5 dicas de mulheres para mulheres superarem desafios na mídia

porDestiny Alvarez
Nov 23, 2019 em Diversidade
Dr. Susan Robinson por OR Media

Como é ser uma mulher trabalhando na mídia? Na primeira de uma série de duas partes, quatro jornalistas e pesquisadores de sucesso discutiram suas experiências.

Nesta segunda parte, compartilhamos suas recomendações para fazer uma diferença positiva no mercado de trabalho.

Com base em entrevistas com Mandy Jenkins, da McClatchy (na época bolsista JSK em Stanford), a premiada jornalista de dados Jennifer LaFleur, além das ex-jornalistas e agora pesquisadoras de jornalismo, Susan Robinson e Rosalind Donald, aqui estão cinco recomendações para melhorar a experiência das mulheres na mídia.

(1) Busque apoio, mas também ofereça

As mulheres continuam avançando no jornalismo. Mas, de acordo com a Pesquisa de Diversidade nos Empregos de Redação da American Society of News Editors 2018, as mulheres representam cerca de 41,7% dos funcionários de redação nos Estados Unidos. Isso supera a marca de 2017, quando a pesquisa mostrou que as mulheres ocupavam apenas 39,1%.

No entanto, ainda existem desafios no campo que há muito tempo é dominado pelos homens. Isso inclui desigualdade salarial, assédio online ou offline e mais. Esteja você em uma posição de poder ou não, ouça suas colegas. Se elas estão com dificuldades, ofereça conselhos ou recursos para ajudá-las.

Jennifer LaFleur nos lembrou da importância de ser uma mentora para outras formal ou informalmente. Organizações como a Digital Women Leaders e o Journalism and Women Symposium fornecem às mulheres uma plataforma para orientar futuras jornalistas.

Existem também várias organizações projetadas para apoiar as mulheres na indústria do jornalismo.

O suporte a essas organizações pode ser ótimo para colaboração, construção de redes profissionais e aprendizado mútuo. Ter mentoras solidárias e trabalhar em direção a objetivos comuns podem ajudar a fornecer um espaço seguro para as jornalistas crescerem.

American University’s Jennifer LaFleur Photo by OR Media
Jennifer LaFleur, da Universidade Americana, Foto da OR Media.

(2) Ajude outras mulheres a subir na carreira

Quando chegar a uma posição de poder, faça o que puder para trazer outras mulheres com você. Enquanto muitas redações estão se esforçando para garantir maior paridade de gênero na redação, nem sempre isso se traduz em cargos de chefia — especialmente para mulheres de cor.

As redações precisam mudar sua cultura para apoiar mais as mulheres e outras minorias. A maioria da força de trabalho da maioria das instituições de mídia, por exemplo, é branca e masculina. Reconhecendo isso, as editoras podem tomar a liderança na criação de um ambiente mais inclusivo que pode inspirar — e ousamos dizer, constranger —- outras pessoas a melhorar a situação.

Ajudar outras pessoas a subir na carreira também significa apoiar as escolhas de outras mulheres. Independentemente da situação ou razão, o envelhecimento e a maternidade podem causar divisões e problemas de julgamento entre as mulheres nas redações. "É importante reconhecer a carga desigual que as mulheres podem enfrentar", afirmou Rosalind Donald, da faculdade de jornalismo da Universidade de Columbia. Outras mulheres podem desempenhar um papel fundamental ao chamar atenção para isso.

(3) Construa uma rede 

O jornalismo é um ambiente competitivo, mas, em vez de cair nisso, Susan Robinson pede às mulheres no jornalismo que construam redes e se conectem entre si.

Construir uma rede de mulheres em todos os níveis da indústria da mídia pode ajudar a criar um ambiente favorável que permite que outras mulheres criem conexões de trabalho. Um exemplo é um círculo de empoderamento, que é um grupo facilitado de mulheres que se reúnem para apoiar mutuamente seus objetivos de liderança.

"Há algo nos círculos femininos que são tão importantes para o nosso sucesso", disse Robinson. "Apoiar uma a outra em redes e compartilhar experiências é como avançamos."

McClatchy’s Mandy Jenkins Photo by OR Media
Mandy Jenkins. Foto da OR Media.

(4) Pratique a Teoria do Brilho 

A competitividade nas redações pode levar a um ambiente tóxico, o que pode gerar situações em que as mulheres depreciam outras mulheres para avançar. Seja por envelhecimento ou discriminação racial, todas as mulheres do setor são afetadas.

Em vez disso, as mulheres devem praticar a Shine Theory (Teoria do Brilho), conforme descrito por Ann Friedman em um artigo de 2013 para The Cut. Segundo a teoria, as mulheres podem brilhar e ter sucesso quando outras mulheres ao seu redor também brilham.

Dar elogios às mulheres individualmente, assim como na frente dos outros, é muito importante para construir relacionamentos e aumentar a moral, aconselha Mandy Jenkins.

Isso é exacerbado na era digital, onde muitas jornalistas enfrentam assédio online constante. Esforçar-se para destacar o trabalho de outra mulher em público, com suas colegas do ofício e nas redes sociais é fundamental. É mais difícil ignorar várias vozes se apoiando.

(5) Não tenha medo de discordar 

O sexismo na redação não é novidade, mesmo que pareça diferente ao longo do tempo. Muitas mulheres enfrentaram e continuam enfrentando questões de assédio e disparidades salariais. Lutar contra ambientes hostis e tratamento desigual pode ser difícil e intimidante. Por ter que lutar pelo poder, as mulheres podem ter ainda mais medo de perdê-lo.

No entanto, as mulheres que têm uma plataforma têm a responsabilidade de defender seus colegas, especialmente mulheres, e pressionar outras pessoas ao seu redor para tratá-las melhor. Se um colega ou mentor do sexo masculino disser algo questionável ou depreciativo sobre outra mulher, reclame. Estar entre os "escolhidos" não significa que você não pode discordar. De fato, significa que você deve enfrenta-los.

"É nossa responsabilidade melhorar tudo", disse Mandy Jenkins. "Mesmo que isso possa ameaçar nossa própria posição, às vezes."


Este artigo foi escrito com reportagem e consultas adicionais de Damian Radcliffe, Professor de Jornalismo Carolyn S. Chambers e Professor de Prática da Universidade de Oregon.

Destiny Alvarez é uma jornalista baseada em Portland, Oregon. Ela se formou na Faculdade de Jornalismo e Comunicação da Universidade de Oregon, com um mestrado em jornalismo em 2019. Alvarez atuou como estagiária do Demystifying Media em 2019 e no programa Charles Snowden de excelência em jornalismo 2019 para a The Register-Guard em Eugene , Oregon.

Foto da Dra. Susan Robinson, cortesia da OR Media.