Mais fontes de receitas alternativas para organizações digitais de notícias

por James Breiner
Jul 15, 2014 em Empreendedorismo de mídia

Em uma época em que a maioria das agências de notícias não pode mais depender de publicidade, é preciso ser criativo para encontrar fontes de receita. Este é o segundo de dois artigos de James Breiner sobre formas alternativas de ganhar dinheiro. (Veja o primeiro post aqui.)

Serviços de consultoria

Um dos veículos de comunicação mais inovadores nesta área é o MiVoz do Chile, uma rede de 16 sites de notícias locais com dezenas de clientes. Gera mais de US$2 milhões por ano e é alimentado por conteúdo gerado a partir de cerca de 10.000 cidadãos-repórteres.

No Sexto Colóquio Iberoamericano de Jornalismo Digital, a co-fundadora do MiVoz, Paula Rojo, descreveu as fontes de receita:

  • 16 por cento de publicidade regional
  • 26 por cento de publicidade nacional
  • 21 por cento de projetos de consultoria comunitários (treinamento de computador)
  • 37 por cento de consultoria em mídia social e programas de treinamento.

O 37 por cento de consultoria de mídia envolve criar mídia interativa para terceiros. Os 21 por cento de sua receita de projetos comunitários envolvem obter patrocinadores para pagar a formação de pessoas no uso de mídias digitais para informar sobre suas comunidades.

O editor e co-fundador, Jorge Dominguez, começou sua carreira como ativista social para organizações como (Atina Chile) (Acorda, Chile). Em uma visita à Coreia do Sul em 2003, ele aprendeu sobre o site de jornalismo cidadão OhmyNews, que teve um alcance global e cerca de 200.000 contribuintes. O modelo o inspirou a começar o MiVoz, usando contribuintes cidadãos para fornecer notícias hiperlocais.

LaSillaVacia também está usando esta técnica, oferecendo consultoria sobre como lançar uma operação sustentável de notícia digital.

A editora-chefe Juanita León e a editora criativa Olga Lucia Lozano tinham originalmente tentado fazer algo semelhante ao MiVoz. Elas decidiram, no entanto, que fazer consultoria para marcas ia distrair muito de sua missão de cobrir política e poder.

Agora elas viajam e dão seminários sobre como fazer uma startup de mídia e vendem um livro baseado em suas lições de startup por cerca de US$10. Elas sabem o que estão falando. Sobreviveram por cinco anos. Os seminários e livros geram receita e se encaixam com a sua missão de incentivar vozes da mídia independente.

Venda direta de produtos

Muitos editores da Web estão percebendo que podem oferecer um produto propriamente dito, em vez de ser apenas um veículo de publicidade. Para sites com foco em notícias locais, produtos artesanais locais parecem ser uma opção natural.

El Faro, um site de jornalismo investigativo em El Salvador, produziu vários livros baseados em suas investigações e os oferece para venda em seu site, juntamente com outros livros, música e produções artísticas.

A comunidade da Vox Mídia para fanáticos por esportes, SBNation, oferta venda de ingressos e troca de serviços.

The Telegraph na Inglaterra tem uma loja online que vende quase tudo que você encontraria em uma loja de departamento: vestuário, produtos de uso doméstico, jardinagem, jóias, etc.

Um site sobre a indústria da moda na Espanha, Modaes.es, mantém uma loja online que oferece pesquisa impressa, edições anteriores e programas de eventos por US$14 a US$50.

Serviços de pagamento online, tais como PayPal, Google Wallet, e Amazon podem simplificar o processo de aceitação de pagamento por cartão de crédito.

Eventos

Mesmo que a comunidade que você constrói seja online, seus membros podem querer ter contato em pessoa. As pessoas querem se conectar e conhecer outras pessoas que compartilham os mesmos interesses e valores. Patrocinadores que compartilham esses valores e querem se conectar com essa comunidade estão dispostos a pagar pelo direito de ser vistos em tais eventos.

Quando os eventos são alinhados com a missão da sua publicação, ajudam a reforçar sua marca como um líder na comunidade.

No mínimo, você pode realizar eventos de construção de marca, com o objetivo de apenas cobrir o seu próprio custo. Convide sua comunidade online para um happy hour ou café, peça ao bar ou café para oferecer bebidas com desconto ou comida de graça, e use o evento para se aproximar de seus leitores.

Você pode manter os custos baixos negociando alguns dos custos dos alimentos e local.

A organização sem fins lucrativos Texas Tribune é um grande exemplo de marketing de eventos. Gerou US$1,2 milhões em 2013 com eventos e conferências.

Há pelo menos quatro maneiras de ganhar dinheiro com os eventos:

  • patrocínios
  • bilhetes/entradas
  • mesas (de exibição)
  • vendas de produtos (publicações, assinaturas, mercadoria de marca)

Como editor do Baltimore Business Journal, descobri que muitos clientes preferem um relacionamento com uma marca confiável e credível ao invés de simplesmente comprar espaço publicitário, e estavam dispostos a pagar mais por isso.

As empresas que queriam se tornar parte da comunidade pagaram US$5.000 a US$25.000 para patrocinar um evento único como Melhores Empresas para Trabalhar, Mulheres Líderes de negócios, ou 40 com menos de 40, um evento em homenagem a gente jovem de negócios.

Patrocinadores receberam um banner e reconhecimento no programa impresso, bem como menção na publicidade para o evento. As vendas de ingressos geraram receita. Em alguns eventos, vendemos mesas de exposição. As margens de lucro podem ser altas se você manter os custos baixos.

Este artigo foi escrito originalmente para o blog News Entrepreneurs e é resumido e traduzido pela IJNet com permissão do autor.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Ele fala espanhol e inglês. Siga-o no Twitter.

Imagem sob licença CC no Flickr via Graham Holliday