5 dicas para ensinar habilidades de vídeo para sua redação

byRavi Bajpai
Dec 11 in Jornalismo básico

O quão bem você escreve é diretamente proporcional ao quão bem você conhece um determinado assunto: tem pouco a ver com a tecnologia que você usa. O mesmo princípio se aplica à criação de vídeos. Você poderia usar uma DSLR de alta qualidade ou o iPhone mais recente, mas seu vídeo só será tão bom quanto sua compreensão da linguagem visual; ou seja, as maneiras pelas quais diferentes tipos de fotos, edição e outros elementos do filme ajudam a contar sua história.

No entanto, esse fato simples é facilmente ignorado pelos editores da redação quando começam a treinar seus jornalistas em vídeo. Essa mentalidade pode levar a uma quantidade maior com qualidade menor. As redações podem melhorar drasticamente a qualidade dos seus vídeos ao capacitar os jornalistas nestes cinco aspectos fundamentais da produção de vídeos.

1. Luz

Uma iluminação ruim pode ser o pior fator para estragar um vídeo, atrás apenas de um áudio ruim. A maioria das filmagens feitas por jornalistas não-visuais nas redações tradicionais (por exemplo, repórteres da imprensa) são inutilizadas por causa de iluminação insuficiente ou pouco atrativa.

Isso pode ser resolvido focando nos tipos de fontes de luz (macias e duras) e a posição das fontes de luz, o que é melhor ensinado através de uma configuração simples de iluminação de estúdio de três pontos. Aqui está um excelente tutorial que explica esses conceitos; e outro bom sobre os princípios gerais de usar luzes em imagens.

Repórteres são mais propensos a gravar imagens na rua do que em um ambiente de estúdio. No mínimo, os jornalistas devem saber o que NÃO fazer em termos de luz básica: por exemplo, não filmar sob a luz solar direta à tarde ou posicionar o entrevistado ao lado de uma porta ou uma janela ao gravar em ambientes fechados para obter a melhor luz natural possível.

2. Composição

Você pode ser muito criativo com a composição do vídeo, mas ainda existem algumas diretrizes gerais que podem ajudar os iniciantes. Alguns conceitos críticos são as linhas de orientações, padrões, a regra dos terços e profundidade, entre outros. Você pode aprender mais sobre isso neste tutorial.

Estes são bons pontos de partida para jornalistas novatos, porque fornecem uma estrutura para começar a filmar. Idealmente, ensinar esses conceitos deve ir além da teoria e incluir exercícios práticos para jornalistas, seguidos de uma revisão detalhada do trabalho.

3. Tipos de gravações

As tomadas são as partes móveis em um vídeo. São os blocos de construção para sequências (um conceito descrito abaixo), e como videógrafo, são suas principais armas para tentar evocar uma emoção específica em seu espectador. Saber como usar os diferentes enquadramentos para evocar emoções pode levar sua produção de amador a semi-profissional.

A filmagem tem três tipos básicos de planos: plano geral, plano médio e close-up (também conhecido como fechado), bem como uma variação conhecida como close-up extremo (veja os exemplos deste vídeo). Cada plano se presta a uma perspectiva específica; por exemplo, um plano geral que mostra toda a tela em que ocorre uma sequência pode estabelecer uma configuração e oferecer um contexto visual. Um close-up pode ajudar a ampliar emoções específicas; por exemplo, uma tomada em close-up do suor que escorre pela testa do ladrão pode aumentar a tensão de uma cena de assalto a um banco.

4. Sequenciamento

Simplificando, o sequenciamento é a arte de organizar várias tomadas, ou imagens, em uma sequência para transmitir um pensamento ou significado. Uma sequência consiste em uma variedade de planos: planos para estabelecer a cena, plano médio, close-up e close-up extremo. Este tutorial de vídeo da IJNet mostra o básico.

O sequenciamento tem dois propósitos. Como videógrafo, oferece controle sobre as emoções e pensamentos que você deseja evocar. Quando organizados de forma diferente, o mesmo conjunto de planos pode transmitir significados inteiramente diferentes e orientar a narrativa. A sequenciação também ajuda você a organizar um vídeo de dois minutos em segmentos de 15 segundos, cada segmento mostrando uma ação ou ideia específica. Dessa forma, você não está tentando capturar imagens aleatórias quando estiver fazendo uma filmagem.

5. Áudio

A maioria das redações tendem a ensinar ao jornalista como conectar um microfone básico a um telefone celular para uma entrevista e nada mais. Isto não é suficiente. Jornalistas de vídeo devem entender a relação entre a fonte do som e o microfone.

Um microfone colocado na gola da camisa de um entrevistado dentro de um quarto ruidoso capturará um áudio muito mais claro do que se o mesmo microfone fosse mantido a apenas cinco centímetros de distância da fonte sonora, neste caso, a boca do entrevistado. Este vídeo ilustra a importância da proximidade durante a gravação do áudio.

Compreender isso também ajudará o jornalista a navegar desafios imprevistos. Por exemplo, se você está despreparado sem um microfone para entrevistar alguém, deve saber que mover a câmera mais perto do entrevistado --muito mais perto do que deveria se estivesse usando um microfone-- melhora drasticamente a qualidade do áudio.

Os jornalistas novatos devem receber treinamento suficiente para que possam avaliar a qualidade do áudio enquanto filmam sem ter que ouvir sua reprodução várias horas depois para saber o que conseguiram. Apenas duas horas de treinamento de áudio dedicado pode desenvolver essa proficiência.

Ravi Bajpai é um jornalista com mais de 10 anos de experiência na Índia. Ele é especialista em vídeos de notícias DSLR/ mobile com foco na narrativa para o público digital e cobriu extensivamente política, governança urbana, saúde pública e questões de desenvolvimento. Saiba mais sobre seu trabalho como um bolsista Knight do ICFJ aqui.

Imagem sob licença CC sob Flickr via jsawkins