Wright Bryan da NPR: ‘Jornalismo social não é especial'

porAshley Nguyen
Jun 4, 2015 em Redes sociais

Wright Bryan ajuda a gerenciar as redes sociais da Rádio Pública Americana (NPR, em inglês), mas ele quer que você saiba, "jornalismo social não é especial."

"[A mídia social] não é um cara num cantinho," disse Bryan aos bolsistas do programa Bringing Home the World do ICFJ durante um treinamento recente. "Não é algo que nós devemos pensar como separado do que nós fazemos. ...A mídia social é apenas uma extensão do nosso trabalho como jornalistas."

A mídia social permite satisfazer todas as exigências de trabalho como repórteres: fazer perguntas, reunir informações, filtrar o barulho e publicar o nosso trabalho. Permite trazer "novos conhecimentos e insights sobre o que nós cobrimos", Bryan observou que devemos incorporar a mídia social em nossa rotina diária.

Abaixo, a IJNet destaca algumas dicas da conversa de Bryan com os 15 bolsistas que estão se preparando para fazer viagens de reportagem no exterior, mas querem ficar conectados com seus seguidores.

Crie uma comunidade e veja crescer

Seja você um jornalista apenas começando no Twitter ou um repórter reavaliando sua estratégia de mídia social, é importante pensar sobre sua editoria e seguir as pessoas que refletem os tópicos que você vai cobrir.

"Para as plataformas sociais funcionarem para você, você realmente precisa conhecer o seu público", disse Bryan. "Vamos dizer que ética é o seu tema: Pare e descubra quem são as principais pessoas nessa editoria especial, seja seu seguidor e comece a ouvi-los."

Se você deixar sua editoria para começar algo novo, não tenha medo de deixar as pessoas para trás e começar de novo, seguindo estes quatro passos de Bryan:

  1. Identifique o seu público
  2. Reúna quem vai seguir 
  3. Crie listas
  4. Engaje

"É como cuidar de um jardim", disse Bryan. "Parece ser um trabalhão, mas no final é fantástico."

Aprenda com seus colegas

Quando quer maximizar o uso da mídia social, tome nota do que outros jornalistas estão fazendo. Bryan citou Elise Hu, correspondente internacional da NPR na Coreia do Sul. Elise mantém um Tumblr chamado Elise Goes East e inclui observações sobre sua vida no exterior. As mensagens nem sempre giram em torno de seu trabalho, mas oferecem uma ideia de como é a vida em Seul para um estrangeiro.

"Elise representa os jornalistas modernos que podem fazer tudo isso", disse Bryan. "Ela está realmente liderando o caminho, mostrando aos [jornalistas] que isso é o que podemos fazer e ser."

O espaço social também representa uma oportunidade para o jornalista com mais a dizer se expressar, Bryan explicou. Não há nenhum editor pedindo-lhe para cortar certas partes.

Seja você mesmo — mais ou menos

Bryan encorajou os bolsistas a deixar suas personalidades brilharem nas mídias sociais, mas também os lembrou de seus trabalhos como jornalistas. Reveja as normas da sua organização de notícias e fale com os editores para discutir as coisas novas que você quer tentar que não são necessariamente cobertas no manual.

E, às vezes, não há problema em manter a vida de trabalho separada. Bryan mantém sua conta no Instagram privada e sua colega Paula Rogo, editora do Christian Science Monitor na África, mantém contas profissionais e pessoais de mídia social.

Mil ferramentas 

“Há milhares de ferramentas por aí e você deve usar as ferramentas que fazem sentido para você ", disse Bryan. Mas com milhares de ferramentas, onde deve começar? "Descubra o que quer fazer e busque no Google", ele disse.

Aqui estão algumas ferramentas que você pode querer experimentar:

  • Se você envia uma mensagem a alguém que não é seu amigo no Facebook, todos nós sabemos onde essa mensagem vai parar: na temida caixa "outros". Mas se pagar US$1, o Facebook assegura que a mensagem vai para caixa de entrada regular da sua fonte em potencial.
  • IFTTT (As siglas em inglês significam "Se isso, então aquilo") permite ao usuário criar "receitas" para alcançar eficiência na mídia social. Ari Shapiro, correspondente internacional da NPR, usa o serviço para postar em todas as plataformas simultaneamente: Você pode ver uma foto do Instagram que Shapiro tirou de um leilão de peixe na Escócia no FacebookTwitter e Tumblr. Cuidado com o seu público, porém: Alguns seguidores ávidos podem achar irritante o mesmo conteúdo em todas as plataformas. IFTTT também pode ser útil para freelancers que tentam manter o controle de despesas ou viajar para o estrangeiro: A receitas incluem "adicionar recibos de entrada para uma planilha" e "quão forte é a minha moeda de outro país? Registre a taxa de câmbio a cada dia".
  • Sua família e amigos podem querer ver fotos de você se divertindo no Facebook deles, mas talvez eles não estão tão interessado na sua mais recente história sobre uma questão global ou a reforma tributária na comunidade onde você reporta. Para evitar "inundar os feeds das pessoas", o repórter Beenish Ahmed do Think Progress começou um boletim TinyLetter para as pessoas que realmente querem ver seu trabalho.
  • "Se eu fosse um repórter, eu estaria usando [Periscope] todos os dias", disse Bryan, explicando que há um interesse forte em colocar o que você está fazendo no momento à vista do público. "A Internet é visual". Periscope também fornece uma interface de duas vias, Bryan observou. Isso permite que seus seguidores comentem sobre o que você está transmitindo, e no próprio vídeo ou no Twitter, você pode responder.
  • Quando o editor diz que ninguém se preocupa com um tópico que você está propondo, use tuites e mensagens das pessoas como prova que o seu público tem perguntas. Vá encontrar a comunidade que se preocupa, visitando grupos Reddit e Facebook.

Confira a apresentação de Wright Bryan na íntegra clicando aqui (em inglês).

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Eric Langhorst