Entrevistas com empreendedores digitais revelam dicas para startups de mídia

porJames Breiner
Apr 2, 2018 em Empreendedorismo de mídia

O Digiday tem um podcast semanal sobre a indústria da mídia digital. Em duas entrevistas recentes, fundadores de startups compartilharam lições de sabedoria aplicáveis a qualquer startup de mídia.

O editor-chefe do Digiday, Brian Morissey, entrevistou Imran Amed, do Business of Fashion, sobre sua mudança para um modelo de assinatura, e as fundadoras do TheSkimm, Carly Zakin e Danielle Weisberg, sobre como elas usaram e-mail para construir uma comunidade leal.

Elementos de suas fórmulas de sucesso:

1. Paixão por um tema que você pode desenvolver de uma maneira que ninguém mais pode.

a) Amed, então consultor da McKinsey &. Co., começou a escrever um blog em 2007 que falava sobre moda como um negócio. Ele achava que ninguém estava explorando o significado dos números por trás dos principais negócios de moda. Com o tempo, ele desenvolveu um público fiel que começou a sugerir maneiras de monetizar.

b) Zakin e Weisberg tinham 25 anos e eram produtoras de notícias da NBC, quando decidiram lançar o TheSkimm em 2012. Elas estavam frustradas que nenhum de seus amigos estava vendo seus melhores trabalhos. Seus amigos não assistiam notícias na TV. Então elas começaram um boletim informativo por e-mail que agregava o que achavam que era a notícia mais importante que jovens mulheres profissionais como elas precisavam saber para suas vidas profissionais e pessoais.

2. Construa a comunidade primeiro. Oportunidades para monetização se apresentarão.

a) Amed contou que blogava sobre o negócio da moda há anos em seu tempo livre. Foi somente após seis anos, em 2013, que o Business of Fashion lançou seu primeiro produto comercial: uma plataforma de carreiras em que as marcas poderiam anunciar a si mesmas e suas posições abertas para o público da publicação. Essa plataforma foi financiada com US$2,1 milhões de vários investidores. Amed descreveu-a como "uma plataforma global para procurar talentos". Era novo porque era verdadeiramente internacional. Hoje, tem 300 marcas de publicidade, mais de 1.500 empregos listados e já administrou 300.000 solicitações por meio da plataforma. A plataforma ganhou reconhecimento da Fast Company como uma das 10 empresas de mídia mais inovadoras

b) No TheSkimm, elas decidiram não aceitar banners típicos, mas apenas publicidade nativa ou conteúdo patrocinado. Em vez de aceitar publicidade programática por meio de redes de anúncios sobre as quais não tinham controle, poderiam prometer aos seus patrocinadores segurança de marca: garantia de que sua mensagem não apareceria ao lado de conteúdo racista, sexista ou censurável.

3. O crescimento orgânico de uma audiência de nicho é mais importante do que o rápido crescimento de um público de massa.

Os fundadores de ambas as publicações decidiram desde o início se concentrar em segmentos de público restritos para que pudessem crescer organicamente e ignorar o que muitas outras publicações já estavam fazendo.

a) No Business of Fashion, Amed escolheu explorar um público negligenciado que estava interessado tanto no lado criativo da moda quanto em como as pessoas estavam ganhando dinheiro. Os empresários queriam entender melhor as pessoas criativas, e os criativos queriam descobrir como poderiam lançar suas próprias empresas de sucesso.

Segundo a SimilarWeb, o site tem 1,8 milhão de visitas totais por mês, 4,27 páginas por visita e tempo médio de visita de 1:44. O tamanho total do público é relativamente pequeno.

b) No TheSkimm, elas decidiram se concentrar em mulheres profissionais da geração do milênio, de aproximadamente 20 a 35 anos, que não tinham tempo mas precisavam de informações em formatos que se encaixassem em suas rotinas diárias. O TheSkimm cresceu para quase 7 milhões de assinantes de email, quase o dobro do total em 2016.

O boletim informativo por e-mail do Theskimm tem como objetivo fornecer as notícias mais importantes que precisavam saber, a fim de parecerem bem informadas sobre os tópicos que seriam discutidos entre amigos e colegas.

Elas têm 30.000 Skimm'bassadores que conseguiram 10 assinantes de email cada. Em outras palavras, seus usuários fiéis estão recrutando outros usuários fiéis.

4. As assinaturas digitais funcionam se você oferecer notícias e informações que não são disponíveis em outro lugar e em formatos que ninguém mais oferece.

a) O Business of Fashion lançou um serviço de assinatura em 2016 com um paywall híbrido. Um usuário pode ler cinco artigos por mês gratuitamente antes de se inscrever. Parte do conteúdo está disponível apenas para assinantes e a assinatura é de EUR216 (US$265) por ano.

Embora muitas publicações esperem converter talvez 3 a 4 por cento de seu público digital total em assinantes pagos, Amed disse ao Digiday que sua taxa de conversão está bem acima dos 10 por cento.

b) O patrocínio de publicidade responde por 60 por cento da receita do TheSkimm, mas elas também trabalham com várias outras áreas de receita. Agora monetizam eventos, oferecem um aplicativo de assinatura que integra informações pessoais e profissionais para o usuários por US$29,99 por ano e têm um podcast diário.

5. Oportunidades de crescimento

a) O Business of Fashion tem agora uma equipe de 75 pessoas trabalhando em Nova York, Londres e Xangai. Amed vê uma enorme oportunidade no alcance global da publicação. Embora a indústria em cada país tenha tipicamente várias publicações focadas no mercado interno, ele acredita que elas são as primeiras a reconhecer e capitalizar sobre a globalização das tendências da moda.

A empresa lançou uma escola online com vídeos de personalidades da indústria da moda sobre temas como "A arte e a ciência da compra e do merchandising".

b) O TheSkimm recentemente angariou US$12 milhões em uma rodada de investimentos liderada pelo Google Ventures e agora conseguiu um total de US$28 milhões de investidores. A equipe é formada por 67 funcionários, e um artigo recente na Fast Company sugeriu as melhores maneiras de conseguir um emprego lá.

As fundadoras do TheSkimm frequentemente falam sobre como seu bem mais importante é a confiança do público. Confiança e credibilidade têm valor econômico.

James Breiner, ex-bolsista Knight do ICFJ, lançou e dirigiu o Centro para o Jornalismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica. Este post apareceu originalmente no blog News Entrepreneurs de James Breiner e é publicado na IJNet com permissão. 

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