Newzulu quer ser a plataforma principal para conteúdo de 'crowdsource' verificado

porDena Levitz
Mar 2, 2016 em Freelance

Enquanto o conteúdo gerado pelo usuário ganha um lugar cada vez mais proeminente no ecossistema da mídia, a Newzulu tem uma meta ambiciosa: tornar-se a empresa principal para esse tipo de conteúdo.

Terceirizando o trabalho de freelancers profissionais e jornalistas cidadãos, a Newzulu está agora tentando desenvolver um negócio rentável em torno do conteúdo vindo de redações de fora. Até o momento, a empresa cresceu de um escritório e um cliente a várias agências e 25 clientes grandes de mídia.

Laura Placide, editora-chefe da Newzulu, diz que o objetivo da empresa não é substituir a Associated Press ou a Reuters, mas a complementá-las. Ela conversou com a IJNet sobre como ela espera fazer isso.

IJNet: Como você descreve a Newzulu e o que fazem?

Placide: Nós nos descrevemos como uma agêndia de notícias de 'crowdsource' [colaboração do público]. Temos milhares de colaboradores que nos enviam conteúdo, tanto de forma espontânea e mediante a pedido. Uma vez que temos esse conteúdo, verificamos com a tecnologia que nós desenvolvemos internamente para fins de verificação. Isso nos ajuda a fazer a verificação técnica, bem como a verificação jornalística: isso aconteceu? Aconteceu quando a pessoa disse?

Quando estamos satisfeitos, distribuímos o conteúdo no nosso site. Temos cerca de 25 parceiros... se um cliente compra o conteúdo, o produtor do conteúdo recebe metade.

Como a Newzulu começou? Por que foi criada?

A Newzulu começou um ano após o ataque [de 2005] em Londres, porque essa foi a primeira vez que vimos conteúdo gerado pelo usuário. O conteúdo verificado do público foi realmente a ideia. Era para realmente fornecer para redações.

Isso é o que nós ainda estamos fazendo. Temos uma rede de colaboradores em uma série de países. Nós os conhecemos e temos formas de alcançá-los. Quando algo acontece, geralmente conseguimos obter conteúdo rapidamente e entregá-lo aos clientes.

Vocês têm atualmente 100.000 colaboradores. Quem são eles e como acham o Newzulu?

A comunidade é dividida em duas categorias. Temos os freelancers. Esses são profissionais ou semi-profissionais que têm equipamento profissional. Depois, há os amadores -- pessoas com um smartphone que poderiam ver algo na rua e filmar. A divisão [da comunidade] fica entre 50 por cento um grupo e 50 por cento o outro. Amadores nos encontram pesquisando no Google coisas como "venda de conteúdo de notícias" ou "vender gravação de notícia". Nós também fazemos um monte de divulgação nas mídias sociais.

Para os freelancers, o mercado tem realmente sido complicado. Eles nos veem como uma outra agência para a qual podem enviar seu conteúdo para gerar receita. Eles também gostam da verificação que fazemos, porque isso agrega valor ao seu conteúdo. Para os amadores, às vezes trata-se de dinheiro. Muitas vezes, as pessoas só querem compartilhar o que está acontecendo ao redor.

Que tipo de matérias os colaboradores cobrem? Eles enviam matérias que encontram ou vocês solicitam matérias específicas?

Eu diria que 60 por cento do conteúdo é espontâneo e os outros 40 por cento são solicitados.

Sobre os acontecimentos que cobrem, isso realmente varia. Temos uma vasta gama de parceiros. Cobrimos uma grande quantidade de protestos, eventos climáticos e política, mas também fazemos entretenimento e esportes em alguns países. Estamos sempre tentando corresponder ao que todos esses parceiros diversos querem, porque estamos aqui para preencher uma lacuna.

Se eu sou um cidadão jornalista e quero enviar uma matéria, o que devo fazer? 

Existem algumas maneiras diferentes. Temos o site. Nós também temos um aplicativo em que as pessoas podem compartilhar fotos e vídeos; há também um recurso de livestream. Se você testemunhar algo, [o vídeo] pode ser enviado diretamente para a redação e podemos compartilhá-lo imediatamente. É como um Periscope verificado.

Os colaboradores recebem 50 por cento da venda e a Newzulu fica com o 50 por cento restante. Como empresa, vocês estão fazendo dinheiro com isso, mas a um nível maior, como funciona o modelo de negócio e como continuar sustentável?

O conteúdo está gerando algum dinheiro. Temos também o lado de tecnologia da empresa. Desenvolvemos plataformas de mídia, marcas e organizações para envolver o público para gerar conteúdo. Trabalhamos com o Wall Street Journal, Hearst mídia e outros. Nós alugamos a plataforma por uma taxa mensal, essencialmente, em seguida, damos os widgets e deixamos personalizarem como quiserem. Essa é a outra parte de como ganhar dinheiro. É importante porque o negócio de conteúdo está prosperando -- todo mundo tem um enorme apetite por conteúdo -- mas não gera receita suficiente em si.

Essa dualidade é o que diferencia vocês de outros empreendimentos similares?

Raramente as empresas que estão fazendo conteúdo também fazem tecnologia. Nós temos nossa própria comunidade; lidamos com conteúdo em uma base diária, por isso temos essa experiência do que é necessário e as ferramentas que são necessárias para ter um fluxo de trabalho rápido, eficiente e verificado. Eu acho que essa perícia nos diferencia.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Tony Webster