Por que startups de notícias precisam de editores digitais

porChristopher Guess
Jan 25, 2016 em Jornalismo digital

Houve um boom de organizações de notícias ao longo dos últimos 10 anos. O advento da publicação digital deu lugar a startups que cobrem tudo, desde notícias gerais ao menor dos nichos que se pode imaginar. Durante anos, essas novas organizações tentaram seguir o modelo de seus irmãos mais velhos. Isso funciona, às vezes. Outras vezes, restrições orçamentais, inexperiência e pura praticidade sobrecarregam e prejudicam importantes decisões estruturais e de negócios.

O maior e mais frequente erro que eu vejo esses novos grupos fazerem é ignorar o papel crucial de um editor digital. Em uma publicação impressa, a ideia de que não há um designer da página e chefe de revisão deixaria um editor estupefato. Cada edição ter exatamente a mesma aparência, cada título, não importa o quão importante, ter o mesmo tamanho, largura e ajuste de espaço que o dia, semana ou mês anterior é patentemente absurdo.

Para novos meios digitais, porém, isso parece ser exclusivamente o caso.

A metodologia dominante de quase todos os site de notícias parece ser "definir o modelo e esquecê-lo". Cada hora, cada dia, cada mês e cada matéria parecem exatamente os mesmos. Mobile ou desktop, as matérias não se movem, o título de três colunas é sempre um título de três colunas, mesmo que presidentes sejam eleitos ou as coisas estejam literalmente explodindo.

Startups de notícias são muitas vezes feitas nas horas vagas, em caso de necessidade. Para iniciar uma organização de notícias é necessário coragem, tenacidade e, geralmente, um editor que acredita que pode fazer tudo, que é bom, porque geralmente tem que. Se o serviço recebe um público maior e contrata mais gente, a web geralmente é algo que simplesmente "acontece". O editor, conhecido por sua escrita, contrata mais escritores e torna-se um ciclo de autoexecução. Grandes designers de página não costumam começar centros de investigação.

Sites de notícias são quase indistinguíveis na sua concepção e isso tem que mudar. Se, digamos, homens armados impiedosamente matassem centenas de pessoas em uma grande metrópole, a maioria dos sites não tem sequer a capacidades técnica para alterar o layout rapidamente. E eles quase certamente não tem alguém cujo trabalho seria mesmo decidir quando mudar o layout.

Quando as novas organizações de mídia começam a fazer suas primeiras contratações e ir além do hype inicial, elas têm que ir além do modelo Wordpress inicial também. Se você estivesse começando uma nova revista, a sua terceira contração seria um designer da página. Se o seu produto é o site, deveria ser o mesmo para o editor digital.

As organizações da notícia devem ter alguém cuja especialidade e, mais importante, cujo trabalho seja tomar decisões em uma base diária sobre como a publicação online é vista. Na imprensa esta posição já existia pelo menos desde o final de 1800; e levar a variação digital para o trabalho do editor de notícias é uma maneira sólida de se certificar de que nada vai ser feito. Editores de notícias são sobrecarregados e mais preocupados com citações e precisão do que com os cabeçalhos das colunas e com razão. Isso não quer dizer que os editores não tenham a capacidade de tomar essa decisão; é que não deve ser o trabalho deles sequer pensar em coisas assim. Não ter um editor de páginas é suicídio em uma publicação impressa e não ter um editor digital não é muito diferente em uma publicação digital.

É claro que ser editor digital significa mais do que decidir o tamanho da coluna; afinal de contas, uma pessoa nessa posição é um editor de verdade. Ele ou ela personaliza matérias para várias plataformas reescrevendo descrições; gasta uma grande quantidade de tempo considerando manchetes específicas para cada plataforma; decide quando enviar notificações para os telefones de seus leitores; faz curadoria de links e pacotes de artigos dos arquivos, trazendo conteúdo relevante em conjunto de uma forma que faz com que a web seja muito melhor do que o produto impresso. Ver um site sempre em mudança e atualizado envolve os leitores e tem a vantagem de demonstrar para a equipe que o seu trabalho não desaparece no nada.

Algumas das grandes organizações fazem isso muito bem. O New York Times tem claramente um número de pessoas cujo único trabalho é decidir o que vai aonde em seu site em constante mudança e na suíte de aplicativos móveis. Os editores também se encarregam de reescrever e adicionar comentários curtos e engajantes sobre as notícias do dia (especialmente o app NYT Now, que é espetacular). Isto, eu sei, por experiência pessoal, incentiva as pessoas a realmente lerem as matérias e, muitas vezes, elas seguem para outras matéras para formar uma experiência mais coesa. O app de notícias do Buzzfeed também é um exemplo estelar desse mesmo conteúdo personalizado, editado por seres humanos.

Isso não quer dizer que você precise da mesma equipe, tempo ou dinheiro dessas grandes publicações para produzir resultados excelentes. Para a maioria das pequenas publicações, uma única pessoa (talvez uma pessoa de suporte a tempo parcial para fins de semana e feriados) pode facilmente lidar com a carga. Isso é feito dessa maneira há décadas em publicações impressas; pode (e deve) ser feito em meios digitais.

Imagem principal sob licença CC de Tom Garnett