Dicas e ferramentas para jornalistas que recebem ataques online

porNatasha Tynes
Feb 24, 2015 em Segurança do jornalista

Enquanto os jornalistas dependem mais da mídia social para se conectarem com fontes, também estão enfrentando ataques online, como resultado dos tópicos que abrangem. Recentemente escrevi sobre a minha experiência em lidar com ataques online de partidários do Estado Islâmico em um post publicado no Huffington Post.

Hoje em dia, a maior parte dos ataques acontece em sites de mídia social como o Twitter. Dick Costolo, CEO do Twitter admitiu recentemente em um memorando vazado que a empresa "é uma droga em lidar com trolls e abuso". Alguns usuários e jornalistas têm se encarregado de lidar com o assédio. Entre eles está Michelle Ferrier, a primeira colunista mulher e afro-americana no Daytona Beach News Journal, que teve de lidar com a sua parte do assédio.

Esta experiência levou-a a colaborar com outras mulheres jornalistas para criar Trollbusters, uma plataforma --atualmente em desenvolvimento-- que permite que mulheres nos meios digitais sofrendo ataques online possam digitar a URL de uma mensagem ofensiva para localizar o troll. A plataforma recebeu o prêmio máximo na hackatona "Cracking the Code" da International Women Media Foundation.

Usando a tecnologia de análise de rede desenvolvida por alunos de Michelle na Universidade de Ohio, Trollbusters irá identificar "ninhos de trolls", ou grupos online de agressores. A vítima também receberá o apoio de uma comunidade online que vai lutar contra a enxurrada de abuso com mensagens positivas.

Quando perguntada sobre o conselho que daria para jornalistas enfrentando ataques online, Michelle deu as seguintes dicas:

- Se estão ameaçando com lesão corporal, vá à polícia e documente o assédio (ou seja, guarde capturas de tela de ameaças/mensagens abusivas).

- Se estão insultando você (mas não estão ameaçando), afaste-se do computador.

- Se estão atacando a sua reputação profissional, peça a a amigos para apoiá-lo e fornecer endossos profissionais.

- Alguns jornalistas têm lidado com o problema revelando os trolls. Nenhuma pesquisa foi feita sobre a eficácia dessa estratégia, mas isso funciona como um alerta a outros sobre potenciais trolls.

Ferramentas similares que têm sido desenvolvidas para combater os ataques online incluem Block Together, um aplicativo desenvolvido por Jacob Hoffman-Andrews da Electronic Frontier Foundation (EFF). O app combate assédio no Twitter. Outra ferramenta é o Block Bot, que bloqueia as "pessoas mais desagradáveis" no Twitter.

"Eu acho que os jornalistas devem tomar cuidado extra para diferenciar entre o assédio, que é [algo] pessoal, e a crítica, que pode ser terrível e persistente, mas é sobre ideias", Jillian York, escritora, blogueira e diretora para Liberdade de Expressão Internacional na Electronic Frontier Foundation, disse à IJNet.

Jillian, que disse que foi atacada por sua "posição sobre a Palestina" e também por sua visão sobre "feminismo" e "liberdade de expressão", aconselhou os jornalistas a uso o botão de bloqueio no Twitter.

"Eu acho que a melhor ferramenta para jornalistas, ou qualquer figura pública, é cuidar de si mesmo", disse ela. "Saia das redes sociais um pouco, faça um chá, medite. Envolva seus amigos para ajudarem você a combater os trolls com contra-argumento, se necessário. E converse com seus amigos, especialmente colegas jornalistas, sobre o assédio --não devemos ter que lidar com isso sozinhos."

Imagem sob licença CC no Flickr via thamirainbow