Revisores de texto se unem para defender a profissão

porvgimenez
Mar 7, 2012 em Diversos

Numa época em que mais jornalistas do que nunca publicam online, revisores na América Latina estão se unindo para apoiar e defender a profissão.

A revisão tradicional dos textos antes da publicação é subestimada nas redações de hoje, segundo os revisores (também conhecidos como editores de texto ou copidesque).

Para combater isso, organizações de revisão latino-americanas se reuniram no ano passado na Argentina para o primeiro congresso internacional de revisores de língua espanhola. O congresso, que será realizado no México este ano, tem como objetivo promover essas associações de revisores profissionais.

É uma iniciativa oportuna: Em meio a cortes da redação, revisores são frequentemente os primeiros a perderem seus empregos. Alicia Zorrilla, presidente da Fundação Litterae disse à IJNet que a natureza solitária da profissão de revisor faz com que seu trabalho seja considerada uma contribuição menor.

"Então está na hora de revisores se sentirem respaldados por uma organização que defende os seus direitos e acompanhe seu desempenho trabalhista", disse ela.

Revisores em países como México, Argentina, Espanha, Peru e Uruguai compartilham problemas semelhantes: falta de reconhecimento da profissão, lacunas na formação e dificuldade em encontrar emprego.

"No México, a revisão dos textos jornalísticos não é generalizada", disse José Antonio Aspiros, revisor, jornalista e membro da Asociación Mexicana de Profesionales de la Edición. "Algumas organizações de mídia não empregam revisores e existem profissionais que pensam que seu trabalho fica pronto apenas com a verificação ortográfica automática."

Globalização ou regionalização? "O maior desafio para a maioria dos revisores é que alguns empregadores não entendem o que envolve na correção de textos", disse Zorrilla. "O problema é que muitos acreditam que o trabalho se limita a retirar ou acrescentar uma vírgula, ou corrigir erros de ortografia."

Outro desafio para revisores de língua espanhola, Zorrilla e Aspiros ambos concordaram, é a "globalização" da língua.

O espanhol "é globalizado na medida em que é influenciada por outros idiomas, principalmente o inglês, muitas vezes com termos relacionados às novas tecnologias", disse Aspiros. "O espanhol pega essas palavras, porque são comumente usadas, mas é tarefa daqueles que trabalham com a língua adaptar esses termos em espanhol a uma ortografia correta."

Termos regionais ou coloquiais que transcendem as fronteiras por causa da Internet também geram algumas questões interessantes. Para Zorilla, a ortografia deve ser a mesma mundialmente, mas além disso, "cada país tem seu próprio estilo local que deve ser respeitado."

No segundo congresso internacional, revisores irão definir métodos de trabalho comuns e procedimentos que podem ser compartilhados globalmente.

Foto por Irene Chaparro, licença CC no Flickr.