5 dicas para jornalistas que cobrem trauma

porIJNet
Sep 4, 2016 em Temas especializados

Reportagens sobre trauma precisam de uma combinação de sensibilidade e esclarecimento. O guia “Covering Trauma”, produzido pelo Radio for Peacebuilding Africa, oferece orientação abrangente para a compreensão dos efeitos do trauma, reportagens sobre histórias sensíveis e redação sobre trauma. Aqui estão cinco de suas dicas:

Para entrevistas com vítimas de trauma:

Deixe o seu entrevistado definir as regras do jogo.
"Deixe-os decidir onde querem se encontrar para uma entrevista e onde querem se sentar. Seja diligente sobre onde você se senta: Não bloqueie o caminho de um sobrevivente do trauma para a porta ou pareça ser um obstáculo de outra forma."

Não finja que sua matéria vai dar uma solução ao entrevistado. Não há uma solução.
"Ao contrário do jornalismo tradicional, a sua matéria nunca vai responder satisfatoriamente a pergunta 'Por que isso aconteceu?'. Você pode encontrar especialistas que podem explicar as causas políticas ou econômicas para uma guerra ou violência, ou psicólogos que estudam por que homens abusam mulheres, por exemplo. Mas para indivíduos ou comunidades que sobreviveram a algo horrível, você nunca pode explicar por que isso aconteceu com eles. Esta é uma questão existencial que eles vão se perguntar para o resto de suas vidas."

Evite a linguagem da culpa.
"Se uma mulher diz que foi estuprada na estrada tarde da noite, não pergunte a ela: 'Por que você estava fora até tarde da noite, de qualquer maneira?" Se uma criança foi raptada quando pegava água sozinha, não pergunte 'Por que você foi buscar água sozinha? Pesquisadores descobriram que essas questões podem causar dano psicológico para os sobreviventes, porque as perguntas implicam que o trauma é culpa do sobrevivente."

Para escrever e produzir matérias sobre trauma:

Escolha detalhes porque avançam a matéria, não porque são chocantes.
"Os melhores jornalistas sabem como contar uma história e muitas vezes o público aprecia histórias cheias de detalhes. Mas no jornalismo de trauma, os detalhes podem se voltar contra a história -- e as pessoas nela.

Muito raramente a escolha é 'Devo usar este detalhe?'. Em vez disso, as opções são sobre como usar citações, informação, dados e detalhes da forma mais sensível e responsável."

Comunique-se com as suas fontes antes de sua matéria ser publicada ou ir para o ar.
"Eles devem saber o dia e a hora que a matéria vai aparecer e que informações de suas entrevistas você está incluindo. Esta é uma cortesia para qualquer um que você entrevista, mas é essencial com sobreviventes de trauma" que estão tentando recuperar um senso de controle sobre suas vidas.

O Guia "Covering Trauma" do Radio for Peacebuilding Africa (RFPA)  foi desenvolvido por Jina Moore, uma jornalista multimídia independente que se especializa em África e reportagem pós-conflito e de direitos humanos. Fornece dicas concretas sobre como realizar entrevistas em situações difíceis e estruturar a matéria, de modo a proteger as vítimas e não sensacionalizar a violência. O guia também explora como o jornalismo pode ajudar as comunidades a se recuperarem após um trauma.

Para acessar o guia (em inglês), clique aqui.