Série Borders da Vox usa engajamento local na produção de seus episódios

porChristine Schmidt
Sep 4, 2018 em Diversos

Se você pretende humanizar a fronteira entre dois países em conflito, provavelmente deve começar perguntando o que pensam as pessoas que vivem na região.

E embora seja fácil (ou relativamente fácil) chegar e perguntar aos primeiros migrantes ou guardas de fronteira ou vendedores que você vê, fazer o dever de casa de antemão é uma boa ideia. Essa foi a premissa do Borders, uma série de vídeos de Johnny Harris e da produtora Christina Thornell, da Vox.

Depois de morar perto da fronteira dos Estados Unidos com o México, em Tijuana, “eu queria humanizar as linhas no mapa”, disse Harris. "Eu queria olhar para um mapa, fazer um zoom e olhar para as pessoas e as histórias que compõem o que vemos a mais de 9.000 metros de altura."

Harris, um aficionado por relações internacionais, propôs a ideia há alguns anos, o que então resultou em três temporadas de cinco ou seis episódios cada. A primeira temporada concentrou-se em seis diferentes fronteiras: do Haiti/República Dominicana ao Nepal/China. O segundo foi um mergulho profundo em Hong Kong, que incorporou mais reportagens de engajamento para evitar o fenômeno do "homem branco" típico que chega de repente para cobrir terras exóticas. 

A terceira temporada --com foco nas fronteiras da Colômbia-- está em produção: a chamada começou com o anúncio de Harris sobre o novo destino.

A equipe de vídeo da Vox tem apenas quatro anos, como o próprio site. Seu líder, Joe Posner, lembrou que Harris foi a quarta pessoa a se juntar à equipe.

"É uma missão delicada ajudar a explicar o mundo, mas o que realmente fazemos é acompanhar nosso público. Estamos tão curiosos quanto eles”, disse Posner.

Esta não é a primeira vez que a Vox (com uma equipe de engajamento de quatro pessoas) buscou ideias de seu público para o vídeo. Para o Explained, seu programa semanal da Netflix, os produtores usaram a contribuição de seguidores para seus episódios de e-sports e K-pop, disse Posner. A Vox também fez um vídeo sobre o que os estudantes de ensino médio realmente pensam sobre os tiroteios em escolas, a partir de uma pesquisa após o massacre em Parkland, com 1.635 respostas.

A ideia do Borders foi diferente porque a abordagem foi decidida desde o início. "Tive a sensibilidade de perceber que não sou especialista nesses lugares; eu sou um estranho e não sou a pessoa que deveria explicar", disse Harris.

Blair Hickman, diretora de audiências da Vox, explicou como o engajamento aumentou em cada temporada. Para o primeiro, sabendo que teria um foco mais amplo, Harris fez um vídeo pedindo aos seguidores que sugerissem lugares para ele destacar. Hickman criou um formulário para coletar ideias e a equipe recebeu 7.000 respostas em um mês.

Enquanto Harris estava explorando lugares para filmar, a equipe de engajamento flexionou os músculos da página do Harris no Facebook como um “centro comunitário”, como Hickman descreveu, para compartilhar sua viagem com os 69.000 seguidores.

Na segunda temporada em Hong Kong, Harris e Hickman criaram uma rede de seguidores locais que queriam participar ou ajudar na criação dos vídeos de alguma forma, usando esse formulário e outros textos explicativos. "Esperávamos 40 respostas e recebemos mais de 700", disse Hickman. “Nas semanas que antecederam suas viagens, toda semana enviamos por e-mail um conjunto de chamadas estruturadas para o que explorar.”

Estas foram concebidas para encontrar os entrevistados e fixers locais para ajudar na filmagem de drones e também outros componentes da história maior da fronteira, como um artesão de luz néon e pessoas que vivem em casas gaiolas no mercado imobiliário de Hong Kong. Quando chegou na cidade, Harris enviou um e-mail à rede para ver se alguém queria se encontrar com ele: ele teve que fazer uma lista de espera com 400 pessoas interessadas. Ele programou um ponto de encontro com intervalos de 15 minutos para as pessoas conversarem com ele, e acabou passeando com algumas dessas pessoas que contaram suas histórias.

Todo o trabalho de engajamento começou de antemão. "Lendo e relendo 400 opiniões locais sobre a relação entre a China e Hong Kong, aprendi muito sobre suas perspectivas e, quando cheguei em Hong Kong, já havia me inteirado sobre esse paradigma", disse Harris.

Agora o foco do programa muda para a Colômbia, mas a rede em Hong Kong permanece. Hickman disse que a equipe espera que o público local fique interessado na estrutura do Borders e continue assistindo à próxima temporada. E o público local também espera que o Vox possa contar com eles para ajudar a obter histórias futuras. No entanto, as histórias que Harris contará na próxima temporada dependem das ideias que receberem das pessoas que moram lá.

A programação em vídeo da Vox permanece fragmentada, como descrevemos em uma matéria sobre a equipe em meio a sua existência atual, com um foco simplificado em ter uma pessoa responsável pelo vídeo: do lançamento à publicação. Além da incursão do Netflix com o Explained, eles também recorreram ao Facebook Watch, tanto para financiamento quanto para aumentar a audiência. "Em termos mais gerais, estamos apenas tentando crescer nos vários estágios de vídeo que existem", disse Posner.

Este artigo foi publicado originalmente no NiemanLab e reproduzido na IJNet com permissão.

Imagem principal captura de tela do vídeo promocional da Vox