Liberdade de imprensa vital no mundo perigoso do jornalismo digital

porPriya Kumar
May 2, 2011 em Jornalismo básico

Espremidos no fundo de duas salas de conferência do Newseum, sábado à noite, um grupo de jornalistas paquistaneses esperavam que os eventos do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em Washington, D.C., iriam prepará-los melhor para trabalhar em um ambiente de militância e restrições.

Entre eles estava Adnan Rashid, um produtor de uma estação de rádio pública em Swat, no Paquistão, que disse que militantes mencionaram o nome dele com o de quem “engana o público.” A correspondente Shumaila Jaffery da estação de TV com base em Lahore, disse que jornalistas cometeram suicídio porque não eram pagos. O governo restringe o que eles podem relatar e alguns donos de empresas de comunicação promovem a autocensura, disseram eles.

Um dos administradores do Newseum, o autor Bette Bao Lord abriu os três dias de conferência louvando os jornalistas por passarem por condições como as que Rashid e Jaffery passam e declarou: “Liberdade de imprensa é esperança.”

Esse ano o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, realizado pela primeira vez nos Estados Unidos, teve início no domingo à tarde, para uma multidão em pé numa sala do Newseum, o museu de notícias de Washington. Os oradores que abriram a conferência homenagearam os jornalistas que morreram e enfatizaram o fato das novas mídias terem aberto os canais de informação, ao mesmo tempo em que provocaram limitações mais restritas na liberdade de expressão.

“Nesse mundo de mudanças rápidas, caminhos para a liberdade de imprensa, antes impensáveis, podem, de repente, aparecer”, disse ela, ilustrando a colheita de informações sendo semeadas pelas ações de um pobre vendedor ambulante tunisiano que pôs-se em chamas e deu início a uma revolução.

Em uma viagem recente ao Oriente Médio, Judith McHale, subsecretária do Departamento de Estado para a diplomacia e assuntos públicos, disse que repórteres tunisianos perguntaram ao seu grupo como deveriam questionar os políticos.

“Eles nunca haviam podido fazer essa função básica do jornalismo,” disse ela, mas as próximas eleições darão aos jornalistas do país a oportunidade de exercerem novas liberdades.

Stephen King, da firma de investimentos filantrópicos Omidyar Network, descreveu empreendimentos como a plataforma de crowdsourcing Ushadi e a rede de jornalistas cidadãos Global Voices, que usam as novas mídias para promover a transparência do governo.

Carl Geshen, presidente do National Endowment for Democracy, destacou a nítida contradição entre os estados fechados que fortalecem o controle sobre as novas formas de imprensa e as sociedades abertas onde a informação flui livremente. Ele honrou quatros viúvas de jornalistas mortos que estavam presentes, incluindo as viúvas de Daniel Pearl e Guillermo Cano.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, estabelecido pela Organização das Nações Unidas em 1993, celebra os princípios fundamentais da liberdade de imprensa, avalia a liberdade de imprensa pelo mundo, defende a imprensa independente e honra os jornalistas mortos.

Esse ano marca o 20° aniversário da Declaração de Windhoek, em homenagem a capital da Namíbia onde foi assinada. A declaração, que se seguiu a uma conferência promovendo a liberdade de imprensa na África, afirmou a atuação significante de uma imprensa independente no desenvolvimento democrático e econômico.

A conferência em Washington terá como foco o tema: '21st Century Media: New Frontiers, New Barriers'. Três sessões plenárias abordarão o status da liberdade de imprensa hoje, a censura na era digital e a atuação das novas mídias em expandir o acesso à informação.

Treze sessões deverão aprofundar-se nessa mudança de paisagem digital, discutindo as mudanças de gênero, o consumo da mídia pelos jovens, batalhas legais, táticas de evasão, novos modelos de negócios, jornalismo investigativo e ético. Oradores incluem líderes dos meios de comunicação, de governos, acadêmicos e jornalistas de todo o mundo.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) organiza as comemorações pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa para celebrar os princípios fundamentais da liberdade de imprensa; defender a imprensa dos ataques à sua independência e pagar tributo aos jornalistas que perderam suas vidas no cumprimento do dever. Para maiores informações sobre a conferência global de 2011 do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em Washington, D.C., acesse www.wpfd2011.org (em inglês).