WITNESS lança diretrizes para ética no uso de vídeos de cidadãos

porSam Berkhead
Jan 27, 2016 em Temas especializados

Com mais e mais cidadãos em todo mundo capazes de capturar vídeos ao vivo e compartilhá-los online, mais canais de notícias estão proliferando esses filmes, usando-os para aumentar sua cobertura jornalística.

Da Revolução Verde do Irã em 2009 à atual guerra na Síria e além, é prática comum da mídia utilizar vídeo de pessoas que realmente testemunharam um evento.

Estes vídeos trazem uma urgência e imediatismo que a reportagem tradicional muitas vezes não consegue trazer. Em alguns casos, é a única evidência disponível que um evento ocorreu de verdade.

No entanto, o conteúdo gerado pelo usuário não respeita as regras e protocolos de redações tradicionais. Se usado de forma inadequada, o vídeo de uma testemunha ocular pode violar a privacidade de um sujeito ou até mesmo colocá-lo em perigo. Verificar esse conteúdo e garantir que seja lançado sob o contexto certo também pode representar desafios.

"O surgimento de vídeo de testemunhas em reportagem aconteceu em grande parte sem formação especializada ou melhores práticas para os jornalistas e meios de comunicação que se encontram usando filmes de cidadãos", disse Madeleine Bair, coordenadora do WITNESS, uma organização internacional que oferece treinamento e apoio às pessoas que usam vídeos em defesa dos direitos humanos.

Para superar esses obstáculos, WITNESS lançou recentemente o guia "Ethical Guidelines for Using Eyewitness Videos in Human Rights Reporting and Advocacy". Bair falou com a IJNet para dar uma visão geral do guia e discutir como pode ser usado por jornalistas de todo o mundo:

Começando

Bair disse que há uma série de maneiras para novatos embarcarem no guia. É dividido em sete seções para facilitar o acesso a informações: princípios de documentação ética; julgamento profissional; como minimizar danos enquanto expõe abuso; vídeos de agressores; crédito e contexto; fontes em risco; e imagens fortes.

Cada seção inclui exemplos de casos anteriores em que redações usaram vídeos de testemunhas, fornecendo um ângulo do mundo real prático para aqueles que desejam iniciar uma discussão ética dentro de sua própria redação, disse Bair.

"Cerca de metade do guia é descrições de casos reais de todo o mundo em que vídeos de testemunhas foram usados ​​em notícias e documentação de direitos humanos, e uma discussão sobre como tomar uma decisão informada e ética ao usar as imagens", disse ela. "Essas são ótimas ferramentas para iniciar uma discussão dentro de uma organização sobre como lidar com cenários semelhantes."

O guia também inclui uma lista de perguntas a fazer antes de usar vídeos de testemunhas, bem como uma lista de pontos a considerar ao criar um código de ética de testemunha para sua própria redação.

Transcendendo limites contextuais 

Quando se considera vídeo de cidadãos dentro do cenário da mídia global, as coisas se tornam ainda mais complicadas. Ética jornalística e contextos para a mídia de cidadão variam muito de país para país. E porque o vídeo de testemunha permite cobrir uma parte do mundo que o jornalista pode não ter acesso, é comum usar vídeos produzidos em uma cultura estranha.

O guia do WITNESS foi concebido com esses fenômenos do contexto em colapso em mente e pode ser usado por jornalistas e organizações de mídia em qualquer país, disse Bair.

"Noções de privacidade, dignidade e segurança variam entre países e culturas", disse ela. "O guia foi desenvolvido a partir da experiência da curadoria de vídeos de testemunhas de direitos humanos de todo o mundo, e trabalhando com jornalistas cidadãos e ativistas de mídia que estão do outro lado da câmera em uma diversidade de regiões. A publicação também inclui exemplos e experiência recolhidas de colegas de diferentes países."

O que vem agora

Agora, WITNESS está em busca de feedback de jornalistas sobre a forma como o guia pode ser melhorado. Bair recomenda enviar feedback tuitando @WITNESS_Lab ou por e-mail, feedback@witness.org. WITNESS também planeja traduzir o guia em vários idiomas.

"Vídeos de testemunhas são adotados por repórteres em ritmos diferentes ao redor do mundo, por isso é bom aprender e compartilhar as melhores práticas além das fronteiras", disse Bair.

Clique aqui para ler o guia "Ethical Guidelines for Using Eyewitness Videos in Human Rights Reporting and Advocacy". Para saber mais sobre o guia, confira o blog Ethical Wednesdays do WITNESS.

Imagem sob licença CC no Flickr via Mr. TinDC