Como quatro organizações jornalísticas apresentam ensaios sobre notícias

porDena Levitz
Nov 5, 2015 em Jornalismo básico

Há um boom de ensaios pessoais acontecendo no mundo da mídia no momento.

Publicações como o Refinery 29, Vox e o Washington Post convidam seus redatores e freelancers a contar sobre experiências, lugares e fenômenos através da ótica de primeira pessoa. E eles estão fazendo isso, dedicando seções especiais de seu site e editores específicos para gerir este gênero popular.

Muitos destes ensaios pessoais são perenes por natureza, dando ao leitor a noção do que é ser atingido por uma doença ou trabalhar em um campo profissional menos conhecido. Ou os ensaios estão desafiando os limites e chocando com o que os escritores estão dispostos a revelar: romances tabu, violência, crime e por aí vai.

Também, há os ensaios que estão servindo um valor diferente -- iluminando a notícia mais importante do dia. Ao contrário de um artigo de notícias ou noticiário padrão em que o espectador, vítima ou pessoa envolvida na notícia são entrevistados para fazer parte do produto resultante, eles estão oferecendo a sua própria história de uma forma mais completa. Como alternativa, alguns jornalistas estão usando um acontecimento oportuno ou tragédia para transmitir suas experiências sobre um incidente semelhante ou paralelo.

Aqui está uma compilação de alguns dos melhores ensaios pessoais centrado na notícia ao redor e o que faz eles funcionarem:

Título: “The Things They Carry” (As Coisas que Eles Carregam)

Publicação: Seção Opinionator do New York Times; 24 de setembro 2015

A crise dos refugiados é provavelmente a maior história do verão europeu e continua a ser. A cobertura de notícias tradicional sobre onde os refugiados vão e os perigos que estão enfrentando para chegar lá é certamente crucial. Mas o que esse ensaio, por Marie Myung-Ok Lee, faz tão bem é explorar o porquê. O que faz alguém deixar para trás o que conhece bem para uma potencial oportunidade em outro lugar e, quando eles fazem isso, o que passa pela cabeça deles? Isso é algo que a autora explora pintando um retrato da fuga de sua mãe da Coreia após a Segunda Guerra Mundial e no meio da divisão do país. Em seguida, ela é capaz de fazer comparações ao que sírios, iraquianos e outros estão passando agora.

Título: “I’m a teenage Syrian refugee. Here’s why I left my family to reach Germany” (Sou um adolescente refugiado da Síria. Aqui está por que deixei minha família para alcançar a Alemanha)

Publicação: Vox; 5 de outubro de 2015

Certamente o título deixa claro o que este ensaio vai revelar. O escritor, que só é identificado por seu primeiro nome, sofre para escapar de sua pátria síria e, num sentido mais amplo, explica como as condições se desenvolveram para forçar uma fuga maciça. Ao ouvir isso da boca de alguém que realmente faz parte do que está acontecendo é poderoso de uma forma que provavelmente não seria possível com uma reportagem mais padrão. A Vox também usou a publicação deste ensaio significativo para apresentar conteúdo adicional relacionado ao lado dele, explicando as lutas dos países europeus para receber refugiados e as origens da crise síria.

Título: Why I’m Walking 100 Miles to See Pope Francis (Por que estou andando 100 milhas para ver o Papa Francisco)

Publicação: TIME; 15 de setembro de 2015

A visita histórica do Papa Francisco aos Estados Unidos foi um assunto que atraiu a atenção global. De papamóvel ao vídeo ao vivo de seus muitos discursos e encontros, os relatos de seu tempo ao longo desses dias estava em todos os lugares. Este ensaio fornece um ponto de vista ligeiramente diferente sobre a visita. É sobre uma mulher -- uma de muitos -- que estava desesperada para estar lá e dar uma mensagem positiva sobre imigração para o líder da Igreja Católica. Por que alguém iria fazer tudo isso lança luz sobre o alcance do Papa e o sentido de que ele é diferente de seus antecessores.

Título: “Being a doctor who performs abortions means you always fear your life is in danger” (Ser um médico que faz abortos significa sempre ter medo de que sua vida está em perigo)

Publicação: Seção Everything do Washington Post; 29 de outubro de 2015

Enquanto as eleições presidenciais aquecem nos Estados Unidos, o aborto é uma questão que tem agitado o debate e é cada vez mais discutido, especialmente em relação a denúncias pelos conservadores que desafiam a organização de assistência social Planned Parenthood. Este ensaio se destaca porque olha para a questão de um ângulo original -- a do médico que faz abortos e se sente como um alvo de um debate político e, em sua mente, só está fazendo seu trabalho. Não importa onde o leitor está na questão do aborto, é de abrir os olhos para ouvir o lado da pessoa que realiza o procedimento controverso.

Imagem sob licença CC no Flickr  via Magic Madzik