Andrew DeVigal: Por que multimídia é um esforço de equipe

porGabriel Guzman
Apr 13, 2015 em Jornalismo digital

Jornalistas que acumularam habilidades que vão desde codificação a fotografia e design podem deixar de lado suas caixas de ferramentas.

"Longe vão os dias do jornalista de mochila", disse Andrew DeVigal, um veterano de notícias e multimídia, em entrevista à IJNet. "Quando uma pessoa tenta fazer tudo, alguma coisa sofre".

DeVigal tem anos de experiência trabalhando e coordenando equipes multimídia como editor do New York Times, diretor de criação da empresa de storytelling interativo Second Story e diretor de design do Chicago Tribune. Ele é atualmente catedrático de Jornalismo Inovação e Engajamento Cívico na Universidade de Oregon; cofundador de A Fourth Actum coletivo que constrói comunidade e engajamento em torno de histórias; e faz curadoria do site Interactive Narratives, com as melhores narrativas visuais online.

A IJNet conversou com DeVigal sobre seu jornalismo multimídia, como organizações tradicionais de notícias estão transformando a maré digital e a importância de construir equipes para projetos interativos.

JNet: Como a maioria das reportagens interativas utiliza diversos tipos de mídia, você acha que a colaboração entre especialistas de diferentes plataformas de mídia é importante?

Andrew DeVigal: Definitivamente. Eu acredito muito em colaboração, uma vez que eleva a experiência das pessoas para alimentar o todo coletivo... Não me interpretem mal, certas pessoas provavelmente podem fazer uma ou duas, talvez até três coisas muito bem, mas quando começa a adicionar a complexidade de múltiplas plataformas de mídia, é mais sábio colaborar com alguém que pode fazer o trabalho melhor.

IJNet: Você acha que organizações de notícias mais antigas e estabelecidas como o New York Times estão incorporando essas plataformas efetivamente e, se não estão, que mudanças acha que precisam ser feitas no futuro?

AD: Marcas tradicionais como o Times estão seriamente incorporando novas plataformas de tecnologia para distribuir suas matérias e conteúdo. E é do interesse de startups se envolver com essas marcas tradicionais para que usem suas ferramentas, pois vão chegar a milhões de audiência já conquistada.

E eu diria que é bom pisar com cuidado e não simplesmente pular para o próximo objeto brilhante. Existem os custos reais e recursos para integrar verdadeiramente uma marca corporativa com novas plataformas de tecnologia.

Minha recomendação no passado, como eu faço com a minha própria marca pessoal, é [garantir que a plataforma original seja segura] e, lentamente, testar as águas antes de abrir o fluxo completo de engajamento. Também é necessário definir o sucesso de tal incorporação. São pageviews que você está tentando obter com essa colaboração ou é a percepção da marca em novos mercados?

IJNet: Pode dar algum exemplo de uma reportagem interativa "boa" e "ruim"? O que faz um matéria interativa ser "boa"?

AD: Eu prefiro não citar exemplos específicos, pois não é útil criticar projetos em um fórum público. No entanto, eu acho que nós precisamos de uma definição clara do que é "interativo". Em minha mente, interativo no jornalismo capacita o usuário a ser mais engajado com o conteúdo de tal maneira que ele ou ela controla a experiência ou tem a capacidade de escolher um pedaço da história ou informação por conta própria se quer seguir por um caminho diferente ou optar por ir um pouco mais fundo.

O que torna uma narrativa excelente é quando uma narrativa tem camadas que se revelam quando uma história é contada. Acrescentar interatividade basicamente embarca na ideia de permitir que o usuário revele as camadas com base em seus desejos e inclinação de ser informado.

IJNet: Tem algum conselho que gostaria de dar aos jornalistas que estão querendo entrar neste campo?

AD: Eu acho que você tocou em algo importante em sua primeira pergunta: colaboração e formação de equipe. Não acho que as pessoas reconhecem a importância de times neste novo mundo conectado. Não é nenhuma surpresa que um elemento da construção de equipe é identificar as lacunas de talentos em sua organização (ou equipe) para alcançar seus objetivos. Identificar, contratar e montar uma equipe interdisciplinar, com diversas origens vai preparar a organização para assumir os desafios existentes, bem como a antecipar os desafios em um ambiente inovador.

A colaboração acontece quando cada membro da equipe respeita a área de especialização do indivídup. Faz parte dessa colaboração a necessidade de cada membro respeitar a visão singular do líder do projeto. Especialmente em projetos que podem exigir várias perspectivas de diferentes disciplinas, um líder tem que cultivar esse ambiente de confiança e uma visão singular.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Cory M. Grenier - segunda foto sob licença CC no Flickr via keithwj