Webb na Web: Dicas para matérias longas

por Amy Webb
Jul 26, 2012 em Diversos

Estou de volta!

Faz um tempão desde que escrevi minha última coluna "Webb na Web", e queria explicar minha ausência. Eu tenho uma desculpa fantástica (juro!) e uma nova estratégia para trabalhar em projetos longos de jornalismo.

No início de janeiro, assinei um contrato para escrever um livro sobre como eu conheci o meu marido. Alguns anos atrás, eu usei de matemática, lógica e um entendimento de como certos algoritmos funcionam para otimizar sites de namoro online. Eu queria que o meu perfil fosse mostrado como um dos mais populares e queria ter certeza de que teria acesso à seleção mais ampla possível de homens.

O que eu descrevo em meu livro certamente se enquadra perfeitamente na categoria "perturbador" em temas de inovação e não está longe de ser o que eu faço todos os dias no trabalho. Além de avaliar e aprender sobre ferramentas para jornalistas (que é o que eu escrevo aqui), eu estou constantemente pesquisando tendências tecnológicas e novas utilizações originais para várias tecnologias. Nós também nos aprofundamos em vários setores, de bibliotecas públicas a governos a empresas de automóveis, para "mexer" com suas abordagens tecnológicas

Eu encarei o meu livro como faria com qualquer história que requer reportagem de profundidade, verificação e análise. Apesar de ter escrito matérias longas para a revista Newsweek, onde trabalhei muitos anos atrás, logo percebi que organizar minhas anotações para um artigo de 3.000 palavras é muito diferente de manter o controle de documentos, notas e reportagens para um livro de 80.000 palavras. Durante o processo, eu aprendi muito. E desenvolvi um novo processo que eu acho que vai ajudar você também.

Cronograma de edição

Deram-me quatro meses para escrever o livro e decidi continuar trabalhando no Webbmedia Group ao mesmo tempo. Entre o livro e meu trabalho no Webbmedia Group, eu tive que gerenciar 100 horas de trabalho por semana. Por isso, precisei manter um calendário de escrita muito rigoroso. Fiz um mapa de todo o projeto utilizando uma planilha no Google Docs. Anotei a data e a tarefa, e pontos e checagem para a minha editora. Tornei este documento compartilhável para minha editora e meus amigos íntimos e familiares, para ter a opinião deles e também para ajudar a gerir as expectativas.

Reportagem

Eu adoro tomar notas e juntar informação digital. Escrevo em diários com detalhes abundantes desde criança, e quando eu fiquei mais velha, começei a digitalizar e manter registros detalhados no meu computador. Isso me permitiu voltar no tempo e recuperar informações de meus vários discos rígidos e notebooks. Mas já que meu livro também contém um capítulo sobre a história do namoro online nos Estados Unidos, eu precisava fazer pesquisas online para recuperar artigos publicados entre os anos de 1950 e 1960. Usei duas ferramentas gratuitas fantásticas para manter toda a minha reportagem organizada: o Zotero para acompanhar minha pesquisa na Web, e o Evernote para armazenar, etiquetar e organizar todas as minhas outras pesquisas. O Zotero funciona como uma biblioteca digital para tudo que você já viu na Web, e você ainda pode manter notas sobre cada página que está vendo. O Evernote está disponível gratuitamente, mas fiz um upgrade para uma versão paga para poder compartilhar minhas notas com a minha editora.

Fazendo o meu trabalho

Um dos aspectos mais terríveis de escrever 80.000 palavras foi a possibilidade de que meu trabalho pudesse ser destruído ou apagado. Eu conseguiria recriar alguns parágrafos de memória... mas 381 páginas? De jeito nenhum. Então, usei um disco rígido externo para fazer um backup do meu computador e também salvei tudo no Dropbox, que é um dispositivo de armazenamento baseado em nuvem e serviço de compartilhamento. Uma das coisas que eu realmente gostei no Dropbox foi a capacidade de compartilhar e colaborar em capítulos com a minha editora. Pude também criar versões separadas para meus amigos e familiares lerem enquanto eu trabalhava. Eu simplesmente carregava um PDF e podia distribuir o link para qualquer um para visualização e download.

Pelo que eu entendo, a minha reportagem e processo de escrita foram "desordeiros" também. Ter usado essas ferramentas me ajudou a cumprir com o meu prazo; mas o mais importante, se a minha editora queria uma fonte para alguma coisa que eu tinha escrito na p. 241, eu poderia rapidamente e facilmente encontrar para ela. Teria sido muito difícil tentar pesquisar cadernos de papel pela mesma coisa. Que diferença faz a tecnologia!

Amy Webb é presidente do Webbmedia Group, uma agência de estratégia digital internacional que estuda tecnologias inovadoras e aconselha uma banco de clientes em todo o mundo da Fortune 100 e 1000 empresas globais, agências governamentais, organizações de mídia e fundações. Ela é a co-fundadora da SparkCamp e uma investidora e conselheira ativa. Seu novo livro, "Data: A Love Story" (em tradução livre, "Dados: Uma História de Amor") será publicado pela editora Penguin a partir de 31 de janeiro. Qualquer opinião sobre produtos ou serviços é formada após testes, pesquisas e entrevistas. Nem Amy Webb nem o Webbmedia Group ou seus empregados recebem quaisquer benefícios financeiros ou de outro tipo de clientes.