5 maneiras como jornalistas podem engajar o público na reportagem

porClothilde Goujard
Jul 25, 2016 em Diversos

Algumas redações podem pensar que o engajamento do público começa e termina com quantas pessoas reagiram às suas mensagens nas mídias sociais.

No entanto, a empreendedora e jornalista de rádio Jennifer Brandel está tentando ajudar redações a ver que engajamento do público significa mais que isso. Sua startup, Hearken, permite que o público trabalhe com os jornalistas na sugestão de pautas e atribuição de matérias. O resultado é matérias que o público considera "pessoalmente relevantes" e está mais disposto de compartilhar com suas redes sociais, segundo o site Hearken.

Até o momento, as redações usaram Hearken para reportar e acompanhar histórias que quebraram o recorde da ABC Austrália em compartilhamento no Facebook e que ganharam um prêmio regional de Edward R. Murrow para o jornalismo investigativo.

Uma forte defensora de mudanças da indústria de mídia, Jennifer disse que acredita que redações ainda estão relutantes em colaborar com suas comunidades.

"Ainda é um ambiente onde você tem que convencer os editores que o seu público vale a pena ser ouvido", disse ela.

Jennifer compartilhou algumas dicas com a IJNet sobre como os jornalistas podem criar audiências mais engajadas sem depender de uma enxurrada de mensagens na mídia social promovendo o novo conteúdo.

1.) Envolva sua audiência antes da publicação 

Abra sua redação para as pessoas que querem fazer perguntas e contribuir com ideias de reportagem. Mais perspectivas e mais ideias diversas vão servir melhor a sua comunidade, especialmente nas redações que ainda não são representativas das populações que servem.

"Em última análise, não importa se suas intenções são boas, não importa se você é inteligente, imparcial ou cuidadoso e tudo mais, você é limitado", disse Jennifer. Ela sugeriu investir mais poder nas mãos do público quando se trata de pensar em ideias de reportagem -- uma prática que também pode ajudar redações menores, onde os jornalistas enfrentam restrições de tempo.

2.) Crie um relacionamento direto 

Não seja dependente demais das redes sociais, como Facebook e Instagram, pois você não está no controle de seus algoritmos em mudança. Em vez disso, construa um relacionamento direto com seu público. Para isso, Jennifer aconselha o uso de e-mail.

Por exemplo, quando as pessoas fazem uma pergunta ou votam através da plataforma Hearken, elas têm a opção de dar os seus endereços de e-mail. Também podem optar por um boletim informativo.

"Nossa abordagem se move em direção a um mundo onde os jovens e as marcas de notícias têm mais uma relação direta", disse ela.

3.) Recompense sua audiência

Jennifer disse que está convencida de que o público não é um consumidor passivo de notícias.

"Eu acredito plenamente que existem pessoas lá fora que gostam de participar, gostam de ser ouvidas, amam contribuir de forma produtiva para a redação", disse ela.

No entanto, tenha cuidado. Algumas organizações de mídia pedem muito de seu público, sem jamais reconhecer a sua ajuda e informá-los sobre o que estão fazendo com a contribuição. Faça o oposto e recompense o seu público por participar. Peça algo pequeno que não leva muito tempo. Mantenha-os envolvidos e atualizados sobre o que aconteceu graças à ajuda deles.

"As pessoas fazem um monte de coisas por atenção", disse Jennifer. Portanto, dê às pessoas o seu momento de fama na mídia social e o crédito por sua contribuição.

4.) Adapte-se à sua comunidade

"Fundamentalmente, os seres humanos são curiosos, não importa onde vivem ou de onde vêm", disse Jennifer.

Contudo, esteja ciente das diferenças culturais ao se adaptar ao seu público específico. Quando Hearken fez parceria com YLE da Finlândia, Jennifer descobriu que o público finlandês não gosta muito de ser mencionado e recompensado publicamente. Em contraste, os americanos ficam particularmente entusiasmados ao serem destacados.

5.) Mostre os bastidores

Jennifer também recomendou envolver o seu público e mostrar como o jornalismo é feito.

"[Jornalistas] simplesmente supõem que as pessoas sabem que a matéria levou três meses e 50 entrevistas", disse ela. "Eles não saem e dizem: 'Nós estamos lhe dando um artigo de jornalismo Rolls-Royce agora'. Podemos fazer um trabalho melhor ao deixarmos isso bem claro."

Explique ao seu público-alvo por que pagar por sua notícia pode ser necessário para produzir jornalismo de qualidade e manter a democracia saudável. Em uma recente pesquisa global de consumidores de notícias do Instituto Reuters, 67 por cento dos entrevistados disseram que não pagariam por notícias online nos Estados Unidos, seja qual for o preço. Esse número sobe para 75 por cento no Reino Unido.

Gaste tempo desenvolvendo relações de confiança com seu público -- especialmente nos Estados Unidos, onde a falta de confiança é um problema real para a mídia.

Ainda não está convencido de que há muito mais para engajar o público do que mensagens de mídia social? Veja este quadrinho que Hearken publicou com uma outra perspectiva. 

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Pedro Ribeiro Simões