Cinco truques para turbinar seu Twitter

Aug 6, 2021 em Jornalismo básico
iPhone screen showing Twitter app

O Twitter é a rede social favorita de muitos jornalistas. Ou pelo menos a rede que eles mais usam para o trabalho. De acordo com o relatório State of Journalism 2021, do Muckrack, "76% dos jornalistas dizem que o Twitter é, para eles, a rede social mais valiosa".

Como todas as mídias sociais, o aplicativo não para no tempo. Só no ano passado, o Twitter disponibilizou — e depois encerrou — um recurso de stories (Fleets) e deu um passo em direção ao áudio social com o Twitter Spaces, sua própria versão do Clubhouse. O aplicativo também está testando no Canadá e na Austrália uma versão paga do serviço.

Enquanto isso, em meio a toda essa inovação, há também aqueles que preferem que o Twitter simplesmente foque suas energias em incluir uma função de edição. Dada a minha propensão a erros de digitação, confesso que sou uma dessas pessoas.

Até isso acontecer, há muitas funcionalidades existentes que normalmente são pouco exploradas. Confira abaixo cinco maneiras de jornalistas melhorarem o uso que fazem do Twitter:

(1) Melhore suas threads

As threads são um dos recursos mais usados pelos jornalistas no Twitter. Elas são uma ótima maneira de esmiuçar assuntos complexos, informar notícias de última hora e permitir que as pessoas se aprofundem em um tópico para além dos limites de um único tweet de 280 caracteres.  

Apesar de elas serem usadas com frequência, muitos de nós poderíamos nos beneficiar sendo mais determinados com nossas threads.

Ao manter sua thread visualmente atraente, você deve buscar usar toda a gama de ferramentas criativas à sua disposição. Use imagens, gráficos, GIFs, memes, vídeos etc., assim como citações de comprimentos variados.

Certifique-se de linkar para outras pessoas que estejam tuitando sobre o assunto, marcando pessoas e lugares relevantes (pelo seu @nomedeusuario) para estimular retweets. Isso inclui outros jornalistas e fontes oficiais.

Os links são seus amigos. Porém, normalmente eles estão ausentes. Está tuitando sobre um estudo? Forneça o link dele. A coletiva de imprensa está sendo transmitida ao vivo? Compartilhe onde as pessoas podem assisti-la. Está cobrindo uma nova exposição que é sucesso de bilheteria? Explique como seus seguidores podem conseguir os ingressos.

Por último, além de numerar os seus tweets — bastante útil quando as pessoas encontram um conteúdo fora da ordem —, considere fazer uma recapitulação ou um outro tweet que deixe claro onde a thread termina, ao invés de simplesmente terminar a sequência abruptamente ou sumir do nada.

 

 

(2) Destrave a pouco conhecida função de busca reversa

Essa dica é curta e grossa. Quer saber quem compartilhou uma matéria sua mas não marcou você no tweet? Não se preocupe, tem uma solução muito simples para isso.

Simplesmente coloque a URL em questão na barra de busca e dê enter. Os resultados vão te mostrar todas as vezes que aquela URL específica (inclusive quando foi encurtada) aparece no Twitter.

 

Graphical user interface, text, application Description automatically generated


Imagem: exemplo de resultados de uma busca no Twitter de um texto da IJNet.

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(3) Use o Twitter Moments para fazer uma curadoria de suas matérias e dos seus tweets mais famosos

Eu sou um grande fã da ferramenta de curadoria disponibilizada pelo Twitter no canto direito da versão para desktop. Eu não fico o tempo todo no Twitter (embora a FOMO, como resultado, seja real) então isso me dá uma boa oportunidade de me inteirar rapidamente de qualquer assunto que eu tenha perdido.

A função Twitter Moments oferece aos usuários a chance de fazer praticamente a mesma coisa, ao realizar curadoria de conteúdo a partir de uma variedade de fontes na rede social. O Moments já existe há um tempo e ainda não decolou, em parte por ser difícil de achar e só poder ser usado no desktop. Mesmo assim, a função de curadoria pode ser bastante útil, especialmente para notícias de última hora.

Jornais como o New York Times e o Washington Post usam o recurso diariamente como uma forma de captar a amplitude de seu conteúdo em um determinado tópico e, às vezes, as reações a ele.

Jornalistas podem fazer o mesmo, compartilhando reações às suas matérias, agregando conteúdo de outras pessoas — tanto de jornalistas quanto de não-jornalistas — para dar destaque à visão geral de um assunto, ou usando a função para arquivar threads e outros conteúdos que de outra forma poderiam se perder.

A criação dos Moments é bastante intuitiva. Para um guia rápido, dê uma olhada na última dica de Sarah Marshall, diretora sênior global de desenvolvimento de audiência, mídias sociais e analytics na Vogue. (Precisa de mais? Este guia do Buffer oferece um tutorial visual.)

(4) Organize-se com a ajuda de listas

Outra ferramenta de curadoria bem útil do Twitter são as listas. Mais uma vez, apesar de elas existirem há um tempo, seus benefícios podem ser subutilizados por alguns jornalistas.

Eu tenho o terrível hábito de fazer um print da bio de um usuário do Twitter quando quero registrar uma pessoa com quem eu possa querer me conectar. Essa imagem então fica na minha galeria de fotos, inventivamente se perdendo em meio a todas as fotos dos meus filhos, dos meus gatos e das minhas refeições.

Um jeito melhor de fazer isso é adicionar perfis a uma lista do Twitter. As listas podem ser sobre um assunto em particular, um lugar ou uma instituição. Você pode então adicionar ou remover mais pessoas da lista ao longo do tempo e consultar sempre que quiser saber o que as pessoas naquela lista compartilharam no Twitter.

 

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As listas são muito úteis quando você quer mergulhar em um assunto ocasionalmente sem necessariamente seguir todas as pessoas relacionadas ao tópico. Você pode manter as listas privadas se quiser. Você também pode ver em quais listas públicas as pessoas te adicionaram e seguir listas criadas por outras pessoas.

O processo de criar as listas pode ser um pouco cansativo — você tem que adicionar um usuário por vez — mas é fácil de fazer e perfeito para quando você precisa fazer um trabalho administrativo ou algo mais discreto.

 

 

(5) Use a busca de geolocalização de um jeito mais específico

Por último, o Twitter te permite buscar tweets por localização. Isso pode ser especialmente útil em casos de notícias de última hora, quando você quer incluir conteúdo de testemunhas e reações ou quando você precisa identificar fontes associadas com um lugar específico. Neste link do Thought Faucet há bons exemplos disso, enquanto o Bellingcat mostra o quanto você pode usar esse recurso para aprofundar em um assunto.

Para fazer isso você precisa incluir a latitude e longitude de um local, o que pode ser feito online.

Depois que fizer isso, você pode filtrar por distância e localização — permitindo que você amplie o alcance a reações e fontes de um lugar específico. Por exemplo, se eu quisesse ver tweets no raio de um quilômetro do Capitólio dos Estados Unidos, eu colocaria na busca do Twitter: geocode:38.890550,-77.009017,1km

 

Graphical user interface

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Imagem: Busca por geolocalização no Twitter em 27 de julho de 2021 às 8h54 (horário de Brasília)

 

Isso pode ser uma maneira útil de obter reações das pessoas a um assunto local ou a questões maiores ou de identificar fontes de uma área específica. Para repórteres de editorias locais, por exemplo, esse pode ser uma boa maneira de obter rapidamente a visão geral de uma situação — e um jeito em potencial de impressionar seus colegas de trabalho.

 

 

O valor e a flexibilidade dessa função, assim como de outras incluídas nesse texto, significa que todas essas ferramentas do Twitter devem estar no seu kit básico de jornalismo — isso se elas já não estiverem.


Foto por Joshua Hoehne no Unsplash.


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Freelance writer

Damian Radcliffe

Damian Radcliffe is the Carolyn S. Chambers Professor in Journalism at the University of Oregon, a fellow of the Tow Center for Digital Journalism at Columbia University, an honorary research fellow at Cardiff University’s School of Journalism, Media and Culture Studies, and a fellow of the Royal Society for the Encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA).