AJ+, Fusion e Timeline oferecem dicas para engajar geração do milênio

porJenny Manrique
Jan 7, 2016 em Diversos

A geração do milênio, ou jovens com idades entre 18 a 34, são uma força motriz na forma como as organizações de notícias estão moldando o seu conteúdo e dando a notícia.

Embora a grande mídia navegue o desafio (os "millennials" representam mais de 20 milhões das audiências do Washington Post e New York Times), as startups de jornalismo são as verdadeiras pioneiras na construção de conteúdo especificamente para este grupo demográfico.

A IJNet entrevistou jornalistas da AJ+, Fusion e Timeline sobre as melhores maneiras de atingir esse público cada vez maior

1. Vá onde o público está

"Homepage. Até a palavra soa velha. Hoje o jornalismo vive onde você vive." 

Esta mensagem é encontrada na página principal do Now This News, a firma de Nova York fundada pelo Huffington Post que tem mais de 2 milhões de seguidores no Facebook e se concentra totalmente em conteúdo distribuído.

"Menos pessoas querem ir para uma página para encontrar uma notícia", disse Michael Shagoury, produtor executivo da  AJ+, o canal de notícias online da Al Jazeera para geração do milênio, com cerca de 3 milhões de seguidores no Facebook. "Os consumidores mais velhos checam seus sites regulares como NYTimes ou a BBC. Os 'millennials' não têm esses hábitos; eles vão para o Twitter ou o Facebook para ver o que outros recomendam ou as páginas que assinam."

Para Alexis Madrigal, chefe de redação da Fusion no Silicon Valley, a indústria da mídia é um "jogo de atenção". A Fusion atinge mais de 8,5 milhões de visitantes únicos mensais, muitos deles da geração do milênio.

"Quem consegue a atenção das pessoas torna-se essencialmente concorrência para a mídia", acrescentou Madrigal. "Então, se é um aplicativo de mensagens, você deveria estar lá. A maior mudança deste mundo digital é que perdemos o controle sobre o meio de distribuição do nosso trabalho."

2.  Produza conteúdo mais visual 

"Quando começamos a Timeline como empresa, não pensamos em nós mesmos como produtores de vídeo", disse Michael Reilly, editor-chefe da Timeline, uma startup lançada em janeiro de 2015, que mostra fatos históricos obscuros relevantes para as questões atuais no principais meios de comunicação. "As pessoas realmente respondem ao conteúdo visual. Nosso público em plataformas sociais cresceu muito rapidamente organicamente.”

Quando o Facebook introduziu um recurso que autorreproduz vídeos sem som, startups de jornalismo começaram a construir o seu conteúdo em torno dele: grande quantidade de texto na tela, legendas, música de fundo, animações, gráficos e, em geral, conteúdo sucinto.

"Na AJ+, aprendemos que vídeos de curta duração, até dois minutos de duração, vão muito bem no Facebook", explicou Shagoury. "Quando se trata de Twitter, fotos e vídeo não editado (como Periscope) funcionam melhor. Para YouTube, nossas matérias são mais produzidas, incluindo documentários curtos de até 10 minutos. Isso nos mostra quais formatos são mais bem sucedidos em cada plataforma."

3. Entenda as dinâmicas das plataformas móveis 

Há uma forte diferença entre adolescentes e a geração do milênio mais velha no final dos 20 anos ou 30 anos. Adolescentes optam quase inteiramente pelo consumo em dispositivos móveis, então ter um ótimo site para celular é tão importante quanto entender como ele funciona para diferentes plataformas. Aplicativos de sucesso para a geração do milênio, como Instagram, Vine e Snapchat são projetados principalmente para o telefone.

"Começamos com um aplicativo porque acreditamos muito fortemente que o público que queríamos atingir estava voltado para o mobile", disse Reilly do Timeline, escolhido pela Apple como "melhor app" duas vezes. "Uma parcela substancial do nosso tráfego vem através de plataformas móveis, embora as pessoas possam acessá-lo em um desktop."

A partir de dezembro, a Fusion tornou-se uma entre poucas editorias com um canal na plataforma Discover do Snapchat para sua edição norte-americana. Snapchat usa vídeos verticais contra a sabedoria convencional de videógrafos profissionais, e tornou-se tão popular com a geração do milênio que mesmo os candidatos presidenciais dos EUA como Bernie Sanders aderiram à plataforma para alcançar os eleitores de primeira viagem.

4. Crie um tom forte

O "millenial" médio quer ouvir um tom ou uma opinião que lhes permita reagir a uma notícia, ao invés de apenas consumir os dois lados da história.

"Quando você está no newsfeed de alguém, está competindo com o casamento do seu amigo, uma lista do BuzzFeed ou um vídeo de gato", disse Shagoury. "Nós sempre pensamos: Será que eles vão se interessar pela história? Qual é a conexão na história com a qual o público pode se relacionar?"

Isso significa que a mídia está agora em condições de lutar por direitos ou chamar para a ação?

"A mídia é autoconsciente sobre o que pode fazer em termos de mobilização de pessoas. Somos melhor em um papel coadjuvante na exposição de uma injustiça e deixar que as pessoas sigam daí, embora às vezes façamos parte", disse Madrigal, citando a investigação da Fusion sobre confinamento solitário juvenil.

5. Busque engajamento e diversidade 

Editores concordam que o engajamento e retenção estão se tornando métricas mais importantes.

"Queremos garantir que as pessoas que clicam nos vídeos veem tudo e compartilham", disse Shagoury. "Nós também olhamos para ver se há uma conversa esclarecedora e cuidadosa em torno do conteúdo."

Como "millennials" são tudo menos uma audiência uniforme, há espaço para contar histórias diversas. Pode ser surpreendente o que se torna viral. Histórias com ótimas respostas incluem as raízes de por que as mulheres depilam as axilas (Timeline), um ensaio em primeira pessoa da estrela do YouTube Gaby Dunn sobre a dinâmica da fama e fortuna (Fusion) e um documentário curto sobre o encolhimento do Mar Salton (AJ+).

A Fusion está trazendo a voz da geração do milênio em sua reportagem também, concluindo o processo de candidatura para a sua bolsa Rise Up: Be Heard, um programa de treinamento em jornalismo de sete meses jovens entre 18 e 25 anos na Califórnia informarem sobre questões de saúde da comunidade.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Igor Zalbidea

Imagem secundária da redação da AJ+ por Jenny Manrique