Jornalistas do Mês: Olufemi Akande e Adbel Aziz Hali

porAshley Nguyen
Jan 21, 2015 em Jornalista do mês

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Este mês apresentamos dois jornalistas do mês, Olufemi Akande e Adbel Aziz Hali. Os dois jornalistas acabaram de voltar de uma viagem de 10 semenas cobrindo a Assembleia Geral das Nações Unidas como bolsistas Dag Hammarskjöld, uma oportunidade que viram na IJNet.

A cada ano, o programa Dag Hammarskjöld fellowship escolhe jornalistas da África, Ásia, América Latina e Caribe para participarem das conferências da ONU sobre temas globais como conflito, segurança e igualdade de gênero. 

Akande cobriu temas que afetam a África, como correspondente da TVC News em Lagos, na Nigéria. Desde o que ativistas de direitos da mulher na ONU tinham a dizer sobre Boko Haram ao conflito no Sul do Sudão, Akande continuou a produzir vídeos para a TVC durante a a bolsa.

Da mesma maneira, Hali do jornal La Presse Tunisie escreveu artigos de notícias e análises sobre temas relacionados com seu país, a Tunísia, e além. Ele cobriu o Conselho de Segurança da ONU, uma conferência com Noam Chomsky sobre o conflito israelita-palestino e como lidar com a epidemia do Ebola.

Os dois bolsistas conversaram com a IJNet sobre que mátérias ajudaram em suas carreiras e como continuam a crescer no jornalismo.

Conte um pouquinho sobre suas reportagens e uma matéria preferida.

Abdel Aziz Hali: Na revolução [na Tunísia], eu trabalhei para uma revista local. Em seguida, durante a revolução, eu trabalhei para o jornal La Presse. Após a revolução, tivemos liberdade de expressão e nos tornamos verdadeiros jornalistas. Cobrimos manifestações. Cobri as revoluções na Líbia, Egito e Tunísia. Foi uma grande experiência.

Uma série favorita de matérias que eu escrevi se chama "Era uma vez duas revoluções" e foi sobre a influência das redes sociais e blogueiros sobre a revolução.

Durante a revolução, as pessoas não acreditavam na mídia nacional. Acreditavam no que estava escrito no Facebook. Durante a revolução, o Facebook tornou-se a principal fonte de informação no meu país.

Blogueiros fizeram um monte de trabalho bom para informar as pessoas. Houve um bloqueio por parte do regime e a única janela para ver a realidade era as redes sociais.

Olufemi Akande: Eu sou um repórter que cobre assuntos gerais. Eu não tenho uma determinada editoria. Cubro notícias desde negócios a política a histórias com ângulos humanos.

Mas o que foi um momento decisivo para mim foi uma reportagem sobre o conflito na República Centro-Africano. A crise na República Centro-Africano é vista como uma crise esquecida. Este conflito já se arrasta há duas décadas e as pessoas infelizmente não estão mesmo cientes de que esse país existe ou que as pessoas no país passam por momentos difíceis. A TVC, como canal de notícias pan-africano, deu essa oportunidade de ver a situação na República Centro-Africano. Foi a minha primeira vez cobrindo uma zona de um conflito sério.

Eu fiz um monte de reportagens de lá. Eu vi pessoas refugiadas, crianças que sofrem de desnutrição e pobreza extrema. Eu vi muita morte e pessoas sendo mortas por causa de sua fé.

Uma das histórias que realmente me tocou foi o acampamento do grupo de milícia cristã Anti-Balaka. Foi ousado da minha parte ir para o acampamento, porque era muito arriscado. Um jornalista francês foi morto tentando fazer isso. O acampamento estava no meio do mato, onde não havia nada. Não havia rede telefônica ou qualquer coisa. Se alguma coisa acontecesse, teria sido muito difícil para mim pedir ajuda ou enviar um SOS.

Eu pude ver o acampamento, como eles viviam e vê-los com suas armas. Eu também tive permissão para ver o processo de recrutamento e como treinavam seus soldados. Eu pude fazer uma entrevista cara-a-cara com o comandante. Isto foi importante, porque quando eu enviei a reportagem, todo mundo disse: "Uau, como você foi lá? Você não estava com medo de morrer? "

É claro que eu estava com medo de perder minha vida, mas eu queria conseguir essa grande história. Eu só tive que fazer.

Como a IJNet ajuda você?

AAH: Você tem que saber que a IJNet é como a Bíblia --ou o Alcorão para mim-- como jornalista. Todos os dias antes de eu ir para o trabalho ou o escritório, eu abro a IJNet para ver as oportunidades. Você pode encontrar tudo.

Estou devendo para a IJNet, porque ganhei o prêmio de jornalismo Anna Lindh, em 2011, que é como o Prêmio Pulitzer para a Europa, Oriente Médio e Norte da África. Eu venci na categoria "democracia e mudança social". Encontrei este prêmio através da IJNet, e eu achei a bolsa [Dag Hammarskjöld] através da IJNet.

OA: Todo jornalista sério visita a IJNet pelo menos uma vez por dia. Além das oportunidades que existem na IJNet, há também o conhecimento. Você pode aprender a usar novas ferramentas e obter novas habilidades. A tecnologia está mudando a forma como a redação opera. A IJNet está mantendo os jornalistas informados e ajudando a se adaptar à evolução da tecnologia.

A IJNet é exatamente como uma base de conhecimento para os jornalistas. Eu também encontrei a bolsa [Dag Hammarskjöld] através da IJNet.

Que conselho você daria a quem quer ser jornalista?

AAH: Jovens jornalistas devem criar o seu próprio destino. Eles não devem esperar por editores para darem as oportunidades. Temos a internet agora e podemos ter acesso em todos os lugares. Sites como a IJNet podem dar a oportunidade de ver o mundo e conhecer novas pessoas.

Jovens jornalistas devem ser proativos. Eles não devem ser passivos.

OA: Seja inabalável. O jornalismo é para pessoas sérias. Na maioria das vezes, você não tem recompensa pelos seus esforços instantaneamente. Você tem que trabalhar duro, trabalhar e trabalhar duro por anos antes de obtê-la. Não desista facilmente.

Além disso, informe o seu público a verdade, não importa o que seja. Às vezes, há pessoas que vão querer diluir a verdade, mas não deixe. Diga sempre a verdade.

No vídeo abaixo (em inglês), os jornalistas do mês falam sobre o que fizeram como bolsitas Dag Hammarskjöld.

Imagem principal de Abdel Aziz Hali (esquerda) e Olufemi Akande da IJNet - A segunda imagem é Olufemi Akande.