Fontes de receitas alternativas para organizações de notícias digitais

porJames Breiner
Jul 1, 2014 em Empreendedorismo de mídia

Tanta inovação está ocorrendo do lado da receita das novas mídias digitais que é hora de rever, atualizar e reunir as ideias. Vamos começar com o básico.

Crie comunidade, não apenas publique notícias

Uma audiência é apenas um grupo de observadores. A comunidade compartilha valores e um profundo interesse em um tema ou área geográfica. Muitas vezes tem um viés para a ação. É aí que entra o valor. Ligar essas pessoas e criar valor para elas é o começo de uma comunidade. Somente quando você estiver conectado a eles pode começar a ter o seu apoio financeiro.

Lembrei-me do poder da comunidade, em oposição ao público, ao ler o post de Martin Langeveld para Nieman Lab sobre o que estava à frente para o jornalismo em 2013.

Como Michael Skoler sugeriu uns anos atrás no Nieman Reports, quando o pensamento de 'paywall' [acesso pago] dá lugar ao pensamento de associação, o modelo de negócio fica em torno da comunidade em vez da audiência. "Para aproveitar esse modelo", Skoler escreveu, "as organizações de notícias precisam pensar em si primeiro como reunindo, apoiando e capacitando as pessoas para serem ativas numa comunidade com valores compartilhados e não principalmente como criadores de notícia que as pessoas vão consumir."

Associações, não paywalls

O Texas Tribune, uma organização de notícias digitais focada em governo e educação, incorpora essa maneira de pensar. Oferece seis níveis de adesão e uma escala de benefícios, a partir de US$10 a US$500 por ano.

Pense nisso. Por não oferecer apenas um produto, mas acesso, privilégios e oportunidades para a comunidade, o Texas Tribune é capaz de cobrar muito mais pela associação do que uma assinatura.

O MinnPost faz o mesmo. Em sua página de membro, aprendemos que "adesão significa que você é parte da família MinnPost, ajudando-nos a alcançar a nossa missão através de apoio financeiro". Associação traz privilégios, descontos e oportunidades de networking. O preço pedido é maior do que a maioria das assinaturas de acesso pago, US$120 a US$600 por ano.

LaSillaVacia (cadeira vazia), um site colombiano focado em jornalismo investigativo sobre poder e política, tem um grupo de membros de 550 "Super Amigos", que em 2013 contribuíram com U$32.000. Seu apelo é para pessoas que querem apoiar o jornalismo independente. Isso é quase o suficiente dinheiro para financiar suas operações por um mês.

Patrocínios, não anúncios

Preços premium para patrocínios: O Texas Tribune oferece três níveis de patrocínio que variam de US$1.000 a US$5.000 por ano. Benefícios de patrocínio incluem mais do que apenas a oportunidade de colocar uma mensagem no site. Incluem uma relação mais íntima com a marca em eventos.

Leo Prieto, o co-fundador da Betazeta no Chile, que tem uma audiência mensal de 10 milhões de usuários, está se afastando da publicidade tradicional em direção a patrocínios, que agora compõem 40 por cento de suas receitas.

Prieto prefere relacionamentos com marcas patrocinadoras, em oposição ao negócio altamente cíclico de vender impressões e cliques para os anunciantes digitais. Entre outras razões, a o preço que a Betazeta pode cobrar pela publicidade tradicional continua a cair por causa de softwares de direcionamento de anúncios cada vez mais sofisticados e da compra automática de anúncios. Além disso, titãs da web como Google, Amazon, Microsoft, Apple e Facebook estão engolindo toda a publicidade.

"O modelo de negócio de publicidade está morto para todo mundo", disse Prieto. "Para a televisão, revistas, rádio, para todos. Nós começamos a abordar as marcas sobre alinhar o nosso público com o público que desejam atingir. Continua a ser uma relação de publicidade, mas um tipo diferente de publicidade."

"Um patrocinador é uma marca que fica com você num relacionamento de longo prazo e é um parceiro próximo." Ele enfatiza que o parceiro não influencia o conteúdo editorial, mas pode ter um espaço no site da Betazeta para contar sua própria história.

Lição: Um meio de comunicação digital que tem uma reputação de credibilidade, fortes padrões éticos e serviço comunitário irá agradar a muitos anunciantes que querem alinhar suas marcas com esses valores. Você pode ainda vender a magia da relação.

Isto é a publicidade tradicional baseada na marca. Ainda funciona em um nível da comunidade, apesar das críticas de organizações de vendas orientadas a dados. Quando você pensa em comunidade, em vez de público, não precisa mais cair na armadilha de preços de contratos de publicidade com base em CPMs (rápida queda, por sinal), page views, usuários únicos ou cliques.

Marketing de conteúdo e serviços editoriais

O Betazeta, mencionado acima, está gerando cerca de 10 por cento de sua receita de (marketing de conteúdo](http://contentmarketinginstitute.com/what-is-content-marketing/), isto é, criando conteúdo editorial para marcas usarem em seus próprios sites. É como o serviço de uma agência de publicidade ou relações públicas.

Marcas de repente descobriram o valor dos blogs, Prieto diz, e agora estão clamando por editores experientes e escritores para criar conteúdo para elas.

O conteúdo não é um discurso de vendas diretas, mas mostra informação útil ao público, por exemplo, como obter o máximo de um fabricante de um smartphone, como amarrar uma criança em um assento de carro corretamente, como reciclar o produto de uma empresa e assim por diante. Prieto vê esta tendência como uma oportunidade de crescimento para seu negócio.

Uma estratégia de receita semelhante também está sendo usada pelo MedCity News, um site dos EUA com 10 funcionários que se concentra em inovação e investigação na área da saúde.O fundador Chris Seper usa dezenas de colaboradores para produzir conteúdo não só para o seu próprio site, mas para sites de terceiros.

Essa conversa toda sobre oferecer serviços como uma agência de publicidade ou assessoria de imprensa faz você se sentir mal? Quer saber sobre a ética de tudo isso? Então, leia estes posts:

Eu vou compartilhar ainda mais os fluxos de receita alternativa no meu próximo post.

Este artigo foi escrito originalmente para o blog News Entrepreneurs e é resumido e traduzido pela IJNet com permissão do autor.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Ele fala espanhol e inglês. Siga-o no Twitter.

Imagem sob licença CC no Flickr via Graham Holliday