Como a NPR está dando prioridade ao celular

porJessica Weiss
Oct 2, 2013 em Jornalismo móvel

Quando os designers de jornalismo dizem a Brian Boyer que querem criar novos projetos grandes e detalhados online, ele os incentiva a pensar pequeno.

Quer dizer, pensar na tela menor.

Boyer, o editor de aplicativos de notícias da National Public Radio (NPR), em Washington, sabe que mais consumidores do que nunca estão acessando notícias em seus dispositivos móveis, e que as organizações de notícias estão vendo nivelar o tráfego de desktops para seus sites.

"Designers dizem que não podem fazer gráficos, tabelas e diagramas para uma tela pequena", disse Boyer durante a recente Hacks/Hackers Buenos Aires Media Party, mas "eu falo, se não funciona no celular, não funciona."

Esta abordagem, conhecida na publicação de notícias como "primeiro o celular", reflete a realidade de estatísticas robustas para o uso da tecnologia móvel. De acordo com um número de reportagens, um consumidor médio nos Estados Unidos e Reino Unido gasta quase duas horas por dia no celular. Em algumas regiões, como muitas partes da África, os usuários estão ultrapassando completamente os computadores e vão direto para o celular. A divisão de celular e desktop na NPR é quase 50/50.

Embora os dispositivos móveis nos Estados Unidos foram durante muito tempo ligados ao caminhar pela rua ou dirigir o carro , "[tecnologia] móvel não é mais igual a movimento", disse Boyer.

De acordo com a Business Insider, 77 por cento das pessoas nos Estados Unidos usam telefones celulares quando estão deitados na cama, 70 por cento enquanto assistem TV, 65 por cento enquanto esperam por algo e 41 por cento no banheiro.

Com isso em mente, Boyer e sua equipe --dois desenvolvedores de software, três designers, um repórter e um estagiário-- criou aplicativos para ser "mais do que apenas algo que se encaixa no tamanho [da tela] de um telefone."

"O celular não quer dizer uma experiência menor", disse Boyer. Os usuários móveis "esperam que toda a Internet funcione corretamente. Nosso trabalho é fazer com que funcione para eles."

Notícias móveis devem ser orientadas para o que Boyer chama de "quebras no dia das pessoas" - "[o tempo] entre momentos", disse ele, "tipo antes de ir trabalhar, enquanto estão indo se transportando, na cama depois que as crianças estão dormindo."

Novo site móvel da NPR, lançado em maio, responde à integração dos dispositivos móveis, como uma forma de obter notícias. Embora a tela seja menor, a experiência não é. O site móvel apresenta componentes como rolagem infinita, acesso aos comentários do artigo, busca avançada e oportunidades de escuta prolongada da NPR.

A equipe de aplicativos utiliza dados para construir recursos como bancos de dados por crowdsourcing, mapas, gráficos , vídeo e fotos para a cobertura da NPR É projetado para funcionar em todos os dispositivos , incluindo móveis.

O recém-lançado NPR Playgrounds Project é um banco de dados por crowdsource interativo que mostra parquinhos acessíveis a cadeirantes.

A equipe tem visto crescer o número de usuários que acessa os recursos da Web via celular. Até o final do ano passado, a maioria dos aplicativos chegava a uma média 10 a 20 por cento do tráfego móvel. Mas o aplicativo das eleições 2012 foi acessado por 50 por cento dos usuários de celular.

O aplicativo Fire Forecast da NPR foi lançado em março. Mostrando grandes incêndios e previsões de condições para queimadas, o recurso foi acessado por 25 por cento dos usuários via celular. Pouco tempo depois, outro aplicativo, Buried in Grain, teve um alcance de 31 por cento móvel.

A chave para dar prioridade ao celular , Boyer disse , está em pensar: "Quem são seus usuários e quais são as suas necessidades?"   "Nós não fazemos jornalismo para nossa própria satisfação", disse Boyer , "por isso, se as pessoas não podem usar as suas coisas porque estão no ônibus, você está fazendo errado."

Imagem do usuário Bjørn Giesenbauer sob licença Creative Commons via Flickr.