Como um programa de treinamento de jovens jornalistas evoluiu desde 2000

porDoug Mitchell
Jul 18, 2014 em Jornalismo digital

O programa Next Generation Radio da Rádio Pública Americana (NPR, em inglês) foi lançado em 2000 como um treinamento prático com distribuição online para atrair estudantes universitários talentosos, especialmente de minorias raciais, à rádio pública.

Deu certo. Nossa lista de ex-alunos inclui algumas das mais recentes vozes no ar da rádio pública. Entre elas estão Audie Cornish, co-anfirião do All Things Considered; Celeste Headlee, anfitriã reserva do Tell Me More, agora com a Georgia Public Broadcasting; e Shereen Marisol Meraji do Code Switch. Dezenas de graduados da próxima geração estão agora em estações da mídia pública, e vários trabalham agora como diretores de notícias.

Realizamos mais de 50 oficinas em convenções, universidades e estações associadas à NPR. Mais de 300 estudantes participaram do treinamento. Eu e Traci Tong do programa The World da Rádio Pública Internacional (PRI, em inglês) treinamos jornalistas de rádio desde 1994, e o cinematógrafo e engenheiro de som Tom Krymkowski se juntou a nós no início de 1999. Temos juntos 55 anos de experiência com oficinas de estilo boot camp, formando estudantes universitários na arte de reunir áudio, escrita, edição e produção no estilo da mídia pública, tudo voltado para o desenvolvimento de uma nova geração de contadores de histórias.

Desde a fundação do Next Generation em 2000, começamos ensinando os alunos a reportar e produzir um noticiário no mesmo dia e evoluímos para desenvolver matérias mais profundas que são a marca da mídia pública nos Estados Unidos.

Após o nosso mais recente treinamento intensivo na Universidade de Nevada-Reno, falamos sobre as lições que aprendemos durante os últimos 14 anos em que nós trabalhamos para conseguir uma maior diversidade de jornalistas em redações na mídia pública. Aqui estão algumas de nossas ideias:

Traci Tong, produtora sênior/diretora da PRI/correspondente do "The World" da BBC:

  Nós ensinamos como manter [a história] simples e que "bom o suficiente" não é bom o bastante quando se trata de preservar a arte de contar histórias, principalmente dentro da mídia pública. Não acredito que você possa se tornar um especialista em alguma coisa antes de primeiro ser treinado para conquistar coisas simples.

As novas palavras-chave para nossa redação? Tecnologia e redes sociais.

Nossos projetos têm evoluído para um meio inteiramente novo - uma cultura multimídia combinando áudio, visual, impresso e Web.

Tivemos que ensinar o aluno a se tornar repórter de redes sociais, além de especialistas visuais e de áudio. Isso significa que nós, os professores, tivemos de estar imersos nas últimas tendências de reportagem.

Antes da semana em Reno, três de nossos estudantes geraram ideias de pauta de posts no Facebook ou Twitter. Eles já tinham aprendido o negócio de se conectar a outras pessoas e construir relacionamentos através das redes sociais e foram capazes de entrar em comunidades normalmente não ouvidas.

E é aí que o nosso projeto tem especial ressonância e encontrou o futuro da nossa indústria. Nós não precisamos checar uma lista de bairros e comunidades para garantir a cobertura de uma diversidade de grupos. A maioria dos nossos alunos nasceram e foram criados nessas comunidades.

As redes sociais que estão ligados criam uma cultura de compartilhamento de informações, conhecimentos, vozes e sotaques. Usamos as redes sociais como ferramenta para comercializar e distribuir nossas matérias e ideias, e passamos grande parte do tempo ouvindo. A história de uma sobrevivente de estupro que se tornou colunista de sexo de Rocio Hernandez foi um exemplo perfeito de como os estudantes do New Generation foram capazes de acessar histórias utilizando ferramentas e experiência.

Tom Krymkowski, cinematógrafo, editor de vídeo, engenheiro de som:

  Estou feliz por ter escolhido desacelerar nossa abordagem ao longo dos anos. Estamos constantemente fazendo um ajuste fino, adicionando e removendo partes do processo, mas mantemos a simplicidade. Fornecemos um ambiente estruturado. Estabelecemos metas difíceis, mas alcançáveis​​. Monitoramos o progresso e pulamos para ajudar quando necessário. Em vez de simular uma redação diária, como fizemos no passado, nós reduzimos para entregar as lições mais importantes.

E, finalmente, acabamos passando a tradição de contar histórias orais, o que realmente é a base de onde tudo mais é construído.

Eu acho que temos que lutar ainda mais para garantir que o básico está sendo ensinado e os padrões mais elevados que defendemos são passados ​​para a próxima geração. "Bom o suficiente" é o canto da sereia do dia. Só porque podemos sair impunes com um trabalho de qualidade inferior não significa que devemos. Em suas salas de aula, os nossos alunos são convidados a se tornar um "faz tudo", e, infelizmente, mestres em nada. A cada ano, eles igualam o uso de seu conjunto de ferramentas cada vez maior com o conhecimento de reportagem. Nossa oficina em sua essência é um exercício de jornalismo de áudio com habilidades adicionais usadas ​​para apoiá-lo.

Estamos ensinando nosso ofício como sempre existiu e como está evoluindo. Mas eu acho que, finalmente, a força do programa se resume aos pares de mentor-aluno; a passar a tocha de uma geração para a seguinte. Essa é a parte que eu mais gosto, especialmente agora que eu me encontro mais no papel de mentor para os mentores.

Doug Mitchell:

Temos todas as ferramentas que qualquer um pode pedir quando se trata de coleta de histórias. Nós temos mais do que precisamos para distribuir essas matérias. O que continuamos a encorajar nos programas do New Generation é a capacidade de encontrar uma história falando com as pessoas, cara-a-cara.

Para isso, temos que continuar a insistir que nós cultivamos a arte de falar com as pessoas que são diferentes de nós mesmos.

Doug Mitchell, um jornalista digital e empreendedor, é fundador do "Next Generation Radio", da NPR que retorna este mês de outubro, em Seattle. Ele dá consultoria à NPR, ajudando jovens jornalistas a se conectarem com organizações de mídias públicas dos Estados Unidos. Ele é um ex-bolsista do Knight International Journalism Fellowship do ICFJ e bolsista Fulbright sênior no Chile.

Fotos cortesia de Doug Mitchell