns dos mais ricos e poderosos do mundo. Aqui nos EUA, redações que trabalham juntas revelaram como a Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês) gasta seu dinheiro para exercer influência, reportaram sobre mobilidade econômica na Filadélfia e documentaram crimes de ódio em todo o país.

Na IJNet, este ano, publicamos nosso kit de ferramentas de jornalismo colaborativo, cheio de recursos especializados para jornalistas interessados ​​em seus realizar próprios projetos: grandes e pequenos. Também destacamos a Petrofraude, uma investigação colaborativa transfronteiriça que expôs a corrupção na América Latina; o Pangolin Reports, uma colaboração transnacional na Ásia e África que lança luz sobre o comércio ilícito de animais silvestres, e o Spotlight PA, uma redação de investigação colaborativa na Pensilvânia que foi lançada no segundo semestre do ano.

Conversamos com algumas das figuras de maior destaque do jornalismo colaborativo e perguntamos sobre suas previsões para 2020. Confira o que disseram aqui:

Rachel Glickhouse, gerente de parcerias da ProPublica:

O próximo ano será um ano crítico para parcerias de notícias. Entre a eleição [dos EUA] e o censo, é mais vital do que nunca que os jornalistas trabalhem juntos para servir o público. A ProPublica realizará o Electionland novamente, aproveitando as lições das duas iterações anteriores do projeto e o Documenting Hate, que termina este mês. Acho que veremos outras parcerias focadas nas eleições e no censo e colaborações entre a mídia nacional, local e étnica. Acho que mais jornalistas estão embarcando na ideia de trabalhar juntos, mesmo entre concorrentes, dado o sucesso do crescente número de colaborações nas redações.

Algo que vi expandir muito nos últimos anos são parcerias entre veículos locais, na mesma cidade ou estado. Espero ver mais essas colaborações, especialmente diante dos desafios que a mídia local está enfrentando. Eu adoraria ver projetos como o Resolve Philadelphia e Charlotte Journalism Collaborative reproduzidos em outras cidades, e espero que tenhamos mais fundos para garantir a longevidade das parcerias nas redações.

Sarah Gustavus, gerente regional da Solutions Journalism Network:

Em 2020, veremos mais colaboração entre organizações de notícias comunitárias e a mídia tradicional. Todos trazem pontos fortes e talentos únicos para projetos colaborativos. Trabalhar em conjunto para cobrir questões compartilhadas, como moradia, pode ajudar jornalistas a alcançar novos públicos e a superar as limitações de recursos em suas redações. Podemos produzir jornalismo ainda melhor juntos!

Patrick Böhler, editor-executivo do swissinfo.ch, o serviço internacional da emissora pública suíça:

Espere mais concorrência entre projetos colaborativos. Os líderes de redação começaram a perceber que têm muito a ganhar e não muito a perder: conteúdo, conhecimento e distribuição. Mais colaborações vão além do compartilhamento de informações para envolver também a produção e distribuição, e incluir mais cientistas e especialistas. Minha preocupação é com agentes maus: à medida que as colaborações se disseminam, crescem os incentivos para se infiltrarem e manipularem esses projetos.

Cassie Haynes, diretora co-executiva, e André Natta, editor de projeto, Broke in Philly:

Vamos ver benefícios contínuos do jornalismo colaborativo. As agências colaboram há muito tempo e agora vamos ver mais exemplos de como as redações se beneficiam do trabalho em conjunto e como isso leva a um melhor jornalismo. Também veremos organizações explorar novos tipos de colaborações no próximo ano, trabalhando juntas de maneiras que o setor não está acostumado.

Stefanie Murray, diretora, e Sarah Stonbely, diretora de pesquisa, Center for Cooperative Media

O jornalismo colaborativo se tornará uma prática ainda mais integral para a indústria em todo o mundo em 2020. Na busca contínua pela sustentabilidade econômica na era digital, a colaboração inteligente está provando ser uma das maneiras mais confiáveis para que os meios maximizem seus recursos e tenham uma impacto maior. No próximo ano, podemos esperar investigações colaborativas mais impactantes e iniciativas de verificação de fatos, com certeza, mas também é provável que vejamos mais colaborações em torno de notícias de última hora, que historicamente têm sido um dos tipos de histórias mais difíceis para as parcerias. Também esperamos ver um número maior de esforços de colaboração entre jornalistas e parceiros que não são noticiosos, como ONGs e organizações cívicas. As ferramentas e a tecnologia que apoiam a colaboração também estão se tornando cada vez mais sofisticadas.


Imagem sob licença CC no Unsplash via Brooke Cagle