9 dicas práticas para fazer entrevistas remotas

porDamian Radcliffe
Aug 19, 2020 em Jornalismo multimídia
Microfone, fones de ouvido e software de edição de áudio

Na era da COVID-19, muitos de nós tivemos que nos adaptar a novas formas de fazer as coisas. Trabalhar em casa e redações espalhadas se tornou parte do “novo normal” para muitos jornalistas. Isso geralmente significa modificar não apenas o que fazemos, mas como o fazemos.

Em muitas faculdades de jornalismo, tendemos a passar para nossos alunos a importância de conduzir entrevistas pessoalmente, mas isso simplesmente não é possível agora, e pode não ser por algum tempo.

Nesse artigo anterior, descrevi 12 aplicativos que os jornalistas podem usar para gravar entrevistas remotas de maneira eficaz. Mas esses produtos fazem apenas metade do trabalho. Como jornalistas, também precisamos saber como aproveitá-los ao máximo, o que significa considerar os aspectos práticos da gravação e publicação que vão além de ter o aplicativo certo em nosso telefone.

Se você vai conduzir entrevistas remotas com fontes, aqui estão nove considerações que deve ter em mente, não importando o meio.

(1) Faça vários testes

Não nos referimos ao coronavírus, mas sim testar muitas vezes o aplicativo que vai usar para gravar antes de realmente fazer a entrevista. 

Ligue para sua mãe ou amigos para garantir que você estará familiarizado com a funcionalidade de gravação -- e como acessar os arquivos depois -- antes de uma entrevista importante.

(2) Certifique-se de ter um bom Wi-Fi

A maioria dos aplicativos que recomendei na primeira parte desta série usa Voice over Internet Protocol (VoIP) para permitir fazer chamadas de voz pela internet em vez de uma linha telefônica normal.

Em muitos casos, eles também armazenam a gravação em nuvem, embora alguns aplicativos permitam que você escolha entre isso e uma gravação local (ou seja, uma em seu laptop ou telefone).

Por isso, uma conexão de dados robusta é essencial. A conectividade ruim não afetará apenas a qualidade da chamada, mas também pode impedir a gravação dela. Certifique-se de verificar seu WiFi com antecedência.

[Leia mais: 12 aplicativos para gravar entrevistas remotas]

(3) Determine se deseja que a tela fique ligada ou desligada

Ao conduzir uma entrevista remota, é melhor ou pior poder ver a pessoa que você está entrevistando? Não há uma resposta certa, mas você precisa decidir antes de a entrevista começar o que você prefere e se seu convidado estará preparado.

Durante um evento recente, o National Press Club Journalism Institute em Washington perguntou a Terry Gross da rádio pública americana e ao apresentador do The Daily, Michael Barbaro, do New York Times, sobre como ouvir profundamente.

Como mostra o resumo do evento, cada um tinha uma visão diferente sobre a questão de saber se é melhor ver (virtualmente ou na vida real) a pessoa que você está entrevistando:

Terry Gross: A maioria das minhas entrevistas são entrevistas à distância. ...Nós dois temos que ouvir realmente atentamente porque não há linguagem corporal...não há outras pistas. Mas a vantagem de ter isso é que posso fazer anotações, posso olhar as anotações, posso folhear um livro para obter uma citação que quero, sem sentir que estou perdendo o contato visual.

Michael Barbaro: As entrevistas pessoais às vezes são um tanto quanto assustadoras. Mas eu acho muito libertadoras porque não há distração, a não ser o convidado, a pessoa com quem você está falando...E eu gosto muito da linguagem corporal, e gosto da espontaneidade disso.

(4) Obtenha consentimento para gravar

Lembre-se de sempre deixar claro para o entrevistado que a entrevista será gravada e por quê.

Na minha experiência, é útil esclarecer que não há nada de perverso nisso: você só quer garantir que capturou o que eles disseram com precisão. Ter uma conversa gravada ajuda a tornar isso possível.

O ideal é que, quando marcar a entrevista, você informe ao seu entrevistado que a entrevista será gravada e  repetir isso antes de iniciar a gravação.

Em muitos lugares, o consentimento para gravar é um requisito legal. Mesmo que não seja, trata-se de uma boa prática. É importante ter um registro do que alguém disse a você, e é igualmente importante ganhar a confiança de seu entrevistado, tratando-o com respeito.

[Leia mais: Entrevistas remotas: Tudo o que você precisa saber]

(5) Reserve um lugar silencioso 

Mesmo que você não planeje publicar o áudio, certifique-se de encontrar um local para capturar a conversa onde você e seu entrevistado possam se ouvir. Você vai gostar de não ter dificuldades para ouvir a gravação devido ao barulho de fundo ao escrever sua matéria ou transcrever o áudio.

Também é importante ter um lugar silencioso durante a própria entrevista. Remover distrações permite que você esteja presente e focado durante a discussão.

(6) Usar fones de ouvido

Reserve alguns minutos para ler estas palavras de Rachel Corbett, uma jornalista australiana e fundadora do curso de podcasting online, PodSchool, sobre por que “fones de ouvido são a peça mais importante do equipamento em seu kit de podcast” (em inglês). Como ela ressalta no artigo, usar fones vai ajudá-lo a se tornar um melhor apresentador, tornar mais fácil detectar — e remover — o barulho de fundo e garantir que você não precise corrigir o tom e o volume do seu convidado com tanta frequência.

Mesmo que você não planeje usar o áudio para um podcast, vale a pena levar em conta as recomendações dela para facilitar o processo de gravação.

(7) Faça backup de seus arquivos

Laptops travam e aplicativos se corrompem, portanto, certifique-se de ter seus arquivos armazenados em vários lugares.

(8) Confira as ferramentas de transcrição

Depois de gravar sua entrevista, pode ser útil ter uma transcrição do que foi dito. Isso pode render dividendos, não apenas pela história em questão, mas também ao capturar um material que você pode usar em futuras matérias.

Journalist’s Toolbox, mantido por Mike Reilley, professor de jornalismo da Universidade de Illinois-Chicago, tem uma lista útil de ferramentas gratuitas e serviços pagos para ajudar a acelerar o processo de transcrição, que a maioria dos jornalistas considera a parte menos agradável de seu trabalho.

(9) Converta seu áudio em algo visual 

Mesmo que você tenha usado sua entrevista para um artigo escrito, vale a pena considerar como pode usar clipes de áudio curtos para ajudar a promover seu trabalho de forma criativa nas redes sociais.

Headliner é uma das ferramentas mais conhecidas neste espaço. Ele cria visualizadores de áudio que são especialmente úteis para Twitter e Instagram.

Anchor também ajuda a transformar seu áudio em vídeos curtos, compartilháveis e transcritos, disponíveis em diferentes formatos, dependendo da rede social onde você deseja distribuí-los.

Quer mais dicas? Em seguida, experimente estes cinco recursos adicionais:

  1. PBS NewsHour Student Reporting Labs - Conducting Virtual Interviews
  2. Damian Radcliffe/Journalism.co.uk - Six tips to improve your radio and podcast interviews
  3. Katie Mingle, produtora sênior do 99% Invisible/Transom - Get Good Tape (Sync)
  4. NPR - NPR's Guide To Sending Audio + Reporting from home: how NPR correspondents do it
  5. IJNet - Ferramentas de Jornalismo Multimídia 

Damian Radcliffe é professor cátedra Carolyn S. Chambers de jornalismo da Universidade de Oregon, bolsista do Tow Center for Digital Journalism da Columbia University, pesquisador honorário da Faculdade de Jornalismo, Estudos de Mídia e Cultura da Universidade de Cardiff e bolsista da Sociedade Real para o Incentivo às Artes, Manufaturas e Comércio (RSA, em inglês). Ele também apresenta o podcast Demystifying Media em que ele entrevista jornalistas e estudiosos da mídia sobre o ofício do jornalismo. Siga-o no Twitter @damianradcliffe.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Will Francis