Por que redações precisam de mais mulheres em cargos de tecnologia

por Jessica Weiss
Nov 18, 2013 em Diversos

Nas duas últimas décadas, a indústria de jornalismo teve que recorrer aos técnicos mais experientes do mundo para dar sentido ao impacto da explosão da tecnologia digital no negócio de notícias. Especialistas em códigos, programadores e cientistas de dados estão criando formas inovadoras de apurar, distribuir e pagar pela cobertura jornalística.

Mas a maioria dos técnicos e jornalistas de tecnologia agitando e mexendo nesse campo é homem.

Em parte, isso ocorre porque as mulheres estão sub-representadas na área de tecnologia em geral. As mulheres representam apenas um quarto da força de trabalho em tecnologia nos Estados Unidos e apenas 17 por cento na Inglaterra. Na África, onde as mulheres são a maior parte da população e metade da força de trabalho global, elas ocupam apenas cerca de 15 por cento dos postos de trabalho de tecnologia.

Veja por que a indústria de notícias precisa de mais mulheres em trabalhos de tecnologia:

Equipes diversificadas são equipes mais eficazes

Esqueça a imagem do repórter solitário. O jornalismo mais envolvente e interativo de hoje é criado por equipes.

Irene Ros, desenvolvedora de javascript de fonte aberta para o Bocoup em Boston, acredita em uma abordagem de equipe para a resolução de problemas, incluindo problemas com códigos. E, com base na sua experiência, quanto mais perspectivas e habilidades compõem uma equipe, melhor.

"Um grupo diversificado de pessoas traz um conjunto diversificado de opiniões e abordagens para qualquer tarefa", disse Ros à IJNet. "Quanto mais difícil a tarefa, mais o grupo irá se beneficiar com essa diversidade."

É um bom negócio

Ter uma força de trabalho diversificada é bom para o resultado e satisfação do cliente, diz ZeShaan Shamsi, recrutador sênior da BBC.

"Quando uma grande parte dos usuários de uma empresa ou clientes são do sexo feminino", diz Shamsi, "só faz sentido ter um demográfico equilibrado [na empresa] que cria e serve a eles."

Tecnologia é a próxima fronteira

Em 2013, a empresa mais valiosa no mundo é uma empresa de tecnologia: a Apple. Tecnologia não é apenas uma das indústrias que mais crescem no mundo --criando diretamente milhões de empregos-- mas é também um catalisador do desenvolvimento social e econômico. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, mais pessoas hoje têm acesso a um telefone celular do que a água ou rede elétrica limpa.

"Em vez de olhar para essas coisas como algo matemático, se você vê [tecnologia] como a próxima fronteira, as mulheres precisam se envolver agora", diz Nicola Hughes, jornalista de dados do jornal The Times em Londres e bolsista do Knight-Mozilla OpenNews Fellowship. "Em termos de democracia global e liberdade na Internet, só teremos poder com a diversidade."

Para ajudar a corrigir os desequilíbrios fundamentais na sociedade

Em todo o mundo em desenvolvimento, cerca de 25 por cento menos mulheres do que homens têm acesso à Internet, e a diferença entre os sexos sobe para quase 45 por cento em regiões como a África Subsaariana, de acordo com o relatório "Women and the Web" da Intel Corporation.

Nas melhores faculdades de engenharia da Índia, as novas classes incluem cerca de 10 por cento de mulheres a cada ano. Anika Gupta, gerente de produto do Citizen Journalist Digital, em Nova Delhi, diz que ter mais mulheres em tecnologia na Índia significaria corrigir o desequilíbrio fundamental do poder entre homens e mulheres e aumentar a conscientização sobre os problemas que as mulheres enfrentam que poderiam ser resolvidos por meio de inovação.

"Porque o trabalho em tecnologia é lucrativo e de prestígio, ter mais mulheres nestes tipos de trabalhos vai mudar a mentalidade de que as mulheres não podem ou não devem trabalhar fora de casa e ao lado de homens", diz Gupta. "E vai fornecer modelos para as mulheres jovens que querem seguir uma carreira muito exigente."

Em breve: O que uma empreendedora está fazendo para aumentar o número de mulheres em tecnologia na América Latina.

Jessica Weiss é uma jornalista americana com base em Buenos Aires.

Imagem cortesia da Coleção de Fotos do Banco Mundial sob licença Creative Commons