Estratégias de vídeos de fact-checking na Nigéria multilíngue

porHannah Ajakaiye
Aug 22, 2019 em Fact-checking e verificação
Homem em laptop

Juntamente com o crescimento da internet nos países em desenvolvimento, surgiram novos desafios em torno de como as mídias sociais são usadas para espalhar desinformação.

Na África, os verificadores de fatos estão combatendo esse desenvolvimento usando uma variedade de ferramentas e abordagens. Ao divulgar seus esforços em idiomas além do inglês, eles podem ajudar mais usuários da internet a desenvolver habilidades simples de verificação.

A Nigéria, por exemplo, tem uma população de 200 milhões que fala mais de 400 idiomas. Pesquisas mostram que o inglês pidgin, que surgiu de uma fusão de línguas estrangeiras e africanas, se tornou um dos quatro idiomas mais falados da Nigéria atualmente.

Isso se reflete no cenário de notícias do país, onde algumas estações de rádio produzem programas exclusivamente em pidgin. A BBC também iniciou seu próprio serviço de notícias em pidgin em 2017.

Como parte da minha bolsa TruthBuzz do ICFJ, trabalhei com uma equipe para produzir vídeos estratégicos e atrativos ​​para a mídia social em pidgin sobre os perigos da desinformação, a fim de alcançar os nigerianos em todas as classes socioeconômicas, níveis de educação e diferentes graus de alfabetização em mídia digital.

Aqui estão três lições aprendidas com os vídeos que produzimos até agora:

Vídeos mais curtos funcionam melhor nas mídias sociais

O primeiro vídeo em pidgin que produzimos foi um explicador intitulado "Use seu telefone para verificar se a foto é verdadeira" (em pidgin). Esse vídeo mostra ferramentas que podem ser usadas para verificar imagens na internet, como TinEye e Google Reverse Image Search.

Com mais de quatro minutos de duração, o vídeo não circulou tão amplamente quanto esperávamos — devido principalmente à sua duração. Para alcançar e envolver melhor mais espectadores com a mensagem principal do vídeo, deveríamos ter condensado o roteiro para poder publicá-lo em várias plataformas de mídia social. O Twitter, por exemplo, permite vídeos de no máximo 2:20 minutos e o Instagram define seu limite em um minuto para o conteúdo de vídeo.

Considere várias versões do seu vídeo

Nosso segundo vídeo, “Sete maneiras de checar informação online”, foi uma adaptação das dicas compartilhadas em um desenho animado intitulado “Fábio Fato não dá mole para notícias falsas”, que a organização brasileira de fact-checking Aos Fatos publicou no Dia Internacional Dia de Fact-Checking em abril.

Criamos duas versões do vídeo desta vez: uma versão mais longa de 2:25 minutos e uma versão mais curta de 31 segundos. A versão mais longa foi vista mais de 21.000 vezes no Facebook. A versão mais curta, postada no Instagram, foi vista mais de 7.500 vezes.

Além de ajustar a duração do vídeo, aprendemos que ter um rosto humano falando com a câmera ajudou a estabelecer uma conexão mais pessoal com os espectadores. Isso reforçou nossa conclusão de que vídeos mais curtos que incorporam pessoas reais tendem a ter alcance e impacto mais amplos.

Voz em off também funciona

Criamos nosso último vídeo exclusivamente para mídias sociais, usando a ferramenta de edição de vídeo Lumen5. Para isso, contratamos um jornalista para traduzir um guia publicado pela Africa Check sobre como combater a desinformação no Whatsapp em pidgin. Em seguida, adicionamos uma narração ao vídeo.

O vídeo de um minuto de duração obteve um engajamento significativo no Twitter. E também foi visto mais de 12.000 vezes em apenas uma semana no Facebook, um grande feito para uma organização de mídia que tem um conta no Facebook com pouco menos de 5.000 seguidores.

Em um país multilíngue como a Nigéria, usar idiomas falados popularmente além do inglês pode efetivamente ampliar o alcance de suas iniciativas de verificação de fatos. Acoplar isso com conteúdo de vídeo estratégico e atrativo para mídias sociais pode impulsionar ainda mais esse esforço, atingindo e envolvendo um público ainda maior.


Imagem principal sob licença CC no Unsplash via NESA by Makers.