Aplicativo SmartNews gera tráfego, mas e receita?

porLaura Hazard Owen
Aug 1, 2019 em Temas especializados
Apps

Nos últimos meses, editores americanos podem ter percebido um influxo de tráfego vindo de uma fonte diferente: o SmartNews, um aplicativo de notícias que foi fundado no Japão em 2012 e opera nos Estados Unidos desde 2014. A empresa foi maior fonte de tráfego externo este ano do Parse.ly , crescendo a uma média de 8,8% ao mês em todos os 3.000 sites analisados.

 

As publicações estão satisfeitas com esse tráfego. Mas se o SmartNews, que agora conta com 15 milhões de usuários ativos mensais globalmente, pode ser mais do que um gerador de tráfego — se pode realmente converter leitores em assinantes — ainda é uma questão.

Ao contrário de outros concorrentes, como o Flipboard, o SmartNews não exige nem permite que os usuários façam login. Todos que abrem o aplicativo veem praticamente a mesma coisa: listas de notícias nas categorias "Top", "Entretenimento", "Estilo de vida", "EUA", "Política", "Esportes", "Biz", "Tecnologia, "Science", "Buzz", "Social" (onde você pode conectar sua conta do Twitter para que o SmartNews extraia histórias compartilhadas lá) e "Discover" (onde você pode escolher o que seguir). Clique em um artigo e você o verá da mesma forma que no site para dispositivos do editor, com anúncios e tudo mais. Também é possível selecionar uma versão "SmartView" simplificada e de carregamento rápido se sua conexão com a internet estiver ruim. (Esse recurso foi originalmente construído para usuários japoneses no metrô de Tóquio.)

"Estamos deliberadamente otimizados para a descoberta de notícias, em oposição à personalização excessiva", disse Rich Jaroslovsky, vice-presidente de conteúdo e jornalista-chefe do SmartNews. (Nos círculos de jornalismo digital, ele provavelmente é mais conhecido como o fundador da Online News Association em 1999; a ONA oferece um Prêmio Fundador Rich Jaroslovsky todos os anos.) Ele supervisiona parcerias com cerca de 370 editores de língua inglesa, bem como o conteúdo nas edições norte-americanas e internacionais do SmartNews nos EUA (a edição em japonês é gerenciada separadamente). Ele e outros executivos do SmartNews gostam de dizer queo o SmartNews “rompe bolhas de filtro”: a experiência central do aplicativo foi projetada para apresentar uma diversidade de conteúdo, incluindo coisas que você não sabia necessariamente que poderia se interessar.

“Esperamos que os usuários retornem porque estão descobrindo algo novo”, disse a vice-presidente sênior de produtos Jeannie Yang: “No centro está o que chamamos de descoberta personalizada, que é diferente de personalização ou recomendação personalizada. Como entendemos qual é a zona de conforto do usuário? Como podemos expandir além desse interesse para revelar joias escondidas e também realmente sair de sua bolha de filtro?”

O algoritmo apresenta algumas sugestões com base no que os usuários já gostaram e clicaram. Mas o objetivo é em grande parte fornecer notícias rapidamente, não revelar artigos que você poderia ter perdido de outra forma. Isso o diferencia de sites como Flipboard e Pocket.

"As origens do Flipboard eram focadas no iPad e, para mim, pelo menos, o Flipboard ainda é muito mais uma experiência simples, algo que você vê quando tem tempo", disse Jaroslovsky quando perguntei sobre as diferenças entre os aplicativos. “Eu considero o SmartNews uma experiência mais enxuta, algo que você olha quando não tem necessariamente muito tempo.”

Os editores com quem falei veem o SmartNews como um impulsionador de tráfego bastante simples. A parceria requer apenas dar ao SmartNews seu feed RSS. Os editores, em seguida, têm acesso a um painel de análise e podem colocar sua própria publicidade no SmartView e manter 100% dessa receita. Bobby Blanchard, gerente de mídia social do Texas Tribune, disse que o tráfego da publicação a partir do SmartNews varia muito, mas nos raros casos em que um dos artigos do site é incluído na tela "Top" do SmartNews, há um grande pico de tráfego. 

A MIT Technology Review começou a trabalhar com o SmartNews em fevereiro. "Desde então, temos visto um crescimento de 16,92%, mês após mês, vindo do SmartNews", disse Rosemary Kelly, diretora de desenvolvimento de público da publicação. O SmartNews representa 4,3% do tráfego de referência geral do Review.

“Temos uma audiência internacional muito ampla no Tech Review, queremos continuar a crescer, e isso parece uma coisa fácil de testar”, disse Kelly. “A esperança é que os leitores do SmartNews assinem nosso boletim informativo” e que os mais engajados se tornem assinantes.

"Esses são ótimos testes", ela acrescentou, "mas, no final, se eles não se tornarem assinantes ou gerar receita de alguma forma, sejam eventos ou assinaturas, isso significa apenas tráfego para o site."

Enquanto isso, o Vice obteve sucesso com a iniciativa do SmartNews de recomendação de conteúdos.  Publicações associadas podem sugerir matérias para promover quando, por exemplo, têm exclusividade ou artigos que se saem particularmente bem.

Como o SmartNews não exige que os usuários façam login, "nossas informações demográficas não são tão ricas quanto poderiam ser de outra forma", disse Jaroslovsky. A pesquisa tanto interna quanto externa tende a sugerir que o público do SmartNews nos EUA é amplo, com idades entre 30 e 54 anos, e um pouco mais masculino do que feminino. Há também diferenças interessantes entre o público dos Estados Unidos e do Japão. "As notificações e os alertas de notícias que enviamos nos EUA são grandes impulsionadores de tráfego para nós e para nossos editores parceiros", disse Jaroslovsky. “O Japão é menos uma cultura de notícias de última hora e enviamos mais alertas de notícias nos EUA do que no Japão”. As interfaces de aplicativos dos Estados Unidos e do Japão também são diferentes: os japoneses tendem a deslizar da esquerda para a direita, enquanto os americanos preferem fazer scroll.

No Japão, nos últimos dois anos, o SmartNews teve programas que enviam não apenas tráfego, mas também receita para seus mais de 2.000 parceiros de publicação japoneses; no próximo ano, esses também serão expandidos para os Estados Unidos. "Nos EUA, temos sido mais uma fonte de tráfego do que de receita, mas isso vai começar a mudar", disse Jaroslovsky. “Se o ecossistema da mídia for saudável, o SmartNews é saudável. Isso vai ser um impulso importante daqui para frente.”


Este artigo foi publicado originalmente pelo Nieman Lab e reproduzido na IJNet com permissão.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Saulo Mohana