Como jornalistas usaram as redes sociais para cobrir os maiores eventos de 2014

porJessica Weiss
Dec 23, 2014 em Redes sociais

Com mais de 2 bilhões de pessoas usando ativamente as redes sociais por mês, a importância para o jornalismo é incontestável.

Embora Facebook concentre mais da metade destes usuários, cada mensagem instantânea, micro-vídeo ou aplicativo social que aparece representa uma nova plataforma para contar uma história, e o jornalismo está aproveitando. 

Aqui estão as maneiras mais interessantes como repórteres usaram (e abusaram) a mídia social para cobrir as principais manchetes do ano,

A Copa do Mundo

Jornalistas que cobriram o maior evento da mídia social foram ativos no Twitter, tanto para reportar sobre o esporte e números, como para comentário social e acontecimentos no Brazil.

Como parte da cobertura, fotojornalistas da AP em todo o Brazil usaram Instagram para destacar “as cenas diferentes de bastidores do principal acontecimento de futebol.”

Fusion, uma rede de TV a cabo com notícias e entretenimento para a geração do milênio, usou live-blogging e o “honeycomb” (favo de mel), um agregador social construído no site de futebol da Fusion que destacou conteúdo de mídia social com base em local e influência. Para esta cobertura, dois a três editores da Fusion por vez pesquisaram e acompanharam 12 estádios onde o campeonato aconteceu, com base em elementos-chave como hashtags e a influência das pessoas no estádio,  IJNet reportou em outrubro.

"Sim, eu disse - #copadomundo2014 será o evento mais tuitado DE TODOS OS TEMPOS. Na verdade, um executivo de Twitter brasileiro falou isso então tem que ser verdade."

Alguns jornalistas também usaram dados das redes sociais para inspirar e informar as matérias. Por exemplo, durante o jogo EUA vs. Alemanha, o jornalista Reuben Fischer-Baum escreveu que a palavra “Nazi” foi mencionada 30.000 vezes no Twitter, especialmente nos minutos em volta do gol da Alemanha. Isso provou que "os estereótipos são recorrências comuns quando se trata de xingamentos", escreveu,” o CJR, acrescentando: "Vai ser interessante ver como os dados das redes sociais vão se desenvolver como uma fonte em tempo real para explicar o comportamento das pessoas no que diz respeito ao esporte e além."

Ebola

Em julho, jornalistas de todo o mundo começaram a se esforçar para cobrir o surto mais mortal de ebola da história. Este tem sido um desafio não por causa da enxurrada de informação ruim que circulou na mídia social, mas também pela presença fraca e devagar da mídia social nos locais onde o surto é mais forte. 

Além de sites de saúde pública como o da Organização Mundial de Saúde, a BBC África foi um influenciador importante no Twitter sobre ebola, segundo dados do Symplur, um analisador de mídia social sobre saúde. A BBC também lançou um serviço de saúde pública sobre ebola no WhatsApp, destinaddo a usuários na África Ocidental. O serviço forneceu “áudio, alertas de mensagens texto e imagens para ajudar as pessoas a obter as últimas informações de saúde pública para combater a propagação do ebola na região”, segundo a BBC.

De Serra Leoa, Alex Thomson, correspondente-chefe do Channel 4 do Guardian, virou notícia depois que seus Vines mostraram imagens fortes da situação. 

“Assim como o tuite é uma versão resumida de um post de blog, que é uma versão resumida de um artigo, um Vine é uma versão resumida de uma matéria de TV, que é uma versão resumida de um documentário”, disse Marc Blank-Settle, do BBC College of Journalism, ao Guardian. “A ferramenta em si é incrivelmente fácial de usar. Realmente está aproveitando o poder do Twitter para compartilhar notícias e informação rapidamente.”

Protestos de Ferguson

Tim Pool, diretor de inovação de mídia da Fusion, é o epítome do contador de histórias social. Pool, que abandonou a faculdade, primeiro se tornou conhecido em jornalismo pelo uso de drones e wearables para transmitir ao vivo fatos noticiosos, dos protestos de ocupação de Wall Street em 2011 a manifestações no Oriente Médio. Seu estilo único existe no cruzamento entre as mídias sociais e tradicional.

Após protestos começaram com a decisão de um grande júri em não indiciar o policial que matou o jovem Michael Brown em Ferguson, Missouri, nos EUA, Pool também foi ao local para a Fusion, publicando conteúdo em todos os principais canais sociais, incluindo Twitter, Instagram, LiveStream, Vine e YouTube. Ele usou esses canais para levar histórias a seus dezenas de milhares de seguidores.

 

A photo posted by Tim Pool (@timcast) on

Enquanto cobria os protestos, Pool conseguiu conduzir um Reddit AMA (“Ask me Anything” ou "Pergunte-me Qualquer Coisa") que atraiu 600 comentários.

Pool é claro sobre sua antipatia em relação ao caminho da mídia tradicional, ou "MSM" (mainstream media), e muitas vezes cobre histórias, dizendo "São as pequenas histórias dentro da história maior que a MSM perde... A mídia oferece esta cobertura 'cobertor' e você perde os momentos mais importantes."

"Acho que o futuro é para o indivíduo," Pool escreveu. "As redações terão que se adaptar para ter seus canais como ser um coletivo e não um único canal."

Conflito em Gaza

Opiniões e informações inundaram as plataformas de mídia social, durante a ofensiva de Israel em Gaza em julho. Mas a mídia social também estava cheio de uma quantidade sem precedentes de desinformação e preconceito, a criação de uma "guerra de informação", e um ambiente desafiador para os jornalistas que cobriram a notícia.

Uma análise de Abdirahim Saeed da BBC Árabe descobriu que alguns imagens que circularam com a hashtag #gazaunderattack foram recicladas de muito tempo atrás desde 2007. Algumas nem eram de Gaza. Então as organizações de mídia tiveram que usar ferramentas de busca reversa — que mostram se uma foto tinha sido publicada anteriormente online  — para determinar a fonte de fotos, disse  Chris Hamilton, editor de mídia social daBBC. "A mídia social é um tipo de acelerador de informação ruim e, ao mesmo tempo, a melhor ferramenta para acabar com boatos", Craig Silverman, um dos autores do manual Verification Handbook, para a Global Editors Network numa entrevista.

Num conflito em que é especialmente difícil para jornalistas serem imparciais, alguns poucos jornalistas se destacaram (e foram parabenizados) pela cobertura justa via redes sociais. Ayman Mohyeldin, um correspondente estrangeiro da NBC News, foi removido de Gaza e enviado novamente para a região dias mais tarde, depois de reclamações nas redes sociais. Sua cobertura do conflito gerou o respeito de colegas jornalistas. E a correspondente de Jerusalém para o New York Times, Jodi Rudoren, usou sua página no Facebook para promover a discussão e debate sobre o conflito.

Acidente do voo MH17 da Malaysian Airlines 

Logo após a derrubada do voo 17 da Malaysian Airlines, em 17 de julho por um sistema de mísseis Buk, jornalistas e especialistas em mídia social foram à Internet para investigar  evento,  na ausência de informação oficial.

Usando imagens e vídeos, o projeto Open Newsroom do Storyful confirmou que membros da milícia separatista da 

República Donetsk "no mínimo" pareciam ter acesso a um sistema de mísseis anti-aeronaves capaz de um ataque como o realizado no avião.

E Eliot Higgins, o fundador britânico do site de jornalismo online Bellingcat, com a ajuda de alguns de seus seguidores do Twitter e ferramentas de código aberto, utilizou um vídeo do YouTube para identificar a localização de um lançador de Buk, enquanto estava sendo transportado por uma cidade dominada por rebeldes pró-russa na Ucrânia, perto da fronteira com a Rússia. Em novembro, menos de quatro m

eses depois do acidente, Bellingcat publicou um relatório de 35 páginas desacrevendo "informação sólida" que o sistema de mísseis Buk que derrubou o voo 17 da  Malaysian Airlines veio da Rússia e foi enviado de volta para lá depois do desastre. Como Mashable escreveu, Bellingcat foi capaz de desenterrar a "informação do MH17 mais rápido do que espiões norte-americanos."

Imagem cortesia de Ian Clark no Flickr sob licença CC