Marc Frons do New York Times: Da World Wide Web ao mobile

porAshley Nguyen
May 12, 2015 em Jornalismo móvel

Marc Frons é agora o vice-presidente sênior e CIO do New York Times, mas quando Marc começou como jornalista nos anos 70, ele viajou pelo país com seus artigos e currículo na mão pedindo por trabalho em jornais.

Na faculdade, ele fez US$75 com uma matéria que escreveu para o Times como colaborador. Depois de se formar no Brooklyn College, conseguiu um trabalho no Daily Rocket Miner como repórter ambiental em Rock Springs, Wyoming. Depois de passagens por publicações locais de New Jersey e Newsweek, foi o início de 1990 e Frons encontrou-se na Businessweek como o editor sênior de ciência e tecnologia.

"Eu continuei viajando pelo Vale do Silício e Microsoft e ouvia sobre essa coisa nova chamada World Wide Web", disse Marc à IJNet. "Um cientista da Xerox PARC me mostrou a sua homepage e eu perguntei: 'É muito difícil?" Ele disse: 'Não, é bastante fácil. Você pode fazer isso!'"

Marc começou ensinando a si mesmo linguagens de programação básicas, como HTML e Javascript, e finalmente começou a ver como a Internet iria expandir as capacidades de contar histórias e de acesso das pessoas à informação. Essa realização mudou sua carreira. Depois da Businessweek, Marc passou a supervisionar o lançamento do site da revista de finanças pessoais SmartMoney, trabalhou na AOL como o vice-presidente de finanças pessoais e se tornou o diretor de tecnologia da Dow Jones. Ao longo dos anos, ele viu como a internet mudou tudo, incluindo a indústria de notícias.

Agora, o formato de impressão e site do Times são consideradas plataformas tradicionais. Embora ambos permaneçam vitais para a distribuição de reportagem da organização de notícias, o foco atual está no mobile/celular. Aí é que entra Marc, que começou no Times como o CTO em 2006. Ele agora supervisiona tudo digital, produtos de impressão e tecnologia empreendedora, e supervisionou inúmeras reformulações do NYTimes.com, o desenvolvimento de um sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS) e aplicativos como o NYT Now. (No mês passado, o Times anunciou que NYT Now ia ser relançado como um aplicativo gratuito no dia 11 de maio.)

Abaixo, destacamos os sucessos de carreira de Marc, seus experimentos e pensamentos sobre o celular:

Seu regime de mídia:

Marc lê os dois aplicativos do Times e o Wall Street Journal no seu iPhone 6 Plus. Ele diz que ainda lê no desktop e recebe o New Yorker e o Times de domingo na versão impressa. Ele prefere o applicativo de agregação social Nuzzel em vez ir a Twitter e Facebook primeiro.

Seu maior projeto — até agora — no Times:

Ser parte do desenvolvimento e implementação do Scoop, que é o CMS do Times para imprensa e digital e é considerado "a espinha dorsal do Times no que se refere a sua habilidade de inovar". Agora, mesmo os editores que decidem o que aparece no NYT Now e no aplicativo principal de notícias usam o CMS.

"A grande inovação de 2015 para o Times é a reengenharia dos nossos aplicativos móveis para ser uma experiência completamente controlada editorialmente", disse Marc.

O conteúdo do aplicativo central de notícias refletia a página inicial do NYTimes e as seções de páginas, mas "essas decisões foram feitas para a Web", disse ele. "Agora, assim como você quer um título diferente para o jornal e para a Web, você quer diferentes lógicas de apresentação no celular. Mobile é um meio diferente."

Sobre mobile:

Continue a desenvolver ideias, porque não há nenhuma fórmula ainda.

"Isso tem que ser um momento de experimentação rápida em plataformas móveis", disse Marc. "Ninguém sabe totalmente o que vai funcionar e a melhor maneira de descobrir é usar o seu julgamento e gosto, criar algumas coisas e promovê-las bem e ver o que ressoa com os seus leitores. Em seguida, repetir a partir daí."

Isso é exatamente o que o Times está fazendo com o Apple Watch, lançado em 24 de abril. O app do Times para o novo produto apresenta atualmente uma frase e informações de marcadores juntamente com algumas fotos. Marc diz que não se vê lendo uma história de 1.000 palavra em seu relógio, que é por isso que um leitor pode clicar sobre o título e abrir o artigo em um iPhone ou iPad ou salvar o artigo para mais tarde.

E, assim como você não vai depender de um ticker na Times Square para todas as suas notícias, você provavelmente não confiaria apenas em seu relógio, ele disse.

"Estes dispositivos devem ser projetados para trabalhar em conjunto com os outros. Um conjunto de telas que você, como um consumidor de notícias e informações, usa para manter-se atualizado e se comunicar com outras pessoas."

Um momento crucial e experimental em sua carreira:

Depois de abordar a Businessweek nos anos 90 sobre criar um site, o pessoal da revista recusou, perguntando: "Por que você está interessado nesta coisa online?"

Marc acabou saindo e começou um novo empreendimento com SmartMoney.com. Na época, SmartMoney era uma revista de finanças pessoais  de propriedade da Dow Jones e Hearst, e eles entraram em contato com Marc com uma oferta que ele gostou: faça o que quiser. Nós vamos descobrir juntos.

"Fomos capazes de reinventar a marca online e usar isso como um modelo", Marc lembrou. "Comecei como editor, mas percebi rapidamente que na Web, tudo se trata sobre a natureza interligada do jornalismo e da tecnologia e que, como jornalista, eu realmente precisava entender a tecnologia. E, como um gerente de tecnólogos, eu realmente precisava ajudá-los entender o jornalismo."

Como ele está ajudando os tecnólogos e jornalistas a trabalharem juntos

Em seus primeiros anos no Times, Marc e seus colegas lançaram uma equipe de técnicos de notícias inovadoras. Ela consistia em alguns engenheiros de software e desenvolvedores da Web que trabalharam na redação.

Agora, há mais de duas dúzias, disse Marc. É também considerada uma prática comum incorporar tecnólogos na redação para fomentar a colaboração entre aqueles que escrevem a notícia e aqueles que apresentam.

"Tendo coordenado ambos jornalistas e desenvolvedores, posso dizer que as pessoas atraídas para essas profissões são mais semelhantes do que diferentes em alguns aspectos profundos", Marc disse em um email. "Ambos são altamente criativos, idealistas e apaixonados pelo trabalho que fazem. Então, levá-los a colaborar se resume em apreciação mútua e respeito."

Mas às vezes os jornalistas não entendem de tecnologia e os tecnólogos não entendem de jornalismo, Marc reconheceu. Nestes casos, ele incentiva conversas informais e faz questão de incluir os tecnólogos nas equipes desde o início do projeto.

"Dessa forma, todos os envolvidos têm uma sólida compreensão da perspectiva, o papel e a responsabilidade de cada membro da equipe", disse ele. "E se você tiver a sorte de conseguir uma química de equipe, todos eles acabam gostando um do outro."

Seu conselho para jornalistas:

Aprenda os conceitos básicos de Web e tecnologia móvel.

"Se você realmente quer ser um jornalista nesta parte do século 21, tem que abraçar este meio que nós temos vivido para uma geração que está evoluindo rapidamente", disse Marc.

“Se você quer ser um jornalista completo — especialmente se é interessado em edição — a apresentação é tão importante quanto as palavras e as imagens", ele acrescentou.

O que está pendurado no seu escritório:

Um artigo do Times de 27 de novembro de 1977 mostrando uma matéria sobre uma criatura mítica chamada jackalope. Como colaborador na época, Marc não assinou a matéria, mas ele tirou a foto da estátua de oito pés de altura de um coelho com chifres em Douglas, Wyoming. E fotógrafos, Frons observou, têm seus nomes impressos abaixo da imagem.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Robert Scoble - imagem secundária de Marc Frons - terceira imagem de Marc Frons obtida pelo arquivo do New York Times