4 dicas para proteger sua segurança em reportagens sobre desastres ou protestos

porArun Karki
Oct 24, 2017 em Segurança do jornalista

Uma semana após o terremoto de magnitude 7,6 ter atingido o centro do Nepal em 2015, Prakash Mahat, cinegrafista da Nepal TV News, cobria os efeitos secundários do terremoto e a busca contínua de sobreviventes em Katmandu. Minutos depois de chegar à cena, um poderoso abalo sísmico secundário quase o derrubou nas ruínas.

"Eu não me importei de estar em pé cobrindo uma operação de resgate sobre detritos empilhados em volta", disse Mahat. "Quando o local começou a tremer, fiquei tão assustado. Fiquei desorientado por um tempo e quase perdi o equilíbrio porque estava filmando vídeos com uma câmera profissional grande. Esqueci que os tremores poderiam vir a qualquer momento."

Dilip Thapa Magar, repórter freelance de televisão e ativista, com sede em Katmandu, que cobriu centenas de notícias sobre guerra, desastres naturais e protestos de rua nos últimos 16 anos, disse que a reportagem de trauma é diferente da reportagem padrão e, portanto, requer um conjunto específico de habilidades.

Há 10 anos, durante o insurreição maoísta e o conflito no Nepal, um membro da família de um policial recentemente morto por rebeldes maoístas quebrou a câmera de Magar.

"Por terem achado que fui insensível aos sentimentos da família de uma vítima, fui atacado fisicamente", disse Magar, que também atua como vice-presidente da Federação dos Jornalistas Nepaleses. "Portanto, devemos ser extremamente delicados e cuidadosos. O conteúdo publicado deve ser "sensível ao trauma" e "não deve afetar nem prejudicar ninguém: vítimas e suas famílias, audiências e próprios jornalistas."

Com base em décadas de experiência em jornalismo, Magar e Narendra Shrestha, um fotojornalista nepalês que também cobriu o terremoto, compartilhou algumas dicas para proteger sua segurança ao reportar em situações perigosas e traumáticas:

1. Conheça bem a geografia quando reportar em zonas atingidas por conflito

Os jornalistas precisam conhecer as rotas de transporte, tanto terrestres como aéreas, se estiverem reportando de uma área de conflito. E os jornalistas também devem ter um local para se esconder se a violência ou o caos entrarem em erupção, como durante um protesto.

"Nunca tome partido", Magar aconselhou. "Nem a polícia nem os manifestantes, se você quiser se manter seguro". Quanto melhor um jornalista conhece uma área, mais chance ele terá de voltar para sua redação.

2. Às vezes, jornalistas devem ser espertos

"Prepare-se para situações em que você tem que lidar com homens armados, guerreiros ou rebeldes", disse Magar. Ele falou sobre uma situação em que teve que dar dinheiro e roupas a rebeldes que pararam sua equipe no Nepal durante o período insurgente maoísta. "Não revelei minha identidade real e fingi ser um guia turístico porque tive medo de morrer", disse ele. "Depois de três dias de cativeiro, eles me deixaram sair."

3. Esteja preparado com mantimentos

Desastres naturais podem isolar repórteres por longos períodos de tempo. Jornalistas devem carregar equipamentos e alimentos de primeiros socorros se viajarem para uma zona de desastre, caso precisem.

4. Preste atenção aos detalhes

Em situações de estresse, repórteres "não estão prontos psicologicamente" e não conseguem avaliar os riscos físicos e mentais de um conflito ou região afetada pelo desastre. Magar sugeriu construir uma rede de segurança antes de ir a tais zonas e também recomendou que repórteres tragam informações de contato de emergência com eles na missão. Eles também devem conhecer os riscos associados a eventos como protestos e saber a probabilidade de esses eventos se tornarem violentos. Ter um plano em caso de emergência pode ajudar a manter um repórter calmo e mais atento ao seu trabalho.

Imagem sob licença CC no Flickr via psit