Jornalista do mês: Eduardo Franco Berton

porDonethe Cyprien
Jul 4, 2020 em Jornalista do mês
Eduardo Franco Berton

Desde criança, Eduardo Franco Berton era apaixonado pela natureza e vida selvagem. Ele passava horas lendo enciclopédias de animais.

"Minha mãe zombava de mim por assistir a documentários, Discovery Channel e National Geographic, e por subir nas árvores para assistir pássaros", disse Berton.

Ele começou como advogado, especializado em direito ambiental, trabalhando para organizações de conservação.

"A mudança de advogado para jornalista foi um pequeno salto na minha carreira", afirmou. “Logo depois que comecei a trabalhar como advogado ambiental, também comecei a escrever no meu tempo livre para veículos de comunicação. Eu também descobri outra paixão, que era a fotografia.”

Em 2016, Berton lançou a Red Ambiental Info (RAI) Bolívia, uma agência de notícias digital focada na conservação ambiental e ciência em toda a América Latina.

"Eu gerencio o projeto, o que significa participar de conferências e painéis, [e] entrar em contato com doadores", disse ele; "todo esse trabalho que sempre é imposto a você quando você é um empreendedor."

Ele também passa muito tempo editando as matérias da RAI Bolívia e contribuindo para agências como Mongabay, National Geographic e O Eco.

Conversamos com Berton sobre seu trabalho em jornalismo ambiental, os desafios que ele enfrentou e seus conselhos para jornalistas iniciantes.

On assignment for National Geographic
Em trabalho para a National Geographic.

IJNet: Como a IJNet ajudou na sua carreira?

Berton: Eu sempre [usei a IJNet] para acompanhar as conferências e projetos de jornalismo lançados em todo o mundo, com foco na América Latina. No ano passado, solicitamos o apoio de uma organização chamada National Endowment for Democracy, sediada em Washington, e descobrimos essa oportunidade através da IJNet.

Graças a esse apoio, faremos jornalismo investigativo ao longo do próximo ano focado em temas ambientais e indígenas, que são algumas das questões que abordamos.

 

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O que você aprendeu nas conferências em que participou?

Eu acho que elas são uma ótima oportunidade para expandir nossas redes. Aproveito muitas oportunidades para conhecer outros jornalistas, expandir minha rede profissional e encontrar novos projetos com outros jornalistas. Além disso, é uma ótima oportunidade para apresentar o trabalho que estamos fazendo com nosso projeto na Bolívia.

As conferências oferecem espaço para conversar e expor diferentes questões que estão afetando nossa região e nosso país. Há muita devastação ambiental acontecendo na Bolívia e na América Latina, por isso organizamos painéis sobre a Amazônia, por exemplo, desmatamento, mudança climática ou direitos indígenas.

Fazemos parte da Rede Global de Jornalismo Investigativo (GIJN, em inglês) e fomos para a conferência em Joanesburgo, África do Sul, em 2017. No ano passado, foi em Hamburgo, na Alemanha. Participamos de painéis e foi uma ótima oportunidade para aprender novas habilidades de investigação. As conferências são um espaço muito importante para aprender com o que nossos colegas estão fazendo.

Crossing swamps in the Bolivian Amazon
Cruzamento de igarapés na Amazônia boliviana.

De que trabalho você mais se orgulha?

Em 2018, publicamos uma reportagem investigativa sobre o tráfico da onça pintada na Bolívia, Peru e Brasil. Essa investigação levou quase quatro meses de pesquisa. Tivemos que viajar para o Peru, para o Brasil e para diferentes lugares da Bolívia. Também produzimos pequenos documentários, fotografias e narrativas sobre essa situação do tráfico de onças. Foi muito difícil pesquisar.

No ano passado, ela foi escolhida entre as melhores reportagens investigativas da América Latina, pela Conferência Latino-Americana de Jornalismo de Investigação (COLPIN, em espanhol). É considerado um dos prêmios mais importantes da América Latina e jornalismo investigativo, e recebemos uma menção honrosa.

Following jaguar tracks in the forest
Seguindo trilhas da onça-pintada na floresta.

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Quais são alguns dos desafios que você encontrou?

Eu diria que é um dos tipos mais difíceis de jornalismo. Não é fácil em nenhum lugar, mas na América Latina, especificamente, há muitas questões para focar com o jornalismo ambiental.

Há muita pressão quando você reporta sobre esses tópicos desconfortáveis ​​que revelarão devastação ambiental, porque há muitos atores nessas práticas ambientais. E sempre há o governo envolvido de alguma forma. O governo está sempre lá. Também existem empresas privadas, grandes empresas e outros países. Quando você faz reportagens investigativas sobre tópicos ambientais, pode ser arriscado se expõe irregularidade ou corrupção.

Ao reportar sobre o tráfico de animais selvagens, certa vez tive que lidar com uma ameaça de morte porque também existem redes criminosas envolvidas na devastação ambiental. Você precisa ter muito cuidado com o local aonde vai e como conduz sua apuração.

Qual é o seu conselho para jornalistas ambientais iniciantes?

Se você tem um interesse particular em um campo específico do jornalismo, acho importante investir tempo na aquisição de conhecimentos e habilidades relacionados. Isso ajudará a melhorar suas reportagens. Também ajudará a encontrar ângulos diferentes para histórias e tópicos que você gostaria de abordar.

Eduardo with indigenous tribes in the Peruvian Amazon
Com tribos indígenas na Amazônia peruana. 

Todas imagens cortesia de Eduardo Franco Berton