Instrutora de jornalismo diz que ter um blog é fundamental para o jornalista

porDana Liebelson
May 27, 2011 em Jornalismo digital

Com a mídia mudando mais rapidamente do que o tempo que você leva para publicar um tuite, Tumblr ou post sobre esse novo cenário, é difícil saber como os jornalistas podem treinar para o futuro.

Para isso, a IJNet conversou com Magda Abu-Fadil, correspondente internacional e diretora do programa de jornalismo da Universidade Americana de Beirute no Líbano.

Abu-Fadil é uma jornalista intimamente familiarizada com ambas mídias tradicionais e novas. Ela já trabalhou para várias organizações de notícias internacionais, incluindo a Agence France-Presse e United Press International. Como diretora do programa de jornalismo, ela ministra oficinas de formação em três línguas.

Desde 2007, Abu-Fadil adotou novas mídias, escrevendo um blog para o Huffington Post, produzindo suas próprias fotos e vídeos. Ela incentiva o jornalista a acompanhar o panorama mediático em mudança e está cética sobre o valor da faculdade de jornalismo tradicional.

IJNet: O que é o mais interessante em ser uma blogueira e repórter tradicional?

Magda Abu-Fadil: Eu gostei de ser repórter, correspondente estrangeiro e editora de várias organizações internacionais, mas o blog é muito mais divertido e meu trabalho não é editado. É um ambiente mais livre. Se bem que fui treinada como jornalista e eu ainda presto atenção especial à precisão, fontes, justiça e equilíbrio nos meus artigos. As regras são as mesmas, mas as ferramentas são diferentes.

IJNet: O que você pensa sobre jornalistas profissionais mudando para as novas mídias? Como os blogueiros podem ser pagos?

MAF: Eu não sou paga pelo Huffington Post e não me importo. Eu tenho um emprego que me paga. O blog é como um hobby. Eu poderia começar um blog ou site e trabalhar para torná-lo lucrável, mas requer mais tempo e esforço do que eu posso gastar agora. Quanto aos jornalistas profissionais migrando para os blogs: é uma obrigação. Há infinitamente mais exposição. Acredito também no jornalismo de fonte aberta.

IJNet: Você participou recentemente do Arab Media Forum. O que tirou desse evento?

MAF: O Arab Media Forum é um ótimo lugar para conversar com velhos amigos, encontrar gente, fazer contatos e se familiarizar com as últimas tendências da mídia na região árabe.

O fórum deste ano focou nas mudanças radicais no mundo árabe, especialmente onde as revoltas ocorreram, por isso foi bastante relevante e ofereceu a oportunidade de ver como a mídia está tratando a cobertura destes eventos. Lançou luz sobre as penúrias da mídia em zonas incertas e perigosas. Espero que tenhamos aprendido lições sobre como se tornar um melhor jornalista e comunicador.

IJNet: A nova mídia é uma ameaça ao jornalismo profissional?

MAF: Não, eu não acho que a mídia social e jornalismo do cidadão são ameaças se o jornalista os incorporar e se tornar um repórter e editor multimídia plenamente. Temos de lidar com o século 21. O que eu aprendi na faculdade é antiquado. A ética é a mesma -- embora com mudanças nos meios de entrega -- mas o contexto é diferente. Então temos que nos adaptar.

IJNet: Ainda vale a pena fazer faculdade de jornalismo?

MAF: Eu não sei se vale a pena todo o dinheiro gasto para ir à faculdade de jornalismo hoje, já que o cenário está mudando tão rapidamente e nós estamos em uma corrida contra o tempo com toda a tecnologia nova. Mas definitivamente vale a pena investir em um diploma, pois a maioria dos empregadores ainda o requerem.

Também é importante investir na formação regular para ficar a par dos desenvolvimentos. Quanto às oportunidades de trabalho, os formados por faculdade terão que ser flexíveis e aprender novas ferramentas rapidamente, dependendo das necessidades do mercado. As prioridades mudaram, então é preciso ir com o fluxo.