Aplicativo conecta comunidade e mídia na África do Sul

porAshlin Simpson
Aug 15 em Miscellaneous

Todos os sábados de manhã, os moradores do assentamento informal de Mzondi, na periferia de Johanesburgo, recebem notificações do Grassroot, lembrando-os de sua reunião semanal. A agenda geralmente foca em desenvolvimento. Nesses encontros, os moradores construíram habitações informais, cavaram suas próprias fontes de água e criaram infraestrutura de saneamento.

A organização sem fins lucrativos sediada em Johanesburgo desenvolve ferramentas para ativistas e líderes em comunidades marginalizadas, ajudando esses líderes a convocar reuniões, fazer votações e registrar decisões.

Em abril, eles lançaram um projeto chamado LiveWire, uma iniciativa que ajuda comunidades marginalizadas e pouco reportadas a se envolverem com a mídia tradicional.

Por meio da plataforma Grassroot LiveWire, os representantes da comunidade podem usar a função de alerta de imprensa para criar alertas de notícias para a mídia. Em seguida, o back-end do Grassroot complementa o alerta com informações sobre o tamanho do grupo e estatísticas sobre sua atividade anterior e, após uma revisão rápida, envia um e-mail para uma lista de agências de notícias.

Mzondi está localizado no Ivory Park, uma área densamente povoada entre o município de Joanesburgo e o município de Ekurhuleni e ocupada por mais de 182.000 sul-africanos negros. Vinte e sete por cento das casas nesta área são de habitações informais, incluindo o assentamento informal de Mzondi.

O assentamento de Mzondi reúne cerca de 300 barracas que são servidas por quatro banheiros de poço que a comunidade construiu. Dois desses banheiros não têm telhado. As estruturas são rudimentares e inseguras, construídas em superfícies irregulares.

A comunidade tem tentado, sem sucesso, pedir ao governo local para que sanitários apropriados sejam construídos na área. O problema é que Mzondi, que foi criado há dois anos, não é formalmente reconhecido nem por Joanesburgo nem pelo município de Ekurhuleni.

De acordo com um artigo do GroundUp, um representante do município de Ekurhuleni disse que estava ciente do acordo recentemente estabelecido e obteve uma ordem judicial em setembro de 2017 para despejar e demolir os barracos. Quando os líderes da comunidade entraram em contato com o Departamento de Água e Saneamento sobre a falta de banheiros na comunidade, disseram-lhes que o município não poderia construir banheiros na área por causa da ordem de despejo.

Frustrada, a comunidade se reuniu para trabalhar em conjunto para melhorar suas condições sem a ajuda do governo.

Como coordenador de divulgação do Grassroot, Katlego Mohlabane trabalha para encontrar líderes comunitários e integrá-los na plataforma Grassroot. Mohlabane encontra representantes da comunidade, engajando com organizações cívicas locais.

Inicialmente, as comunidades são céticas: "Estão preocupadas com o custo dos dados móveis envolvidos com o uso das ferramentas", disse ele. A equipe do Grassroot se certificou de que a plataforma funciona em qualquer tipo de conexão de dados ou telefone -- um grande obstáculo devido aos altos custos de dados móveis na África do Sul.

Mohlabane, que trabalhou de perto com a comunidade de Mzondi, ficou impressionado com sua determinação. Ele sugeriu uma campanha de crowdfunding para ajudá-los a levantar fundos para construir novos banheiros. Ajudou a comunidade a criar uma página no Thundafund e fez um vídeo dos líderes mostrando o estado dos banheiros. O alerta do Grassroot saiu logo depois.

Nos primeiros 52 dias, a campanha não recebeu apoio; essa falta de resposta desanimou a comunidade. A situação melhorou dramaticamente quando uma jornalista do GroundUp escreveu sobre a história. A repórter Zoë Postman contatou o Grassroot e, junto com Mohlabane, foi conhecer a comunidade de Mzondi. No prazo de um dia da publicação da reportagem de Postman, o Thundafund atraiu ZAR4.100 (US$300). No segundo dia, eles atingiram ZAR10.000 (US$745) e, no prazo de sete dias, conseguiram alcançar sua meta de ZAR68.890 (US$5.100).

Postman, que chegou há pouco tempo em Joanesburgo, disse que baixou o aplicativo Grassroot para ajudá-la a obter pautas e aumentar sua base de contatos. Ela normalmente recebe de duas a três notificações por semana, alertando-a de histórias; cerca de uma dessas notificações a cada semana resulta em uma matéria.

"Eu era nova na cidade e o Grassroot me ajudou a conseguir ideias e conectar com as pessoas", disse ela. “Gosto de falar sobre esta história porque é a razão pela qual eu entrei no jornalismo de justiça social. Ver essas pessoas realmente construindo banheiros é incrível. Voltarei para fazer uma matéria de seguimento depois da construção.”

Graças à ferramenta do Grassroot, a comunidade identificou um empreiteiro que desde então construiu 30 banheiros na área. Assim que o assentamento tiver acesso ao sistema de esgoto local, os banheiros serão totalmente funcionais, disse Mohlabane.

LiveWire por Grassroot é um projeto financiado pelo programa inovateAFRICA da Code for Africa.

Ashlin Simpson é gerente de programas do Code for Africa.

Imagem principal sob licença CC no Unsplash via Benny Jackson Imagem secundária cortesia de Katlego Mohlabane.