Por que as métricas são 'fundacionais' para o site de notícias Mic

porMartiniano Nemirovsci
Jul 23, 2014 em Diversos

Em apenas três anos, o site de notícias Mic conquistou seu lugar no ecossistema da mídia digital através de um conteúdo atraente e análise de audiência inovadora, chegando a 20 milhões de leitores mensais.

Como diretor de "conteúdo editorial da marca", Michael McCutcheon gerencia o relacionamento com empresas que anunciam no site de uma forma incomum: fornecendo notícias sobre tópicos importantes de interesse para o público jovem conhecido como "Geração Y" (ou "Millennials" em inglês), cuja idade varia entre 20 e 30 anos.

Chegar a uma audiência de 20 milhões de pessoas em tão pouco tempo "é o resultado de priorizar tarefas religiosamente, de se concentrar realmente no crescimento, realizar coisas em um tempo pré-determinado", disse McCutcheon durante sua estada em Buenos Aires, onde esteve para orientar as startups de mídia que participam da MediaFactory. (O projeto é liderado por Mariano Blejman, bolsista do Knight International Journalism Fellowship do Centro Internacional para Jornalistas.)

"Estabelecemos objetivos muito claros com base em coisas que temos que fazer a cada semana, a cada dia, para chegarmos onde queremos", explicou ele, lembrando que, nesse roteiro, o estudo das analíticas (ou métrica) é uma ferramenta fundamental.

As analíticas "são essenciais para o que fazemos, algo 'fundacional'. Nós assistimos como o público responde a cada um dos artigos que publicamos. Sempre estamos pensando em como se conectar com o nosso público e as analíticas informam muito sobre isso. São um parâmetro para medir como estamos indo", disse ele.

Mas não basta olhar quantas vezes uma matéria foi compartllhada ou quantos comentários têm, pois "os próprios números não vão dizer tudo. Você tem que olhar para eles, compará-los e encontrar padrões. Os números brutos são úteis, mas são muito mais úteis com uma análise complementar. Por exemplo, se você sabe que 100.000 pessoas leram seus artigos de ontem, tudo bem, mas se você não sabe por que o fizeram, não te ajuda muito para melhorar as matérias no futuro."

O Mic, originalmente chamado de PolicyMic, conta com uma equipe dedicada à métrica, que entre outras coisas é responsável por monitorar o desempenho de notícias em tempo real "para ver o que está acontecendo" com os conteúdos publicados, entre outras coisas. Mas todo mundo na publicação está envolvido com as analíticas.

"Cada editor recebe todos os dias um e-mail com uma visão geral do desempenho das matérias e seções, o que ajuda a saber o que aconteceu no dia anterior com as histórias que foram publicadas. É um feedback muito útil que vai de mãos dadas com o critério dos editores", disse McCutcheon.

Esta análise vai junto com a leitura de tendências em redes sociais e na Web em geral. A equipe de notícias do site está ciente dos temas discutidos, em tempo real, e produz muito de suas matérias para "influir nas conversas, no bom sentido".

Para isso "usamos uma ferramenta que construímos nós mesmos, que permite monitorar a Web e conhecer as tendências nas várias plataformas", disse ele, lembrando que este é um bom recurso "para medir a tempertura social".

Outro aspecto "crítico" é o desenvolvimento tecnológico, ao ponto que a empresa se considera uma companhia "de mídia e tecnologia".

"Trabalhamos para tornar o site mais rápido, melhorar a versão móvel e outras coisas. Quando um leitor entrar no site, queremos que o site seja rápido e ele encontre o que esperava, por isso, o componente tecnológica é fundamental", disse McCutcheon.

Esta importância se reflete no tamanho da equipe de engenharia, envolvendo cerca de 10 pessoas, quase metade de toda uma equipe que varia entre 25 e 30 funcionários.

O resto da estrutura fixa é constituída por dois editores e de 10 a 12 editores jornalísticos, cada um dos quais trabalha com 20 a 25 escritores freelance, bem mais que os seis que há dois anos formavam a empresa, explicou o jovem diretor.

Entre os aspectos mais não tradicionais do site é que ele não apresenta publicidade.

"Antes exibíamos anúncios, mas há pouco mais de um ano deixamos de fazer. Nós achamos que não era o melhor para a nossa comunidade, que não gostava muito disso, e não era tão eficaz. Então paramos e fizemos uma transição para o que é chamado de conteúdo patrocinado", disse ele.

A "nova publicidade", como o chama, é composta por uma série de artigos patrocinados por empresas interessadas em atingir o seu público volumoso. Estes artigos distinguem dos outros por frases como "apresentado por".

Dessa forma, ele explicou, "temos certeza de que o conteúdo desenvolvido em conjunto com os nossos patrocinadores são valiosos para nosso público e nossa comunidade."

Este artigo apareceu originalmente no blog da MediaFactory.